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Máquina de Descascar'Alho faz a festa no primeiro dia do ano, na Madre Deus

Tradicional cortejo do bloco nas ruas do bairro teve muita animação, com a presença do bloco Fuzileiros da Fuzarca
02/01/2020

São Luís - Já é tradição no bairro Madre Deus. Há 34 anos, a Máquina de Descascar’Alho promove o grito carnavalesco que inicia a temporada da Folia Momesca na capital. Com muita animação, o grupo, este ano, trouxe novidades e incrementou a festança com a presença do bloco Fuzileiros da Fuzarca. Foliões de todos os cantos da Ilha acompanharam a festa que ocorreu no fim da tarde e se prolongou até a noite de ontem, pelas ruas do bairro e também na praça Estação da Máquina (Morro do Querosene – Largo do Caroçudo).

Muitas pessoas compareceram à festa já caracterizados com acessórios carnavalescos e portando espuminhas e amido de milho, tudo para dar o clima da folia e acompanhar o tradicional cortejo puxado pela Máquina, acompanhada pelo bloco de samba Fuzileiros da Fuzarca, também sediado na Madre Deus. O cortejo começou com os dois blocos saindo de suas sedes e, ao se encontrarem, seguiram um atrás do outro até o Largo do Caroçudo. No local ocorreu a primeira edição do ano do projeto Tribuna do Samba, comandado pela Máquina de Descascar’Alho.

Os turistas de Manaus (AM), foram conhecer o pré-Carnaval de São Luís de perto. “Fizemos um passeio muito bom pelo Centro Histórico da cidade e também fomos à praia. Para finalizar, viemos conhecer esta festa aqui na Madre Deus”, contou a fisioterapeuta Vanessa Silva, que veio a São Luís para as festas de fim de ano. Com ela estava o estudante de Administração Neilson Medeiros. “Estamos adorando a cidade e esta festa de Carnaval no primeiro dia do ano é muito legal”, observou.

O professor Miguel Trindade contou que todos os anos participa do arrastão da Máquina de Descascar’Alho. “Para mim é a melhor forma de começar o ano. Não marco nenhum outro compromisso no dia 1º porque sei que a folia na Madre Deus será muito boa e nunca me decepciono”, contou, animado, o professor.

Acompanhada por um grupo de amigas, Camila Aranha Ferreira participou pela primeira vez da festa. “Nunca tinha vindo, mas estou adorando. É incrível esta energia. Adoro Carnaval mas passei alguns anos em brincar. Este ano quero aproveitar todos os momentos da festa”, destacou a jovem.

O vocalista, músico e fundador da Máquina de Descascar’Alho, Silvério Júnior, o Boscotô, ressaltou a tradição do grupo. “Há 34 anos fazemos esta festa aqui na Madre Deus. As pessoas já esperam este grito de Carnaval que realizamos de maneira espontânea, muitas vezes com recursos próprios, fazendo a alegria dos moradores da Madre Deus e de São Luís”, destacou, ressaltando que este ano a Máquina vai sair outros dias também em janeiro e em fevereiro.

Segundo Boscotô, a festa reuniu cerca de 15 mil pessoas. “É muita gente, mas infelizmente ainda sentimos a falta de apoio do poder público inclusive no que se refere à infraestrutura como a colocação de banheiros químicos e o disciplinamento do trânsito”, apontou.

Os grupos
A Máquina de Descascar’Alho é um grupo nascido no coração da Madre Deus, em 1º de janeiro de 1986. O grupo foi idealizado por jovens artistas aglutinando milhares de adeptos à brincadeira. Tem no gênero as marchas de Carnaval, samba, blocos, tambores e afoxés a base de seu repertório, desde interpretação de obras de reconhecidos artistas da esfera nacional a composições próprias e a valorização e resgate de composições maranhenses da velha guarda que moravam ou costumavam frequentar o bairro.

O grupo se consolidou ao longo dos anos, participando de inúmeros festivais e shows na cidade, no circuito Centro e periferia da Ilha, como forma de estabelecer sua expressiva veia musical a fim de alcançar o reconhecimento do público em geral.

Já o Fuzileiros da Fuzarca é o mais antigo e tradicional bloco carnavalesco do Maranhão e o segundo do Brasil, fundado em 11 de fevereiro de 1936. Tradicionalmente, no primeiro dia do ano, acompanha a Máquina de Descascar’alho como forma também de reforçar o primeiro ensaio do grupo. O bloco, em sua maioria, é composto de pessoas da terceira idade, mas atrai jovens e crianças. De olho no futuro e na manutenção da tradição, o grupo desenvolve o projeto Fuzileiros do Amanhã.

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