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Maranhão tem a menor taxa de isolamento social, afirma pesquisa nacional

Levantamento feito por startup apontou, ainda, que São Luís é a capital onde menos se respeita a recomendação de ficar em casa para conter o coronavírus
Nelson Melo / O Estado14/07/2020
Maranhão tem a menor taxa de isolamento social, afirma pesquisa nacionalShoppings estão entre os locais onde há maior desrespeito à recomendação de isolamento social em São Luís (Divulgação)

SÃO LUÍS - A reaceleração da transmissão do novo coronavírus na Grande Ilha acendeu o alerta para uma “segunda onda” da Covid-19. O aumento de casos seria consequência da flexibilização precoce das atividades comerciais, segundo estudo feito por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Um levantamento da start up brasileira de tecnologia In Loco revelou que São Luís tem a pior taxa de respeito ao isolamento social entre as capitais brasileiras, com 44,20%. Dentre os estados, o Maranhão também é o último nesse aspecto.

Conforme o boletim, divulgado pelo Governo do Mato Grosso do Sul (MS) em seu portal, São Luís possui uma taxa de isolamento social de 44,20%. Na sequência, aparecem Campo Grande (MS), com 46,04%; Palmas (Tocantins), com 46,22%; Rio de Janeiro (RJ), com 46,91%; Belém (Pará), com 46,94%; Manaus (Amazonas), com 47,03%; Boa Vista (Roraima), com 47,65%; João Pessoa (Paraíba), com 47,72%; Goiânia (Goiás), com 48,08%; Brasília (Distrito Federal), com 48,66%; Macapá (Amapá), com 48,69%; São Paulo (SP), com 48,70%; Fortaleza (Ceará), com 48,84%; e Belo Horizonte (Minas Gerais), com 49,04%.

Após Belo Horizonte, aparecem Natal (Rio Grande do Norte), com 49,64%; Maceió (Alagoas), com 49,72%; Recife (Pernambuco), com 49,78%; Vitória (Espírito Santo), com 50,20%; Cuiabá (Mato Grosso), com 51,05%; Aracaju (Sergipe), com 51,77%; Porto Velho (Rondônia), com 51,90%; Rio Branco (Acre), com 52,14%; Salvador (Bahia), com 52,30%; Florianópolis (Santa Catarina), com 54,59%; Curitiba (Paraná), com 55,23%; Teresina (Piauí), com 55,71%, e Porto Alegre (Rio Grande do Sul), com 60,12%.

Importante destacar que, segundo as instituições de saúde, a taxa ideal para controle da doença é acima de 60%. Isso significa que apenas Porto Alegre está nesse patamar. Com relação aos estados, o Maranhão tem a pior taxa de respeito ao isolamento social, com um índice de 44,44%. Depois, aparecem Tocantins, com 44,99%; Pará, com 45,65%; Paraíba, com 46,09%; Mato Grosso do Sul, com 46,67%; Rio de Janeiro, com 46,91%; Amazonas, com 46,99%; Minas Gerais, com 47,22%; Rio Grande do Norte, com 47,46%; Goiás, com 47,47%; São Paulo, com 47,48%; Ceará, com 47,67%; Roraima, com 47,79%; Pernambuco, com 48,12%, e Alagoas, com 48,64%.

Na sequência, vêm Distrito Federal, com 48,66%; Amapá, com 48,83%; Espírito Santo, com 49,03%; Bahia, com 49,18%; Sergipe, com 49,57%; Mato Grosso, com 50,50%¨; Rondônia, com 51,36%; Santa Catarina, com 51,40%; Paraná, com 51,60%¨; Acre, com 51,74%; Piauí, com 51,81%, e Rio Grande do Sul, com 56,19%.

Reaceleração da transmissão

O último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), na noite de domingo, 12, mostrou que houve 554 novos casos do novo coronavírus no Maranhão. Desse total, 472 ocorreram no interior e 82 na Grande Ilha. Em São Luís e nos demais municípios metropolitanos, semanalmente, está acontecendo um crescimento das notificações da Covid-19. Isso pode ser um reflexo da flexibilização das atividades comerciais, como está apurando o Grupo de Modelagem Covid-19 da Universidade Federal do Maranhão. Em outras palavras, seria uma reaceleração da transmissão.

Como explicou o professor doutor e médico epidemiologista Antônio Augusto de Moura da Silva, do Departamento de Saúde Pública da UFMA, junho foi relativamente tranquilo com relação à doença, mas, no final daquele mês e início de julho, o aumento no contágio do novo coronavírus foi registrado. Conforme o pesquisador em sua última live no Instagram, o risco de transmissão continua elevado e os casos ativos interromperam a tendência de queda. Além disso, o nível de testagem está em 2,1. O ideal seria mais de 10 exames por caso.

