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Manchas de óleo: áreas de corais e recifes sob inspeção

Operações de mergulho aconteceram no Parque Estadual Parcel Manuel Luís
Nelson Melo / O Estado21/11/2019
Manchas de óleo: áreas de corais e recifes sob inspeçãoMergulhadores percorreram a região do parcel em busca de óleo (Divulgação)

Equipes da Capitania dos Portos do Maranhão (CPMA), do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMA) e outros órgãos realizaram diversos mergulhos no litoral maranhense nos últimos dias, com o objetivo de verificar a existência de óleo no fundo do mar. Além da parte submersa, as inspeções aconteceram na superfície da água. As incursões ocorreram no Parque Estadual Parcel Manuel Luís, vinculado à cidade de Cururupu/MA, em uma região considerada o maior conjunto de corais da América do Sul. O local é conhecido como “Triângulo das Bermudas Brasileiro”.


As inspeções foram feitas com o apoio de dois navios chamados de “Bacuri” e “Guanabara”, pertencentes ao Comando de Grupamento de Patrulha do Norte, unidade operativa vinculada ao Comando 4º Distrito Naval. De acordo com a Marinha do Brasil, as verificações foram realizadas na superfície da água e no fundo mar, para detectar possíveis manchas de óleo, que estão se espalhando pelo litoral nordestino, embora alguns trechos fiquem livres, momentaneamente, da substância devido à força da maré.

“A realização de atividades de mergulho nas proximidades do Parque Estadual Parcel Manuel Luís foi efetuada em três posições diferentes. Paralelamente, foi prestado o apoio necessário para a realização de mergulhos exploratórios nas localidades conhecidas como ‘Banco do Tarol’ e ‘Banco do Álvaro’. Durante a operação, os militares e agentes embarcados chegaram à conclusão da inexistência de indícios de manchas de óleo durante o período no qual foram realizadas as atividades”, frisou a Marinha em nota.

Conforme a Marinha, as ações integraram a operação “Amazônia Azul - Mar Limpo é Vida”, realizada em conjunto com o CBMMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria do Meio Ambiente do Maranhão (Sema) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Monitoramento
Em nota, a Sema confirmou que foram realizadas as operações de monitoramento e coleta de corais com o objetivo de verificar a presença de resíduos de petróleo, no litoral oeste do Estado, região do Parcel Manuel Luís. “Nos locais averiguados, não foram identificadas áreas impactadas. A região foi catalogada e amostras de corais foram colhidas para análise posterior”, disse o órgão do Governo do Estado.

A Sema frisou que, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar, reforça, frequentemente, o trabalho de monitoramento e recolhimento de resíduos. Segundo o órgão, as equipes continuam atuando em outras cidades maranhenses, como Tutoia e Paulinho Neves. “Por fim, esclarece que as equipes do Centro de Operações de Incidentes de Poluição por Óleo (COIP), coordenado pela Marinha e Ibama, foi criado e segue em atuação para dar maior agilidade no recolhimento da substância das praias do litoral maranhense”, destacou a Secretaria.

Pontos atingidos
Segundo o Ibama, 17 pontos do litoral maranhense estão afetados pela substância tóxica. Dentre esses trechos, 11 foram classificados como “não observado na última revisita”. Isto significa que, embora algumas áreas não contenham a mancha, podem sofrer novamente com o problema, pois o fluxo das marés leva e traz a substância, em um movimento contínuo. Comumente, as equipes da força-tarefa fazem a patrulha, que pode ser aérea ou marítima, e não encontra vestígios do material tóxico. Em ronda posterior, porém, o óleo pode ser localizado.

Outros seis pontos estão classificados como “oleada (vestígios/esparsos)”, que é uma categoria abaixo de “oleada (manchas)”, considerada a mais grave. Dentre as áreas afetadas pelo petróleo cru, há a Ilha Caçacueira, que fica no Arquipélago de Maiaú, na Reserva Extrativista de Cururupu, na Baixada Maranhense. Também há a Avenida Litorânea, em São Luís, e a Ilha dos Poldros, no Delta do Parnaíba, na divisa com o estado do Piauí.

Primeiras manchas
De acordo com o capitão de Mar e Guerra Marcio Ramalho Dutra e Mello, comandante da Capitania dos Portos do Maranhão, o primeiro caso no território maranhense ocorreu no dia 18 de setembro, quando a substância foi encontrada na Ilha dos Poldros, em Araioses. Ali, só foi recolhido cerca de 1kg do material, ou seja, pouca quantidade. Devido à presença das manchas de óleo no Delta do Rio Parnaíba, uma tartaruga marinha impregnada da substância morreu.

Já no dia 23 de setembro, ocorreu o segundo caso, na Praia de Itatinga, em Alcântara, onde uma tartaruga foi encontrada suja de óleo na faixa de areia. Um universitário achou o animal quando fazia uma caminhada. “Ali, já tínhamos uma ideia de que era o mesmo óleo que apareceu na Ilha de Poldros. Começamos a agir para coleta e recolhimento. A partir dali, surgiram novos pontos. O Ibama, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Corpo de Bombeiros se uniram aos esforços”, comentou o capitão Marcio.

SAIBA MAIS

PARCEL MANUEL LUÍS

Criado em junho de 1991, o Parque Estadual Marinho do Parcel Manuel Luís localiza-se a cerca de 100 milhas náuticas da capital maranhense, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Trata-se de uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à fauna e flora marinhas e aos recifes de corais da região. A área tem 45.937,9 hectares. O nome do parcel foi escolhido em homenagem ao pescador Manuel Luís, descobridor da formação rochosa, no final do século XIX.

Em 1991, foi transformada no primeiro Parque Estadual Marinho do Brasil, despertando permanente interesse de pesquisadores de sua fauna e flora. Devido à dificuldade de acesso, à distância da costa, a fortes correntes marítimas e, principalmente, por constituir o maior banco de corais da América do Sul, e um dos maiores do mundo, o Parcel Manuel Luís sempre representou ameaça à navegação. Tornou-se um dos maiores cemitérios de navios do mundo, com cerca de 200 embarcações naufragadas, entre caravelas e outros de casco de ferro, perdendo apenas para o Triângulo das Bermudas.

Dentre os muitos navios que ali naufragaram, destacam-se: o transatlântico “Henny Woerman”, da marinha alemã, que depois de capturado pela Marinha Brasileira, durante a 1ª Guerra Mundial, foi renomeado “Uberaba”; o petroleiro “Ana Cristina”, mais recente naufrágio, por isso melhor conservado; "Navio do Cobre", cuja carga, depois do naufrágio, foi roubada por saqueadores; “Vandyck”, transatlântico inglês que, ainda durante a 1ª Guerra Mundial, em 1914, transportava 200 passageiros que embarcaram em Buenos Aires com destino a Nova York, e foi naufragado por um navio alemão. Todos os passageiros foram salvos.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o conjunto de formações rochosas, com inúmeros labirintos submersos, mais os destroços das embarcações, acabou tornando-se abrigo para diversas espécies marinhas, como cações-lixa, barracudas prateadas, o raro nero (maior peixe de fundo da costa maranhense), os exóticos peixe-morcego e peixe-papagaio, o sargentino e o peixe-borboleta. O local é muito procurado por mergulhadores de várias partes do mundo.

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