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Zona rural: comunidade cobra por serviços de infraestrutura

Manifestantes querem serviços de pavimentação em dezenas de bairros da região; população bloqueou dois pontos da BR-135; protesto gerou reflexos em diversos locais da cidade, ocasionando congestionamentos até o fim da manhã
MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO05/11/2019
Zona rural: comunidade cobra por serviços de infraestruturaCom pneus, moradores de comunidades interditaram a BR-135, na manhã de ontem, 4, para reivindicar melhorias para os bairros (Divulgação)

SÃO LUÍS - A principal via de acesso a São Luís, BR-135 foi interditada na manhã de ontem, 4, por moradores de comunidades da zona rural da cidade, em protesto às condições de infraestrutura dos bairros. Sem pavimentação, a população convive com poeira, buracos e lamaçais que impedem, inclusive, a entrada de serviços de emergência. Como reflexo do protesto, longos congestionamentos foram registrados próximo aos bairros Maracanã e Vila Maranhão, onde os bloqueios foram feitos. Segundo a Prefeitura, a região está inclusa no cronograma do programa São Luís em Obras, que já asfaltou vias do Vinhais e Angelim e segue atuando em outros polos da cidade.

Munidos com cartazes e carros de som, centenas de moradores de 40 bairros da zona rural da capital reivindicaram por melhorias na infraestrutura da região, que, até o momento, aguarda pelos serviços da gestão municipal. Segundo o presidente do Conselho Comunitário de Defesa Social da Zona Rural, João Batista Amorim, durante o período de campanha para sua reeleição, o prefeito Edivaldo Holanda comprometeu-se em destinar serviços à região, mas nada foi feito até o momento.

Reivindicações
“A zona rural foi decisiva para a reeleição do prefeito Edivaldo e no momento em que sentamos com ele houve um compromisso de campanha e o prefeito garantiu que daria uma atenção especial às nossas comunidades. De fato, no momento de realizar o levantamento, o diálogo foi bem. No entanto, na hora de implantar, saiu só para a área urbana e nós estamos aqui, ainda esperando”, declarou o líder comunitário.

Segundo os manifestantes, o protesto foi realizado com o objetivo de chamar atenção das autoridades e, para isso, o trânsito da BR-135 foi bloqueado em dois pontos, nos bairros Maracanã (km 7) e Vila Maranhão, principais vias de acesso à capital, desde as 5h. “Nossa intenção não era causar problemas, mas fazer com que fossemos vistos pelo prefeito Edivaldo Holanda e seu secretário Antônio Araújo [titular da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos – Semosp]”, explicou Amorim.

Preocupação
Ainda segundo ele, após o período de campanha, os gestores foram procurados pela comunidade, por diversas vezes, para que as necessidades dos bairros fossem apresentadas, mas em nenhuma delas o encontro foi efetivado. As condições precárias das vias impossibilitam, inclusive, o acesso de serviços emergenciais e, agora, a preocupação dos moradores é com a chegada do período chuvoso que, além de impedir a realização das obras, pode gerar ainda mais problemas.
“São tantos buracos que nem ambulância entra em ruas de algumas comunidades aqui da zona rural. Ontem [ domingo] já choveu e nossas ruas ficaram cobertas por lama. O inverno está chegando e estamos ficando esquecidos por mais um ano”, lamentou João Batista Amorim.

Congestionamentos
Durante o protesto, agentes da PRF e PMMA estiveram no local e tentaram negociar a liberação das vias. Apesar da resistência dos manifestantes, o tráfego era liberado a cada 10 minutos. Ainda assim, a ação gerou reflexos em diversos pontos da cidade, ocasionando congestionamentos até o fim da manhã, tanto nas proximidades do Maracanã, estendendo-se até o São Cristóvão e na Vila Maranhão, que dá acesso ao Porto do Itaqui.

O Estado manteve contato com a Prefeitura de São Luís para questionar o que vem sendo feito para atender às reivindicações dos moradores e, por meio de nota, a gestão municipal esclareceu que está realizando um amplo trabalho de asfaltamento em avenidas e ruas de diversos bairros da capital, por meio do programa São Luís em Obras. Ressaltou que, conforme já anunciado, a zona rural está contemplada no planejamento de obras do município, estando no aguardo apenas da conclusão do trâmite licitatório para iniciar os trabalhos.

A Prefeitura ressalta ainda que o serviço de asfaltamento em bairros da capital foi intensificado neste ano após o fim do intenso período chuvoso, que durou cerca de nove meses. O trabalho segue em ritmo acelerado, já tendo sido concluída a pavimentação das vias no Vinhais e Angelim. As equipes da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Púbicos (Semosp) seguem trabalhando no Polo Cohatrac, Cohab, Cohama, Rio Anil, Planalto Anil, Bequimão, Avenida Guajajaras e chegarão em muitas outras regiões da cidade.

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Frase

“São tantos buracos que nem ambulância entra em ruas de algumas comunidades aqui da Zona Rural. Ontem [ domingo] já choveu e nossas ruas ficaram cobertas por lama. O inverno está chegando e estamos ficando esquecidos por mais um ano”

João Batista Amorim

Presidente do Conselho Comunitário de Defesa Social da Zona Rural

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