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Nove casos de H1N1, e uma morte, registrados no Maranhão este ano

Por causa da incidência do Influenza A, campanha nacional de vacinação, prevista para abril, foi antecipada para o fim deste mês
Nelson Melo / O Estado03/03/2020
Nove casos de H1N1, e uma morte, registrados no Maranhão este anoVacinação contra Influenza A será antecipada para o dia 28 de março (Divulgação)

O mundo está em pânico por causa do surto de coronavírus, também conhecido como Covid-19, que, somente na China, onde tudo começou, tem 79.251 situações confirmadas. No Maranhão, o medo das pessoas não é diferente do resto do planeta. Porém, nesse contexto similar a uma pandemia, a doença que está preocupando é o H1N1 (Influenza A), causada por uma mutação do vírus da gripe. Somente em 2020 ocorreram nove casos no território maranhense, com registro de uma morte, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Em entrevista à imprensa, realizada no Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão (Lacen/MA), em São Luís, o secretário Carlos Eduardo de Oliveira Lula, titular da SES, discorreu sobre esses casos do Influenza A no estado, que no momento preocupam bem mais que o coronavírus. Por este motivo, é importante que as pessoas tomem cuidados com relação ao H1N1. As recomendações com relação à higiene são similares às de prevenção ao coronavírus, como lavar as mãos várias vezes ao dia e utilizar o álcool em gel.

Vacina antecipada
Devido à alta incidência de Influenza A no Brasil e ao perigo de avanço do coronavírus, a campanha de vacinação, que estava prevista para ocorrer no fim de abril, foi antecipada para o final de março. A imunização estará disponível em todos os postos de saúde do Maranhão, como foi informado na entrevista. A preocupação maior é com relação aos grupos vulneráveis, que inclui povos indígenas, idosos (a partir dos 60 anos), pessoas portadores de doenças crônicas, gestantes, crianças de 6 meses a 6 anos e puérperas (mulheres de até 45 dias após o parto).

Mas alguns pontos sobre a vacina contra o H1N1 merecem destaque, pois o efeito protetor demora de duas a três semanas para começar. Além disso, existem dois tipos de vacina disponíveis: a trivalente, que protege contra dois vírus da Influenza A e um vírus da influenza B, disponível na rede pública de saúde; e a tetravalente, que protege contra dois vírus da influenza A e dois da B, disponível em clínicas particulares.

O Ministério da Saúde frisou que a campanha terá início no dia 28 de março, com o grupo de crianças, gestantes e puérperas, totalizando 18 milhões de doses. Na sequência, serão os idosos. Depois, os demais grupos, incluindo forças de segurança e profissionais da saúde.

Coronavírus no Maranhão
No Maranhão, apenas um caso de coronavírus está sob investigação, ou seja, não foi classificado como confirmado. A paciente estava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bacanga, na capital maranhense, e continua sendo monitorada, embora esteja em isolamento domiciliar, diante da possibilidade de infecção por coronavírus. Trata-se de uma jovem de 22 anos, que voltou de viagem do Japão. O material coletado para amostra foi enviado ao Instituto Adolfo Lutz (IAL), em São Paulo, para a produção da contraprova. Outro caso, de uma mulher de 49 anos, que também estava com suspeita da doença, já foi descartado pela Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo o secretário Lula Fylho, titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), a pessoa com suspeita de coronavírus que estava na UPA do Bacanga não está com sintomas graves. De acordo com ele, o material está sob análise no Instituto Adolfo Lutz, considerado um dos laboratórios de referência no Brasil, com pesquisa avançada sobre a doença. O local contém um protocolo para coleta, conservação e transporte de amostras biológicas.

Convém ressaltar que o material da paciente, que está em isolamento domiciliar, foi coletado pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão. Ela tem histórico de viagem para Tóquio e Wakayama, no Japão. Esse isolamento, que é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorre porque, após ser avaliado pela equipe de saúde e se não houver necessidade de internação hospitalar, o paciente deve permanecer em casa, enquanto estiver com sintomas da doença.

Enquanto estiver nesse isolamento domiciliar, a pessoa deve tomar alguns cuidados, como não compartilhar alimentos, copos, talheres, chimarrão, toalhas e objetos de uso pessoal; lavar as mãos várias vezes ao dia com sabonete e água, ou usar álcool gel, principalmente depois de tossir ou espirrar; e na ausência da máscara, proteger a boca e o nariz ao tossir ou espirrar com lenços descartáveis (ex: papel higiênico, papel toalha, guardanapo ou lenço de papel).

Outros cuidados são ficar em quarto sozinho (se possível) e mantê-lo ventilado e sair de casa apenas em situações emergenciais. Ao sair da residência, sempre colocar máscara cirúrgica. Se houver piora dos sintomas, o Ministério da Saúde recomenda que a pessoa procure imediatamente um hospital de referência.

