Política | Energia

Ambientalista diz que metas estão alinhadas com setor energético

Reunião foi realizada em Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas
30/10/2019 às 18h10
Ambientalista diz que metas estão alinhadas com setor energéticoDivulgação

BRASÍLIA - Os planos de expansão do setor de energia no Brasil estão alinhados com os compromissos assumidos pelo país para implantação do acordo de redução do aquecimento global, avaliaram nesta quarta-feira (30) representantes do setor energético em audiência pública na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), que teve como tema os biocombustíveis e a matriz elétrica nacional.

O Brasil assumiu perante a Organização das Nações Unidas (ONU) o compromisso de promover uma redução das suas emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025. Além disso, indicou uma contribuição indicativa subsequente de redução de 43% abaixo dos níveis de emissão de 2005, em 2030.

Representante do Ministério de Minas e Energia, Luís Fernando Badanhan disse que o país projeta para 2027 uma queda no uso dos derivados de petróleo e o aumento das fontes renováveis na matriz energética, com o uso de energia solar e eólica, biogás, gás industrial e os derivados da cana-de-açúcar, as quais atingirão quase 20% da matriz.

— Em termos de combustíveis fósseis, temos no Brasil hoje 55,4%, que cairia para 50,6% em 2027. A gente tem uma posição favorável na questão energética em relação ao mundo. O Brasil tem hoje 43% de renováveis. Na matriz elétrica os números são melhores. Do ponto de vista de renováveis, destaque para a eólica, que subiria para 11,7% da matriz, em 2027, queda do óleo e carvão, e aumento da energia solar em 3,4% — afirmou.

Etanol
Representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Ludmilla Cabral disse que a matriz energética do Brasil é um exemplo para o mundo de energia renovável. Segundo ela, o aumento de combustíveis renováveis na matriz torna-se fundamental para a consecução das metas do Acordo de Paris, com a expansão da bioletricidade e o aumento do volume de etanol nos carros.

— Nossa matriz é renovável e tem a perspectiva de se tornar cada vez mais. O ciclo de vida do etanol conseguir reduzir em até 90% das emissões de gases de estufa, absorvidos pela plantação, em comparação aos combustíveis fosseis. Desde 2015, quando o Acordo de Paris foi celebrado, até agosto deste ano reduzimos 240 milhões de toneladas de dióxido de carbono pelo uso do etanol como biocombustível. A colheita mecanizada no Centro-sul, que extingue a queima da cana, também contribuiu, além da bioletricidade fornecida pelo setor à rede — afirmou.

Eletrificação
Representante da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph Júnior disse que a indústria automobilística já trabalha em linha com as tecnologias a serem adotadas em 2025. Em sua avaliação, um dos caminhos para o alcance das metas apresentadas pelo Brasil seria a eletrificação em médio e longo prazo.

— Pensar na renovação da frota e na mudança do veículo que temos no mercado brasileiro é uma opção de maior custo, devido à introdução de um novo modelo de motorização e alteração em toda a cadeia produtiva. Temos a questão das baterias, ainda razoavelmente complicada. A tecnologia teria que ser importada, não temos esse conhecimento estabelecido no mercado, e tem a questão da infraestrutura a ser criada. O Brasil não é um país fácil do ponto de vista do estabelecimento de infraestrutura. E há o desafio ambiental com o descarte das baterias — afirmou.

Outro caminho, disse o representante da Anfavea, seria a intensificação do uso dos biocombustíveis, sobretudo o etanol e o biodiesel.

— Em curto prazo, seria a opção de menor custo, com infraestrutura já estabelecida, temos o domínio da fabricação do veículo híbrido flex, e utilizaríamos as potencialidades do país — afirmou.

Políticas falhas
Representante do Instituto Clima e Sociedade, Roberto Kishinami apontou a falta de políticas energéticas associadas a questões sociais, principalmente no que se refere à energia hidrelétrica.

— A oferta de energia renovável é colocada como alguma coisa antagônica em relação a populações diversas. O aparecimento do petróleo no Brasil é tardio, quando o mundo já discute a sua substituição. Gastamos cada vez mais energia para produzir o mesmo dólar. Em todos os países concorrentes esse número tem caído — afirmou.

Kishinami destacou que todos os países do mundo fazem um "esforço brutal" para produzir mais com menos energia, ao contrário do Brasil, que tem apresentado trajetória inversa.

— Os equipamentos que temos para uso doméstico, se comparados ao que existe em lugares avançados, são muito piores, gastam mais energia para produzir o mesmo resultado. Isso tem a ver com proteção a equipamentos ruins que causam prejuízos ao país inteiro — lamentou.

Energia solar
Representante da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) Rodrigo Lopes Sauaia disse que energia fotovoltaica tem avançado exponencialmente, e que 93% dos brasileiros querem gerar energia limpa e renovável em suas empresas e domicílios.

— A tecnologia está acelerando sua implantação no mundo graças à redução do preço da energia solar fotovoltaica, que agora se torna acessível à sociedade. Apesar disso, o Brasil não é uma liderança solar, está atrasado no uso da tecnologia, no vigésimo primeiro lugar no ranking. Ainda estamos começando em relação a países que não têm recurso solar, como Japão e Reino Unido — afirmou.

Sauaia ressaltou que a geração distribuída de energia no Brasil ainda não conta com um marco legal, o que traria segurança jurídica para o mercado, o consumidor e o investidor.

Fonte: Agência Senado

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2019 - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte