Cidades | Covid-19

Apesar de risco de coronavírus, ferry-boat e rodoviária têm movimento inalterado

No Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, muitos passageiros estão chegando e saindo se protegendo com máscaras descartáveis
Nelson Melo / O Estado18/03/2020
No aeroporto de São Luís, movimentação foi normal ontem

Segundo novo boletim de monitoramento da Secretaria de Estado da Saúde (SES), até o fechamento desta edição, 17 casos estavam sob suspeita de coronavírus no Maranhão, embora outros sete tenham sido descartados. Com a pandemia, a rotina foi alterada em vários setores, como nas escolas, repartições públicas e presídios. No entanto, o movimento no Terminal da Ponta da Espera e no Terminal Rodoviário de São Luís continua estável. No Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, muitos passageiros estão chegando e saindo se protegendo com máscaras descartáveis.

Como verificou O Estado no Terminal da Ponta da Espera, com Glauco Vaz, gerente de Terminais Externos da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), apesar de o coronavírus ter levado os órgãos públicos a tomarem medidas de prevenção, o movimento continua inalterado no local. De acordo com ele, no último dia 9 de março, passaram pelo terminal 2.138 passageiros, que saíram em direção ao Terminal do Cujupe, em Alcântara, na Baixada Maranhense.

No mesmo dia, saíram do Terminal da Ponta da Espera 440 veículos nos ferry-boats. Na direção contrária, ou seja, saindo do Terminal do Cujupe, 2.469 pessoas passaram pelo local, assim como 385 veículos. Mais recentemente, na segunda-feira, 16, ainda de acordo com o gerente de Terminais Externos da Empresa Maranhense de Administração Portuária, foi registrado um movimento de 2.406 passageiros no Terminal da Ponta da Espera, bem como 461 veículos.

No mesmo dia, 2.428 pessoas saíram do Terminal do Cujupe, assim como 446 veículos, segundo Glauco Vaz. Ou seja, o movimento não se alterou, mesmo com o avanço do Covid-19 no Brasil, embora no Maranhão ainda não tenha casos confirmados. Porém, os funcionários que trabalham nos dois terminais estão utilizando máscaras cirúrgicas e passando álcool em gel constantemente, para evitar o contágio.

De igual modo, os passageiros também estão se precavendo. Alguns foram flagrados por O Estado usando máscaras descartáveis em suas viagens nos ferry-boats.

Funcionários do Terminal de ferry-boats usavam máscaras, ontem

Aeroporto e rodoviária
No Terminal Rodoviário de São Luís, o fluxo de pessoas também continua inalterado. Nos guichês, a demanda ainda é grande pelas viagens em direção ao interior maranhense ou fora do Maranhão, como em Teresina, no Piauí. Em vários pontos da rodoviária, há álcool em gel fixados nas paredes, para que os funcionários e passageiros possam utilizá-lo, com o intuito de se prevenir do coronavírus, que já matou uma pessoa no Brasil, fato ocorrido no estado de São Paulo.

A professora Dayane Araújo Lima, que estava na rodoviária aguardando o ônibus para ir ao município de Rosário, disse que está tomando todas as precauções sugeridas pelo Ministério da Saúde, como lavar corretamente as mãos. “É uma preocupação, de verdade. Todos nós precisamos saber que isso é uma doença mundial. Ninguém está isento de contrair. Por isso que já levo meu álcool em gel na bolsa, porque utilizo o transporte público com frequência”, declarou a docente.

Em alguns trechos do Terminal Rodoviário, pessoas com máscaras descartáveis foram vistas. A mesma situação foi verificada no Aeroporto de São Luís, onde o número de passageiros com proteção no rosto era maior. O casal Joed Pereira e Rosário Pereira, por exemplo, tem o pensamento de que o material é necessário nesse cenário de pandemia, ainda mais porque o vírus tem acesso ao corpo humano por meio de gotículas, a partir das mucosas, como os lábios, narinas e olhos.

“Nós passamos cinco dias em Fortaleza, no Ceará. Estamos voltando agora. Então, como o vírus circula, podendo ficar em superfícies, como corrimão, poltronas e celulares, é muito importante essa proteção”, disse Joed Pereira, que estava com a filha, de 4 anos.