Caso descartado
No fim de semana, a Secretaria de Estado de Saúde descartou um dos casos suspeitos de coronavírus no Maranhão. A paciente é uma mulher de 49 anos, que estava na Unidade de Pronto Atendimento do Vinhais, em São Luís, com histórico de viagem para a Itália, mas foi diagnosticada com Influenza A. Ela apresentava sintomas similares aos do Covid-19, sendo os mais comuns a tosse seca, febre e cansaço, segundo a Organização Mundial de Saúde.

De acordo com a SES, a paciente que estava na UPA do Vinhais foi transferida para o Hospital Doutor Carlos Macieira, mas o diagnóstico já foi confirmado para H1N1.

Plano de Contingência
Devido ao surto do coronavírus no mundo, com dois casos confirmados no Brasil, foi criado, pelo Ministério da Saúde, o Plano de Contingência, que está sendo adotado por todas as unidades federativas do País. O objetivo é ajudar na prevenção e no controle do Covid-19. Na capital maranhense, as Unidades de Pronto Atendimento e os hospitais Doutor Carlos Macieira e Presidente Vargas (HPV) serão destinados para receber os pacientes com suspeita da doença.

O secretário Carlos Lula disse que não há razões para se preocupar, mas que as pessoas mantivessem as ações preventivas básicas, como lavar as mãos e usar álcool em gel, procedimentos que são úteis, também para evitar o avanço do H1N1. De acordo com ele, o coronavírus atinge, sobretudo, os idosos e pessoas que já possuem algum tipo de doença respiratória ou com baixa imunidade.

Segundo caso confirmado
No Brasil, foi confirmado, no último fim de semana, o segundo caso do coronavírus. O paciente, de acordo com o Ministério da Saúde, também vive em São Paulo, como na primeira situação da doença no país. O homem, que tem 32 anos, esteve na Itália, onde, possivelmente, aconteceu a contaminação. O órgão informou que, por outro lado, não há evidências da circulação do Covid-19 em território nacional.

David Uip, coordenador do Comitê de Contingenciamento em São Paulo, comunicou que o paciente usou máscara durante o voo da Itália até o Brasil e não teve contato com outros passageiros no avião. O homem, que chegou de Milão na última quinta-feira, 27, foi diagnosticado no Hospital Albert Einstein. Não foi necessária uma contraprova no Instituto Adolfo Lutz, uma vez que os dois laboratórios utilizam a mesma metodologia.

SOBRE O H1N1

O H1N1 consiste em uma doença causada por uma mutação do vírus da gripe. Também conhecida como gripe Influenza tipo A ou gripe suína, ela se tornou conhecida quando afetou grande parte da população mundial entre 2009 e 2010. Os sintomas são bem parecidos com os da gripe comum. A transmissão também ocorre da mesma forma, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O problema da gripe H1N1 é que pode levar a complicações de saúde muito graves, podendo ser fatal. O vírus vive por duas a oito horas em superfícies. Lavar as mãos com frequência ajuda a reduzir as chances de contaminação. Acredita-se que o Influenza A possa ser transmitido da mesma maneira pela qual se transmite a gripe comum. Eles se disseminam de pessoa para pessoa, especialmente por meio de tosse ou espirros das pessoas infectadas.

SINTOMAS DO H1N1

febre alta;
dor de cabeça intensa;
dores nos músculos;
dores nas articulações;
calafrios;
tosse;
falta de apetite;
vômito e diarreia (em alguns casos);
falta de ar e desconforto respiratório.
Por sua evolução repentina e acelerada, se não tratada adequadamente a gripe H1N1 pode causar complicações graves, como pneumonia, angústia respiratória e, em casos ainda mais graves, a morte.

SOBRE O CORONAVÍRUS

Coronavírus é o nome de uma família de vírus que têm formato de coroa. Eles causam infecções respiratórias e já provocaram outras doenças. A doença é conhecida desde 1960. Outras enfermidades provocadas por este tipo de vírus são a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers). Além deles, há o Alpha coronavírus 229E e NL63, e o Beta coronavírus OC43 e HKU1. A doença causada pelo novo coronavírus recebeu o nome de Covid-19. Ele foi descoberto no final de dezembro de 2019, na China. A primeira morte foi registrada no dia 9 de janeiro deste ano.

COMO O CORONAVÍRUS É TRANSMITIDO?

As investigações sobre as formas de transmissão do coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por gotículas respiratórias ou contato, está ocorrendo. Qualquer pessoa que tenha contato próximo (cerca de 1m) com alguém com sintomas respiratórios está em risco de ser exposta à infecção.
É importante observar que a disseminação de pessoa para pessoa pode ocorrer de forma continuada.
Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.
Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:
gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe.
O período médio de incubação por coronavírus é de 5 dias, com intervalos que chegam a 12 dias, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

NÚMEROS

9 casos de Influenza A registrados em território maranhense este ano
1 morte causada por Influenza A no estado este ano
1 caso suspeito de corona vírus na UPA do Bacanga; paciente está em isolamento domiciliar
1 caso descartado de corona vírus na UPA do Vinhais; paciente está com Influenza A
2 casos confirmados de corona vírus no Brasil, em São Paulo

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