Editorial | COLUNA

O óleo que ameaça o Nordeste

21/10/2019


Desde o começo do mês de setembro, manchas de óleo começaram a aparecer em algumas praias do Nordeste. No Maranhão, viralizou um vídeo da praia de uma tartaruga coberta de óleo na praia de Itatinga, município de Alcântara. O vídeo impressionante já dava indícios de um grande impacto ambiental que logo foi evidenciado ao aparecer em outras praias do litoral nordestino. Ele foi um dos primeiros a serem divulgados e ainda não se tinha a noção de que em diversos lugares, a cena de animais marinhos banhados em óleo ia se repetir muitas vezes em dois meses.
A lista de locais atingidos já inclui destinos consagrados como as praias de Pipa (RN), Porto de Galinhas (PE) e no Maranhão, além de Alcântara, já atingiu a Reserva Extrativista em Cururupu. Na Bahia, Alagoas e Sergipe o surgimento de manchas também é preocupante e já atingiu pontos como a baía de Todos os Santos, área de grande preservação e um dos principais repositórios da biodiversidade do litoral brasileiro
Ao que se sabe até agora é que as manchas são de um tipo de petróleo cru, provavelmente produzido fora do Brasil, pode ter sido lançada por um navio, mas até agora, não há conclusão, apesar de declarações vindas de representantes do Governo Federal darem conta de que poderia ter sido um vazamento criminoso, nada comprovado. Nenhuma resposta efetiva das autoridades foi dada até agora. Até mesmo os impactos ambientais ainda não foram mensurados. Essa suposta omissão da União fez com que o Ministério Público Federal ajuizou uma nova ação contra a União acusando de ser omissa e protelar medidas protetivas e não atuar de forma articulada em toda a região dada a magnitude do acidente e dos danos já causados.
No último fim de semana, as manchas de óleo voltaram a aparecer em praias, principalmente, da Bahia e Pernambuco e motivou uma mobilização e união do povo nordestino. As cenas de diversos voluntários unidos retirando o óleo da praia mobilizou a opinião pública. Celebridades como a atriz Sonia Braga, que recentemente fez dois papeis no cinema representando mulheres nordestinas, o artista plástico e defensor de causas de ambientais Vik Muniz, a apresentadora Bela Gil, entre outros, gravaram vídeos e divulgaram na internet como forma de chamar atenção para os impactos desastrosos para o ecossistema marinho da Região.
O tema chegou também em outros campos de projeção da opinião pública e também ganhou projeção também no esporte de maior público no Brasil: o futebol. No jogo de hoje no Campeonato Brasileiro, o time do Bahia entrará em campo contra o Ceará com um uniforme diferente. As cores vermelha, branca e azul dividirão espaço com o preto. As camisas estão manchadas como as praias invadidas pelo óleo. É o Nordeste fazendo um alerta e pedindo socorro para evitar que o seu ecossistema seja devastado ainda mais por um óleo de origem desconhecida.
Embora a união do povo nordestino seja louvável, ela não é o bastante para conter o problema. Espera-se que os próximos capítulos dessa história sejam marcados por respostas e reações para conter o problema. O Nordeste, o Brasil e o Mundo precisam de respostas, ainda que com um atraso de dois meses.

Para continuar aproveitando o conteúdo de O Estado faça seu login ou assine.

Já sou assinante

entrar

Ainda não sou assinante

assine agora

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2019 - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte