Cidades | Sujeira

Início do período chuvoso arrasta lixo para as praias

Segundo quem trabalha na orla, a sujeira é jogada pelas pessoas que transitam por ali e banhistas; na Praia do Caolho, a situação mostrou-se grave, com o rastro de dejetos
Nelson Melo / O Estado08/01/2020
Rastro de lixo segue pela areia da Praia do Caolho, em São Luís

Após uma estação seca, no Maranhão, que favoreceu as queimadas, o período chuvoso teve início, e vai se estender até junho, conforme o Laboratório de Meteorologia (Labmet), do Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Com as chuvas que estão atingindo o estado este mês, as praias da Região Metropolitana de São Luís estão repletas de lixo. Os resíduos são arrastados dos rios em direção à faixa de areia. Na Praia do Caolho, a situação estava mais grave, com um rastro de sujeira na areia. De acordo com comerciantes que trabalham no local, pedestres jogam a sujeira no chão.

O Estado percorreu algumas praias da Grande Ilha para verificar a situação. A sujeira estava cobrindo a faixa de areia na Praia do Caolho, nas proximidades de onde estão ocorrendo as obras para implantação do sistema de tráfego do Transporte Rápido por Ônibus (BRT), ao lado da reestruturação da Avenida Litorânea. Uma fileira de lixo se estendia pelo local, tornando a paisagem poluída pelos resíduos que estavam espalhados.

Na areia, havia papelão, isopor, litros de refrigerante, garrafas de cerveja, preservativos, pedaços de roupas, copos plásticos, cocos, restos de comida, galhos de árvores e frascos de energéticos. Tudo isso estava misturado às pedras que já existem na praia. De acordo com pessoas que trabalham na região, o lixo é oriundo do Rio Pimenta, cujo curso d’água estava cinza devido a sujeira.

“Esse problema sempre acontece com o início da chuva. Eu trabalho aqui há mais de 10 anos. Sempre entre janeiro, fevereiro, março e abril, a areia fica repleta de lixo. À noite, tem gente que até escorrega em cima desse entulho”, disse Carlos Renato, que vende coco na Praia do Caolho. Segundo ele, a sujeira acumulada nas comemorações do Réveillon agravou a situação, porque foi jogada diretamente no Rio Pimenta.

Situação semelhante também foi notado na Praia do Olho d’Água, onde o lixo foi arrastado pela força da chuva. O vendedor de picolés Batista disse que evita até passar pelo trecho poluído, porque as vendas despencam. “Eu vendo pouco aqui quando fica desse jeito. Por isso, passo em outros locais”, comentou.

No mar, em frente ao local onde o lixo estava espalhado, pessoas tomavam banho, tranquilamente, apesar de fragmentos de resíduos também serem levados pela chuva até a água.

Pedestres revoltados
Para quem usa o calçadão para fazer caminhadas e outras atividades físicas, o lixo espalhado na praia não pode ser atribuído à chuva. “É o mesmo que culpar o revólver pela morte de uma pessoa. Quem atirou é culpado. Então, se o problema da sujeira está acontecendo, significa que o ser humano tem de ter consciência ambiental, o que está em falta no Brasil”, desabafou Glenda Maria, de 19 anos, que está no 5º período de Engenharia Civil.

De igual modo, o professor aposentado João Damasceno, de 72 anos, disse que faz caminhadas na Litorânea quase todos os dias. Quando se depara com lixo acumulado na faixa de areia, tenta entrar em contato com as autoridades competentes para a limpeza imediata do trecho poluído. “Eu ligo toda vez. Se eu não fizer minha parte, quem vai fazer? Eu me incomodo com isso. Eu tenho direito a uma paisagem limpa. É algo que passei para os meus filhos”, declarou.

Praias impróprias
O novo relatório da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) acerca das condições de balneabilidade, que foi divulgado no dia 2 de janeiro, mostra que três dentre as principais praias de São Luís estão impróprias para banho em todos os trechos analisados pelo Laboratório de Análises Ambientais (LAA). As praias da Ponta d’Areia, Calhau e do Olho d’Água estão contaminadas em todos os trechos.

O laudo da Sema se refere à ação de monitoramento realizada no período de 5 de a 30 de dezembro de 2018. Foram coletadas e analisadas amostras de 21 pontos distribuídos nas praias da Ponta d’Areia, São Marcos, Calhau, Olho d’Água, Praia do Meio e Araçagi. Após verificação laboratorial, os técnicos concluíram que três estão completamente impróprias para banho.

Na Praia de São Marcos, apenas dois trechos foram liberados para banho. Nas praias da Ponta d’Areia, Calhau e Olho d’Água, todos os pontos estão impróprios. As placas de sinalização foram colocadas na areia, para alertar a população sobre os locais que estão ou não liberados para banhos.

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NEBLINA

Ainda como resultado das chuvas e início do período chuvoso, nesta terça-feira, 7, a Região Metropolitana de São Luís amanheceu sob forte neblina, o que dificultou a visibilidade dos motoristas em vários pontos da ilha. Nas redes sociais, moradores registraram o fenômeno de vários locais, como Vila Luizão, Filipinho, Angelim, Cohab-Anil, Cidade Olímpica, Renascença, Raposa, São José de Ribamar, Camboa e Anjo da Guarda. Por conta da situação, houve problemas no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado, na capital. Dois voos sofreram problemas. Um deles vindo de Imperatriz e teve sua chegada a São Luís atrasada. Outro avião que decolou do Rio de Janeiro teve que ser desviado para Belém, no Pará, devido à neblina, caracterizada pela formação de nuvens em proximidade com o solo, por intermédio da condensação da água presente na atmosfera em forma de umidade. Uma viagem que iria até Recife, em Pernambuco, foi cancelada.

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