Política | Etnocídio

Índios tiveram as mãos decepadas no Maranhão em 2017

Morte do líder Paulo Paulino Guajajaras é apenas mais um capítulo de uma extensa lista de confrontos que acontece desde 2015
José Linhares Jr05/11/2019 às 16h02
Índios tiveram as mãos decepadas no Maranhão em 2017Paulo Paulino Guajajara foi morto após confronto com fezendeiros (Reprodução)

Apesar do governador Flávio Dino (PCdoB) usar suas redes sociais para culpar o atual governo federal, a violência contra índios no Maranhão motivada por conflitos de terra não é uma novidade. No dia 30 de abril de 2017 o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denunciou um conflito que resultou em mais de uma dezena de feridos e dois índios torturados e mutilados.

No último domingo (3) o governador Flávio Dino usou suas redes para responsabilizar a gestão atual do União pela falta de proteção em terras indígenas. A manifestação de Flávio Dino aconteceu após o assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajaras na sexta (1).

Ao contrário do que tenta fazer parecer o governador, a violência contra indígenas no Maranhão é anterior ao caso envolvendo Paulo Paulino Guajajara. Em 2017 um conflito entre seguranças de duas fazendas e índios da etnia Gamela, no povoado das Bahias, em Viana, deixou 13 feridos. Dois deles tiveram as mãos decepadas segundo o conselho. Além dos índios, três fazendeiros também saíram feridos.

Antes do massacre de 2017, a etnia já havia sofrido um ataque em 2015, Na noite de 02 de fevereiro a tribo sofreu um atentado a tiros. Segundo relato de indígenas que estavam no local, homens em uma caminhonete dispararam vários tiros contra o acampamento da retomada. Em agosto de 2016 três homens armados e trajando coletes à prova de bala invadiram outra área de ocupação indígena.

Os eventos contradizem a versão do governador de que a violência contra índios no estado é algo recente.

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