O professor Antônio Augusto observou que o índice R, que é calculado por dia, continua acima de 1 na Grande Ilha. No dia 18 de junho, essa taxa estava em 0,6%, mas, a partir daquela data, a situação foi modificada. Nas palavras do médico infectologista, a epidemia está ganhando tração, o que seria um reflexo da redução do distanciamento social e o desleixo da população com relação ao uso da máscara. Na live, o pesquisador explicou que o índice R é chamado de R0 para se referir ao começo, quando não há medidas de contenção. E de Rt, para os dias subsequentes, quando ocorre a velocidade de tração, assim que o cenário é marcado por mais de 100 casos de infecção.

De acordo com o professor, quando o Rt é abaixo de 1, significa que cada cidadão já não consegue contaminar nem uma pessoa sequer. Para o autor do estudo, essa reaceleração aconteceu mais ou menos entre quatro a cinco semanas após o início da reabertura dos comércios, quando houve a flexibilização do distanciamento social. Ele explicou que, na época do lockdown ou bloqueio total – que foi implementado em São Luís entre os dias 5 e 17 de maio -, houve um percentual aproximado de 55% de pessoas que ficaram em casa na Grande Ilha. Atualmente, esse índice está entre 35% a 40%.

Consequências da reaceleração

“Essa reaceleração da transmissão deve estar acontecendo porque muitas pessoas começaram a achar que o novo coronavírus já havia sido vencido e que a vida então voltou ao normal. Ou seja, foram às praias, aos bares, às ruas, e muitas sem máscaras, descuidando dessa medida de proteção fundamental”, comentou Antônio Augusto. O professor da UFMA analisou que, se isso continuar acontecendo, existe o risco de ocorrer um aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI na ilha daqui a quatro ou seis semanas.

Outra consequência, na opinião do professor, é o aumento do número de hospitalizações decorrentes da Covid-19. O que pode ser feito para impedir isso são as medidas básicas, como o uso de máscaras, o isolamento domiciliar, a higiene das mãos e o distanciamento físico mínimo de 1,5 metros, como o médico epidemiologista observou. Sobre esse assunto, Antônio Augusto fará uma live em seu Instagram, nesta quinta-feira, 9, às 18h, para comentar acerca da elevação da transmissão do novo coronavírus na capital maranhense.

Importante dizer que esse estudo promovido pelo professor Antônio Augusto é feito pelo Grupo de Modelagem da Covid-19 da UFMA, que foi montado há pouco mais de um mês, para acompanhar a epidemiologia do novo coronavírus. O intuito da equipe é informar a população acerca do que está acontecendo, a partir de dados concretos, que são verificados com todo rigor científico e empírico possível, de tal maneira que não distorça a realidade, segundo o médico epidemiologista.

Os envolvidos no estudo são docentes e alunos, que se reúnem entre duas a três vezes por semana, de maneira virtual, para promover os debates e levantar hipóteses.

Índice de isolamento social nas capitais

Porto Alegre (Rio Grande do Sul) – 60,12%

Teresina (Piauí) – 55,71%

Curitiba – 55,23%

Florianópolis (Santa Catarina) – 54,59%

Salvador (Bahia) – 52,30%

Rio Branco (Acre) – 52,14%

Porto Velho (Rondônia) – 51,90%

Aracaju (Sergipe) – 51,77%

Cuiabá (Mato Grosso) – 51,05%

Vitória (Espírito Santo) – 50,20%

Recife (Pernambuco) – 49,78%

Maceió (Alagoas) – 49,72%

Natal (Rio Grande do Norte) – 49,64%

Belo Horizonte (Minas Gerais) – 49,04%

Fortaleza (Ceará) – 48,84%

São Paulo (SP) – 48,70%

Macapá (Amapá) – 48,69%

Brasília (Distrito Federal) – 48,66%

Goiânia (Goiás) – 48,08%

João Pessoa (Paraíba) – 47,72%

Boa Vista (Roraima) – 47,65%

Manaus (Amazonas) – 47,03%

Belém (Pará) – 46,94%

Rio de Janeiro (RJ) – 46,91%

Palmas (Tocantins) – 46,22%

Campo Grande (Mato Grosso do Sul) – 46,04%

São Luís (Maranhão) – 44,20%

Índice de isolamento social nos estados

Rio Grande do Sul – 56,19%

Piauí – 51,81%

Acre – 51,74%

Paraná – 51,60%

Santa Catarina – 51,40%

Rondônia – 51,36%

Mato Grosso – 50,50%

Sergipe – 49,57%

Bahia – 49,18%

Espírito Santo – 49,03%

Amapá – 48,83%

Distrito Federal – 48,66%

Alagoas – 48,64%

Pernambuco – 48,12%

Roraima – 47,79%

Ceará – 47,67%

São Paulo – 47,48%

Goiás – 47,47%

Rio Grande do Norte – 47,46%

Minas Gerais – 47,22%

Amazonas – 46,99%

Rio de Janeiro – 46,91%

Mato Grosso do Sul – 46,67%

Paraíba – 46,09%

Pará – 45,65%

Tocantins – 44,99%

Maranhão – 44,44%

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