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Corbyn anuncia plano para aumentar impostos dos mais ricos, empresas e bancos

Manifesto ambicioso, que prevê grandes investimentos em programas sociais, busca reverter diferença de 13 pontos nas pesquisas em relação a conservadores
24/11/2019 às 07h00
Corbyn anuncia plano para aumentar   impostos dos mais ricos, empresas e bancos Líder trabalhista Jeremy Corbyn segura manifesto lançado na quinta-feira,21 (AFP)

LONDRES — O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, lançou na quinta-feira,21, seu manifesto para as eleições de 12 de dezembro, no qual defende o aumento dos impostos pagos pelos mais ricos, as grandes empresas e os bancos para financiar programas sociais e uma economia verde. O plano é uma tentativa de reverter a diferença de 13 pontos percentuais que separam os trabalhistas dos conservadores, liderados pelo premier Boris Johnson, nas intenções de voto.

O documento de 107 páginas representa uma guinada à esquerda no Partido Trabalhista e detalha os planos anunciados por Corbyn de acabar com a austeridade imposta por sucessivos governos desde a crise financeira de 2008. Ele inclui maiores impostos para as atividades da indústria do petróleo e um imposto sobre transações financeiras que, sozinhos, arrecadariam cerca de 8,8 bilhões de libras (cerca de R$ 48 bilhões) no ano fiscal de 2023.

O líder trabalhista disse ainda que aumentará o imposto de renda para aqueles que ganham mais de 80 mil libras por ano (R$ 435.101). Uma taxa adicional também será aplicada aos que ganham mais de 125 mil libras (R$ 679.846) por ano. O documento de 55 páginas estipula que, no seu conjunto, os novos impostos representarão um aumento de 83 bilhões de libras (cerca de R$ 452,5 bilhões) na arrecadação.

"Eu admito que a oposição e a hostilidade dos ricos e poderosos são inevitáveis", disse Corbyn, durante um evento na Universidade da Cidade de Birmingham. "Os bilionários e os super-ricos, os evasores de impostos, os maus patrões e os grandes poluidores são donos do Partido Conservador, mas não nos controlam. O povo é dono do Partido Trabalhista!.

Taxações às empresas

Tendo como alvo principal grandes corporações, o manifesto prevê também um aumento progressivo dos impostos corporativos de 19% para 26% — com isso, o governo deverá arrecadar cerca de 5,8 bilhões (aproximadamente R$ 31,5 bilhões) ao ano. O documento também acaba com um aumento recente das isenções fiscais sobre heranças e introduz impostos adicionais sobre imóveis que não são declarados como a residência principal da família.

A resposta empresarial ao manifesto foi rápida. Ao Financial Times, a Câmara de Comércio Britânica classificou o plano como uma “intervenção excessiva” e disse que um possível governo trabalhista teria que trabalhar “em parceria verdadeira” com as empresas para realizar as mudanças que deseja.

"Comando e controle não são o caminho. Intervenção excessiva na administração dos negócios e grandes aumentos tributários suprimiriam inovações e acabariam com o crescimento", disse Adam Marshall, diretor-geral da organização.

Pacotes sociais

Parte da arrecadação extra financiaria uma série de programas sociais também anunciados nesta quarta-feira, incluindo internet gratuita e a criação de um salário mínimo de 10 libras (R$ 54,39) por hora. O manifesto promete também aumentar em 5% o salário de todos os servidores públicos do país em 2020 e construir 100 mil moradias sociais e cerca de 50 mil casas populares por ano até 2024. O programa habitacional, sozinho, custaria cerca de 75 bilhões de libras (cerca de R$ 407,6 bilhões).

Corbyn prometeu também privatizar empresas que cuidam de ferrovias e da distribuição de água e energia para que “elas funcionem para o povo”, revertendo privatizações que remontam ao governo de Margaret Thatcher (1979-1990).

No que diz respeito ao divórcio da União Europeia, impasse que levou o país a antecipar em três anos as eleições gerais, o manifesto diz que "poria a decisão de volta nas mãos do povo", indicando que convocaria um novo referendo. O manifesto reconhece ainda a discordância interna sobre o que o fazer neste caso: os trabalhistas do País de Gales farão campanha pela permanência na UE, mas ainda não está claro qual será a posição do resto da sigla.

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