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Hipnoterapia auxilia no tratamento da enxaqueca

Por meio de técnicas de hipnose é possível encontrar o fator que desencadeia a dor de cabeça, ressignificar a emoção relacionada e, assim, melhorar a vida do paciente
03/11/2019 às 00h00
Hipnoterapia auxilia no tratamento da enxaquecaEm pacientes que sofrem com dor crônica, o sofrimento é agravado por causa da memória (Divulgação)

São Paulo - A enxaqueca, também conhecida como migrânea, é um tipo de dor de cabeça que afeta boa parte das pessoas no mundo inteiro. No Brasil, segundo dados de estudo epidemiológico realizado pela Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), cerca de 15% da população sofre da doença. Caracterizada por dor pulsátil em um dos lados da cabeça (algumas vezes nos dois lados), hipersensilibdade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), náusea e vômito, a enxaqueca pode ser um grande obstáculo para uma vida produtiva, tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considera como a sexta doença mais incapacitante do mundo.

De acordo com a hipnoterapeuta Juliana Casagrande, o tratamento da enxaqueca por meio de sessões de hipnose pode ser realmente eficaz. Isto porque quase sempre as crises de dores de cabeça são desencadeadas por um fator, o chamado gatilho. "Por meio da hipnoterapia é possível detectar qual é esse gatilho, ressignificar o sentimento que vem atrelado a ele, e, por fim, fazer com que o paciente tenha uma vida mais leve, tranquila e saudável", explica.

Um dos principais desencadeadores das crises de enxaqueca é o estresse, mas outros fatores também são importantes e não devem ser deixados de lado na hora de buscar a causa das dores. São eles: alterações na rotina de sono; jejum; e o consumo de álcool e cafeína. A abstinência da cafeína também pode ser um gatilho. Determinados cheiros e alimentos e até o esforço físico ainda aparecem como motivos para a migrânea, embora com menos frequência.

Durante muitos anos de sua vida, Juliana também sofreu com crises de enxaqueca. Empiricamente, foi percebendo que as fortes dores estavam relacionadas com sua alimentação. E depois de exames clínicos, descobriu que realmente sofria de alguns tipos de intolerâncias alimentares. Ela não podia ingerir produtos com lactose, glúten e açúcar sem sentir-se mal fisicamente. Conforme Juliana, mesmo com uma dieta bem restritiva, o incômodo que sentia – principalmente uma distensão abdominal que fazia ela parecer uma grávida de quatro meses – só foi eliminado após ao tratamento hipnoterapêutico a que se submeteu.

A explicação para isso, conforme Juliana, reside no fato de que na hipnoterapia e também na Decodificação da Mente Corpo (DMC) – terapia de ressignificação do subconsciente na qual Juliana também é formada - as emoções são consideradas a causa das doenças físicas. E, geralmente, estas emoções estão atreladas a alguma situação vivida, que acarretou um trauma. Segundo os preceitos da DMC, este trauma pode ser uma perda, um susto muito grande ou até mesmo um acontecimento pequeno, de menos importância, mas recorrente.

De acordo com a hipnoterapeuta, durante o tratamento com hipnose e DMC, o paciente rememora as situações traumatizantes e consegue dar um novo sentido ao evento. "A partir da reinterpretação dada pela mente à situação traumática, o corpo entende que não se faz mais necessário causar a doença para o paciente", esclarece.

Em pacientes que sofrem com dor crônica - enxaqueca, por exemplo – o sofrimento é agravado por causa da memória. A experiência da dor fica gravada na mente e sempre que há uma recordação a pessoa volta a senti-la. Segundo Juliana, a hipnoterapia e a DMC ajudam a pessoa a controlar a intensidade dessa dor. "Aos poucos, com a percepção de alívio, a memória referente à dor se dissipa e a pessoa pode deixar de sentir o sofrimento de maneira definitiva", afirma.

A ressignificação do evento traumatizante que causa a dor no paciente só é possível porque a hipnose atua no plano subconsciente da mente humana, o qual ela entende ser a região que condiciona o modo de agir das pessoas. O subconsciente tende ao conservadorismo, sendo protegido pelo fator crítico do consciente, que coloca em modo de espera todas as sugestões positivas (propostas de mudanças) que possam vir da própria pessoa ou de fontes externas.

Perante esse cenário, é natural que as situações continuem sendo explicadas à pessoa sempre da mesma forma e que os efeitos dessa interpretação, tais como as dores, persistam. Contudo, através de ferramentas próprias, o tratamento via hipnose consegue ultrapassar essa barreira do fator crítico e fazer com que as modificações necessárias sejam aceitas pelo subconsciente, desde que haja uma atitude positiva por parte do paciente diante do que foi sugerido.

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