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Apenas 28,2% de negros de 18 a 24 anos vão à escola no Maranhão

Dados do IBGE mostram que, na faixa etária de 18 a 24 anos, os pretos/ pardos têm mais vulnerabilidade para abandonar a escola no Maranhão
Nelson Melo / O Estado14/11/2019
Apenas 28,2% de negros de 18 a 24 anos vão à escola no MaranhãoOs levantamentos feitos pelos agentes de pesquisa do IBGE em 2018. (Divulgação)

A população negra se mostra em desvantagem em vários aspectos com relação aos brancos no Brasil, como aponta novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de levantamentos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e outras pesquisas. No Maranhão, além de estarem mais vulneráveis à situação de extrema pobreza, os pretos/pardos também estão mais propensos à evasão escolar, pois apenas 28,2% estão matriculados em alguma instituição de ensino.

Os levantamentos feitos pelos agentes de pesquisa do IBGE demonstraram que, em 2018, os brancos que estavam frequentando escola, na faixa etária de 18 a 24 anos, representaram um percentual de 31,8% no Maranhão, de um total de 28,7% dos entrevistados. Já os pretos/pardos ficaram em 28,2%. Na capital, essa porcentagem ficou em 42,7% e 37,9%, respectivamente, para brancos e negros, de um total de 38,4%.

Segundo José Reinaldo Barros, tecnologista de Informações do IBGE, embora tenha ocorrido uma universalização do acesso ao Ensino Fundamental, abrangendo as cores/raças das pesquisas feitas de 2012 e 2018, a educação ainda contém desproporcionalidades conforme vai avançando o nível de escolaridade e a idade dos maranhenses. Por exemplo, entre as crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, praticamente igualou a porcentagem de quem está matriculado em uma instituição de ensino, uma vez que abrange 98,9% da população entrevistada, entre brancos e pretos/pardos, no estado.

Em São Luís, ocorreu a mesma coisa, pois 99% dos pretos/pardos e 99,6% dos brancos estão frequentando escolas. No entanto, para faixa etária de 18 a 24, esse índice ganha contornos preocupantes. “Na proporção em que aumentam os anos de ensino, ocorre essa diferença. Os pretos/pardos têm mais vulnerabilidade para abandonar as escolas, nesse sentido”, explicou José Reinaldo.

Ensino superior
O Instituto também mostrou que, no Maranhão, na comparação com os recortes territoriais do Brasil e Nordeste, houve maior crescimento percentual de pessoas pretas/pardas com Ensino Superior completo na faixa etária de 25 anos. “Todavia, do total de pessoas com Ensino Superior no Maranhão, mesmo 70,6% das mesmas serem pretas/pardas, ainda há subrepresentatividade, pois do total da população maranhense, o percentual de pretos/pardos é de cerca de 80%”, destaca o IBGE em seu relatório.

Extrema pobreza
No ano passado, entraram na extrema pobreza no Maranhão, segundo dados revelados IBGE, 1.397 milhão de pessoas. Desse total, 1.197 milhão se declararam pretos ou pardos, como mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. O número de pretos/pardos representou, dentro dessa população, 85,8%. Os demais entrevistados se declararam brancos, ou seja, 13%.

Conforme os resultados da Pnad Contínua, 80% da população maranhense entrevistada se declararam pretos/pardos. Desse grupo, a maior parte está vivendo em situação de extrema pobreza, que ganha cerca de R$ 145 por mês. As estatísticas mostraram que o branco continua ganhando, em termos de salário, mais do que os negros, que estão em uma parcela maior de vulnerabilidade social. Já em São Luís, 83 mil habitantes sobrevivem nessas condições - 14,5% são brancos e 84,3% são pretos/pardos.

De acordo com José Reinaldo Barros, as estatísticas revelam que existe um maior grau de informalidade na população preta/parda, que continua sofrendo as consequências das desigualdades sociais de cor e raça no Brasil, incluindo o analfabetismo, educação e violência. “A pobreza, mais do que nunca, tem cor. Os dados estão aí para comprovar. O que podemos fazer para mudar esse quadro passa, necessariamente, pela justiça social, a fim de melhorarmos essa triste realidade”, disse o servidor.

Segundo ele, a crise que fragilizou a economia brasileira recentemente, nos anos de 2015 e 2016, contribuiu para o agravamento das desigualidades. “A recuperação está lenta. De alguma forma, isso refreou a possibilidade de diminuir as desigualdades no País”, comentou José Reinaldo. Conforme o tecnologista de Informações, o Maranhão tem o 4º maior percentual de pessoas pretas dentre as unidades da Federação, com 11,9%. A Bahia e o Rio de Janeiro lideram o ranking nacional, respectivamente, com 22,9% e 13,4%.

Outros dados
Os dados do IBGE também revelaram que 65,2% da população branca, a partir dos 10 anos de idade, no Maranhão, tiveram acesso a telefone celular móvel em 2017, enquanto que, para a população preta/parda, esse percentual ficou em 56,6%. Em São Luís, esses números fecharam em 86,8% para os brancos e 79,1% para os pretos/pardos.

Com relação à proporção de pessoas, da mesma faixa etária, com acesso à internet no mesmo ano, as estatísticas mostram 56,2% para os brancos e 46,2% para os pretos/pardos no Maranhão, em 2017. No mesmo ano, esses números fecharam em 80,3% para brancos e 73,2% para pretos/pardos na capital. No que se refere à taxa de analfabetismo, o estado teve, em 2018, um percentual de 12,7% de brancos e 17% de pretos/pardos, mas para uma população de 15 anos ou mais de idade.

Conforme o IBGE, dos 844 mil analfabetos de 15 anos para cima em 2018 no Maranhão, 714 mil são pessoas pretas/pardas, o que representa cerca de 85% do total de analfabetos no estado. Em São Luís, as pesquisas indicaram que os brancos representaram 2,4% de analfabetos, na mesma faixa etária e ano, enquanto os pretos/pardos representaram 2,7% dentre os entrevistados.

No que se refere à população de analfabetos de 40 anos ou mais de idade, os brancos representaram 23,6% no Maranhão, no ano passado. Os pretos/pardos ficaram em 32%. Dos 714 mil analfabetos nessa faixa etária, 606 mil são pessoas pretas/pardas, o que entra no percentual de 85% do total de analfabetos no estado.

“Esses dados mostram a contribuição do IBGE para uma melhor compreensão da nossa realidade. É uma forma de ler o País. Sem dúvidas, não é de hoje que a questão das desigualdades sociais passa pela cor e raça. É um conjunto de informações que exploram várias temáticas”, pontuou José Reinaldo Barros. Segundo o servidor do órgão, para os resultados dessas estatísticas, foram utilizadas outras abordagens além da Pnad Contínua, dependendo do aspecto avaliado, como o Censo Demográfico 2010, o DATASUS, a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar 2015, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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