A gente conta... | Brasileiros no exterior

Longe de casa, eles contam suas rotinas

Eles vivem momentos difíceis e estão tendo de seguir as orientações dos governos à risca para evitar o contágio por coronavírus
21/03/2020
A maranhense Tennessee Bacelar, que mora em Nova York, conta que os americanos estão seguindo à risca as medidas de urgência determinadas pelo presidente Donald Trump

São Luís - Maranhenses que residem no exterior estão apavorados com as mudanças de convivência social em decorrência da crise sanitária no mundo. As medidas determinadas pelos governos dos países europeus e da América do Norte, por exemplo, chegam a ser duras e objetivam incentivar as pessoas a permanecerem em suas casas, evitando que o coronavírus se espalhe.

Radicada há 20 anos em Castelleto, no sul da Itália, Patrícia Cavalcante contou a O Estado que o país inteiro está em estado de alerta e toda a população segue à risca as novas normas. “Ontem mesmo, tentei ir ao supermercado, mas não consegui entrar, por causa da fila, que era longa. É que estão limitando o número de pessoas. Entram, por exemplo, quatro e, assim que elas saem, entram mais quatro, de maneira que o processo é lento, embora todos os consumidores sejam estimulados a fazer tudo correndo. Você entra e já tem que saber o que quer pegar para comprar”, contou a brasileira.

A maranhense revelou que está extremamente preocupada com a situação, pois até para sair de casa é preciso explicar à polícia que o objetivo é ir ao supermercado ou à farmácia, e é preciso comprovar. “Já estamos vivendo assim há mais de duas semanas e tudo aqui está fechado. A previsão é que bares, restaurantes, cinemas e shoppings, por exemplo, abram no dia 2 de abril, mas achamos que isso não vai acontecer, devido à grave situação”, disse ela, que está constantemente enviando notícias à família em São Luís.

Em Paris, na França, a cantora maranhense Anna Torres afirmou que a situação não é diferente, pois o país fechou inclusive suas fronteiras. “A maioria dos voos foram cancelados. Por essa razão, tive de adiar o espetáculo ‘A Cigarra Autista’, que eu apresentaria no Brasil no mês de abril, assim como a minha participação no Salão Internacional do Autismo, aqui em Paris. Nós estamos no confinamento e, no meu caso, tenho direito a passear de carro, sem sair do veículo, com a minha filha, que é autista. Mas as ruas estão todas desertas, como nunca se viu na França”, conta.

Atestado

Anna Torres explicou que o governo francês está emitindo “atestados de deslocamentos” à população e caso não sejam apresentados à polícia, os cidadãos pagam uma multa no valor de 38 euros. “Esse valor pode subir para 135, dependendo do caso. Aqui, não se tem nem mesmo o direito de se enterrar entes queridos vítimas do vírus. Certeza nós temos de que isso tudo causará um prejuízo moral e financeiro sem precedentes na história”, lamentou.

Em Portugal, Alfredo Tauney, há seis anos na Europa para estudar, contou que há uma semana não sai de casa. Ele cumpre doutoramento em Media Artes, na Universidade da Beira Interior, na cidade de Covilhã, como bolsista da Fapema. “Aqui, também nada de tocar em objetos e higienizamos tudo antes que outra pessoa pegue. Eu tenho passado a maior parte do tempo trancado no meu quarto, estudando. Só saio para almoçar, pois é o único momento em que ficamos reunidos, mas mantendo distância”, relatou.

A cidade portuguesa de Ovar já decretou estado de calamidade pública, segundo informou o doutorando maranhense. É que o número de infectados naquela cidade aumentou bastante e as pessoas estão proibidas de sair não só de casa, mas da cidade. As fronteiras terrestres com a Espanha foram fechadas e só entram caminhões de abastecimento de supermercados e farmácias.

Nos Estados Unidos, a paralegal e estudante de Designer de Interiores Tennessee Bacelar, que mora há mais de 20 anos em Nova York, revela que os americanos estão respeitando todas as novas e rígidas regras de convívio social decretadas oficialmente pelo governo Donald Trump. “Aqui, as oito horas da noite, ninguém pode mais sair de casa. Está razoavelmente tranquilo, pois parece que tudo está sob controle e as pessoas ficam mesmo em casa, para evitar contágio. Assim como em outros países, fecharam todos os estabelecimentos comerciais e as ruas estão vazias”, contou.

Tennessee disse que está preocupada com a situação no Brasil. “Faço um apelo, principalmente aos meus conterrâneos do Maranhão, para que todos sigam as instruções do governo maranhense, uma vez que a situação é séria mesmo e não se pode brincar. Fazendo a prevenção, podemos nos livrar desse vírus. Estou torcendo para que ele não chegue aí e isso vai depender muitos da população”, apelou.

Grupo de maranhenses estava em viagem ao Marrocos

Viagem ao Marrocos

No Marrocos, ao norte da África, um grupo de brasileiros em viagem de turismo está tendo dificuldades para deixar o país. O grupo, liderado pela group leader Rosália Alvarenga, comunica-se via WhatsApp para tentar resolver o problema.

“Algumas já estavam em fim de viagem e isso complicou um pouco, por causa da falta de dinheiro. Nós tivemos que conseguir acomodações, o que também é difícil, pois até os hoteis estão fechando e não há nada de portas abertas. Há pessoas idosas no grupo e que usam medicação, mas está acabando. Ainda bem que nós recebemos a notícia de que o Itamaraty está negociando com o governo marroquino para tentar resolver o problema. Nosso desejo é chegar o mais rápido possível ao Brasil”, contou Rosália Alvarenga.

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