Na rodoviária, movimentação era intensa

Aulas em Autoescolas
Também por causa do Covid-19, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MA) regulou o funcionamento e atividades durante o período de pandemia do coronavírus. Foram suspensas, preventivamente, as aulas presenciais teóricas em autoescolas e bancas móveis de exames práticos. A Portaria nº 362 regulamenta o funcionamento do órgão, enquanto vigorar o surto da doença. O documento determina, dentre outras medidas, como devem proceder as autoescolas e clínicas credenciadas, além de estabelecer procedimentos específicos para serviços oferecidos.

O documento reforça as determinações do Decreto nº 35.662 do Governo do Estado, publicado na segunda-feira, 16, que suspende, por 15 dias, as aulas em todas as unidades da rede pública e privada de ensino, estendendo essas determinações às aulas presenciais promovidas por esses estabelecimentos no Maranhão. Foram suspensas as aulas teóricas presenciais e aplicação de exames teóricos-técnicos (ETT) em todo o estado.

As aulas práticas só poderão ser realizadas se forem observadas prevenções sanitárias recomendadas pelas autoridades de saúde. Ficam suspensos os exames práticos de direção veicular que envolvam viagens dos componentes da banca examinadora para sua realização, mais ficam mantidos os exames nos quais haja banca fixa, com acontece em São Luís e Imperatriz.

Clínicas veterinárias
Outra área afetada pela pandemia do coronavírus, apesar de nenhuma evidência significativa de que animais de estimação possam ficar doentes ou transmitir a doença, é a Medicina Veterinária. A recomendação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) é que as pessoas infectadas evitem o contato com seus cães e gatos. A entidade pede que, por cautela, os tutores atingidos pelo vírus também façam quarentena de convivência com os seus pets.

Até segunda ordem, segundo o CFMV, estão autorizados pelos governos estaduais a manutenção do atendimento normal em clínicas e hospitais veterinários. Isso pode variar de região para outra do Brasil, mas os profissionais devem sempre observar e respeitar as restrições determinadas pelas autoridades do Poder Público. O Conselho estimula que o atendimento seja feito com a presença de apenas um único tutor, evitando aglomeração de pessoas nas clínicas e pet shops.

Além disso, recomenda-se que os tutores evitem visitar os animais internados. Também sugere que serviços que não são de urgência e emergência sejam reprogramados, afastando uma exposição desnecessária nesse momento crítico de propagação do novo coronavírus. O atendimento a distância continua proibido, conforme determina o Código de Ética do médico veterinário. Além disso, a consulta clínica deve ser presencial, seja no consultório ou em domicílio, mas, sempre que possível, de forma restrita, individualizada, reduzindo aglomerações.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária também recomenda que os profissionais sejam mais severos com a higienização dos ambientes, limpando o recinto a cada atendimento. O ideal é limpar principalmente o mobiliário e os utensílios que tiveram contato direto com o animal ou com o tutor, como mesas, bancadas, instrumentos, cadeiras e tudo que foi utilizado durante o atendimento dos pacientes. As recepções também devem intensificar o asseio.

O médico-veterinário e tesoureiro do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Wanderson Ferreira, pós-graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, explicou que, por enquanto, não há comprovação científica de que os animais transmitam para o homem e, até hoje, o entendimento é de que os bichos não são suscetíveis ao novo coronavírus.

“Existe um tipo de coronavírus que atinge o trato gastrointestinal de cães, podendo desencadear um processo de diarreia e vômito. Mas o homem é resistente a ele e não tem nada a ver com o Covid-19, que ataca as vias respiratórias”, esclareceu.

SAIBA MAIS

CASOS NO MARANHÃO

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) comunicou, em nota que, desde o início do monitoramento, notificou 57 casos de possível infecção por COVID-19 (38 mulheres e 19 homens). Desses, 32 casos suspeitos (30 em São Luís, 1 em Imperatriz e 1 em Caxias) são acompanhados por equipes do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), 20 foram descartados por diagnóstico laboratorial. Cinco foram excluídos após a investigação apontar que não atendiam os critérios de definição de caso suspeito de COVID-19. Até o momento, não há casos confirmados.
Quando analisados os casos notificados de COVID-19, a razão de sexos aponta 38 (66,7%) casos em mulheres e 19 (33,3%) casos em homens. O Centro de Testagem do Maranhão, localizado na Policlínica Diamante, está recebendo casos suspeitos de Covid-19 para a coleta de material para a realização dos exames laboratoriais e orientações sobre as medidas que devem ser tomadas até o resultado do exame. O Centro de Testagem funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 18h.

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