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Novo relatório mostra que praias continuam impróprias para banho

É o segundo relatório consecutivo da Sema que mostra a condição imprópria de todas as praias analisadas na região metropolitana de São Luís; período chuvoso corrobora com poluição da água
Nelson Melo / O Estado08/02/2020
Novo relatório mostra que praias continuam impróprias para banhoApós verificação laboratorial, os técnicos concluíram que todas estão impróprias para banho (De Jesus / O ESTADO)

A situação das principais praias da Região Metropolitana de São Luís continua em estado de contaminação, devido à presença de coliformes fecais. As condições de balneabilidade foram reprovadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema). O mais atual relatório foi divulgado recentemente e mostra que a maior parte do trecho da orla marítima da Grande Ilha está imprópria. Já é a segunda vez consecutiva que isso acontece.
Segundo indicado pelo Laboratório de Análises Ambientais (LAA) da Sema, o laudo se refere à ação de monitoramento realizada no período de 6 de janeiro a 3 de fevereiro deste ano. Foram analisadas amostras de 21 pontos distribuídos nas praias da Ponta d’Areia, São Marcos, Calhau, Olho d’Água, Praia do Meio e Araçagi. Após verificação laboratorial, os técnicos concluíram que todas estão completamente impróprias para banho.
No relatório anterior, referente ao período de 30 de dezembro de 2019 a 27 de janeiro deste ano, também ficou evidenciada a contaminação das mesmas praias. Esse monitoramento, como a Sema frisou, obedece aos padrões fixados na Resolução Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de nº 274/00. Cabe ressaltar que quando uma praia é considerada imprópria para banhos, significa que, temporariamente, possui um nível elevado de bactérias fecais, que estão presentes em fezes humanas e de animais, assim como também em solos, plantas ou quaisquer efluentes contendo matéria orgânica.
Semanalmente, isso é verificado pelas secretarias do Meio Ambiente de cada estado brasileiro. Os valores não podem ser superiores a 100 enterococus, que é um gênero de bactéria, por 100 mililitros. O Conama define que as águas doces, salobras e salinas destinadas à balneabilidade (recreação de contato primário) terão sua condição avaliada nas categorias própria e imprópria. As consideradas próprias poderão ser subdivididas em várias categorias, como a “Excelente”, que ocorre quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas, em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 250 coliformes fecais.

Influências das chuvas
A Sema destacou que a ocorrência de chuvas influencia negativamente na qualidade das águas das praias, considerando que acontece maior carreamento de matéria orgânica oriunda da lavagem das vias públicas para os rios e, consequentemente, para os mares. “Portanto, na ocorrência de chuvas, recomenda-se evitar a recreação nas 24h que as sucederem”, salientou a secretaria.
No início do mês passado, O Estado publicou uma reportagen sobre o lançamento de resíduos, que são arrastados em direção ao mar durante as chuvas. Na Praia do Caolho, a situação estava mais grave. Os comerciantes disseram que os próprios pedestres jogam o lixo no chão, sobretudo durante as festas nas proximidades. A sujeira estava cobrindo a faixa de areia.
Nas proximidades de onde estão ocorrendo as obras para implantação do sistema de tráfego do Transporte Rápido por Ônibus (BRT), ao lado da reestruturação da Avenida Litorânea, uma fileira de lixo se estendia pelo local, tornando a paisagem poluída por conta dos resíduos que estavam espalhados. Na areia, havia papelão, isopor, litros de refrigerante, garrafas de cerveja, camisinhas, pedaços de roupas, copos plásticos, cocos, restos de comida, galhos de árvores e frascos de energéticos.
Tudo isso estava misturado às pedras que já existem na praia. De acordo com pessoas que trabalham na região, o lixo é oriundo do Rio Pimenta, cujo curso d’água estava cinza devido à sujeira. O problema também foi notado na Praia do Olho d’Água, onde o lixo foi arrastado pela força da chuva.

Balneabilidade e contaminação
Balneabilidade é o termo designado para a qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário, funcionando como um instrumento de verificação de critério de uso e de controle de qualidade das praias. Alguns fatores interferem nas condições dos mares, como fisiografia da praia, ocorrência de chuvas e condições de maré, a descarga dos rios, do emissário submarino e de moradias sem tratamento de esgoto, segundo Matheus Sousa Ruiz, bacharel em Engenharia Civil pela Universidade Santa Cecília (SP).
O pesquisador esclarece que a balneabilidade das praias pode ser prejudicada ainda por um eventual vazamento de óleo ou por floração de microalgas potencialmente nocivas. A água pode ser afetada por bactérias do tipo enterococcus, que possuem alta resistência à salinidade, o que se caracteriza como o principal indicador de contaminação fecal em águas salobras. l

Trechos impróprios

Praia da Ponta d’Areia
Ao lado do Espigão
Atrás do Hotel Praia Mar
Em frente ao Bar do Dodô
Em frente à Praça de Apoio ao Banhista
Em frente ao Edifício Herbene Regadas
Em frente ao Hotel Brisa Mar

Praia de São Marcos
Em frente aos do Chef e Desfrute
Em frente à Barraca da Marcela
Em frente ao Agrupamento Batalhão do Mar
Em frente ao IPEM e ao Bar Kalamazoo
Foz do Rio Calhau

Praia do Calhau
À direita da elevatória II da Caema
Em frente a Pousada Vela Mar
Em frente ao Bar Malibu

Praia do Olho d’Água
À direita da elevatória Pimenta I
À direita da elevatória Iemanjá II

Praia do Meio
Em frente ao Bar do Capiau
Em frente ao Bar da Prata

Praia do Araçagi
Em frente ao Fátima’s Bar
Em frente ao Bar e Restaurante Atalaia
Em frente ao Bar do Isaac

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