PH | COLUNA SOCIAL

Pergentino Holanda

16/12/2019

Morreu um ícone
Fim de semana com um sabor amargo na boca e uma nuvem escura querendo cobrir as lembranças. Morreu a atriz Anna Karina, ícone da Nouvelle Vague francesa.
Alguém conseguirá me dizer quem foi Anna Karina, atriz, modelo, breve e para sempre mulher de Godard, cantora episódica?
Haverão de fazer as contas, sim, dizer os anos que tinha agora que morreu (não me lixem, terá para sempre entre 22 e 25 anos), que era dinamarquesa, que chegou a Paris no final dos anos 1950, que foi Chanel quem lhe adaptou o nome para este que dela teremos, que foi para sempre a alma de Jean-Luc-Godard, sim.
Só que há um segredo: Anna Karina fomos todos nós, homens e mulheres que, pelos 20 anos e antes das chinesices, também andávamos pelas praias e alamedas a perguntar o que havíamos de fazer e a dizer que não prometíamos o amor para sempre (mas acrescentando, terna e ironicamente, “oh, meu amor” e em francês, “oh, mon amour”).
Sim, Anna Karina fomos nós e foi provavelmente esse o seu mistério, o de nos sugar a vida e os sonhos.
Maravilhosa. Queríamos estar com ela pelo Sul da França, praias vazias, descapotável vermelho pelas falésias, noite alta por Pigalle iluminada por neons e jukebox, viadutos da periferia de Paris, dançar com ela em Barbès, todos nós fomos ela, correndo desabridos pelo Louvre, olhando a Falconetti-Joana d'Arc, todos a amamos e fomos felizes, alegres também, mesmo quando lhe víamos às lágrimas ou ela morria de um tiro numa rua, entre automóveis, como a Magnani.
Foi uma atriz? Ou foi (“apenas”) uma modelo?
Eu diria que, como Jacqueline foi para Picasso, ou Nush para Éluard, esta atriz por acaso foi a luz do Verão, a luz da manhã, a brisa com que saímos da adolescência, o nosso primeiro e eterno amor, o amor feliz.

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