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Motoristas de transporte por aplicativo reivindicam segurança

Categoria se concentrou no Calhau e, posteriormente, reuniu-se com representantes da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão; neste ano, pelo menos três crimes graves foram registrados contra esses trabalhadores
MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO16/10/2019
Motoristas de aplicativos exigem segurança para poder trabalhar

Em busca de melhores condições de trabalho, motoristas de transporte por aplicativo realizaram um protesto na manhã de ontem (15), na praça da Igreja São Luís Rei de França, no Calhau. A falta de segurança foi a principal reivindicação dos profissionais, que exigiram a implantação de estratégias capazes de coibir a ação de criminosos contra a categoria, durante a rotina de trabalho. Neste ano, pelo menos três crimes graves foram registrados contra trabalhadores de transporte por aplicativo em São Luís. Em um deles, o motorista Diego Ribeiro da Silva foi morto a tiros no bairro da Vila Cabral, região de Pedrinhas, na capital.

Com os altos índices de criminalidade registrados na Região Metropolitana de São Luís, a sensação de insegurança tornou-se comum entre a população e, apesar de não haver distinção de vítimas, algumas categorias sentem-se mais vulneráveis aos delitos, como é o caso de quem trabalha no transporte alternativo da capital. Para protestar contra esta realidade e chamar a atenção do serviço de segurança pública do es­tado, motoristas de aplicativos como Uber, 99 Táxi e 99 Pop reuniram-se ontem, no Calhau. De acordo com Diego Ávila, atuante na categoria há cerca de dois anos e meio, relatos de violência têm se tornado cada vez mais frequente entre os profissionais.

“Diariamente há colegas relatando que transportaram clientes suspeitos, inclusive portando armas de fogo, transportando drogas, e a gente se sente encurralado em uma situação assim. Precisamos, realmente, que alguma atitude seja tomada, porque trabalhamos incertos se vamos finalizar a corrida sãos e salvos e voltar para casa. Eu mesmo já passei por isso, tentei pedir ajuda aos policiais em uma blitz, jogando luz, mas não fui abordado”, contou o motorista.

Solução
Para a categoria, uma possível estratégia para reduzir casos de assalto aos profissionais do serviço seria a extensão das blitzes de inspeção - atualmente realizada apenas em ônibus do serviço de transporte público da capital - aos veículos do transporte alternativo. “Nossa reivindicação não é só pelos trabalhadores, mas por toda a população, que também se sente ameaçada. Nós acreditamos que a maior fiscalização da polícia nos daria maior sensação de segurança. Não culpando os policiais, mas está faltando planejamento, porque com as ações apenas no transporte público, a bandidagem está deixando de andar nos ônibus e pegando Uber, táxi, mototáxi”, declarou o motorista Roni Anderson Ferreira.

A fim de evitar se tornar mais uma vítima da violência, os motoristas precisam mudar a rotina de trabalho, o que acaba reduzindo o número de corridas feitas e, consequentemente, o ganho no fim do mês. “Nós tentamos nos policiar, não aceitar pagamento em dinheiro, não fazer corridas em determinados horários, tentamos não entrar tanto em bairros, não aceitar solicitações feitas para terceiros, inclusive deixo aqui meu apelo aos passageiros, que não se chateiem quando perguntamos qual o destino, porque muitas pessoas se preocupam em chegar em casa, mas nós também precisamos nos preocupar com a nossa segurança”, afirmou Ferreira.

Motoristas de aplicativos exigem segurança para poder trabalhar

Protesto
De acordo com os motoristas, a intenção da categoria era iniciar o protesto na praça da Igreja São Luís Rei de França e seguir em carreata até a Praça Dom Pedro II, onde fica localizado o Palácio dos Leões, sede do Governo do Estado, Palácio de La Ravardière, sede da Prefeitura de São Luís, além de outros prédios da administração pública, com intuito de chamar a atenção dos representantes estadual e municipal.

No entanto, ainda no Calhau, representantes da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), viabilizaram uma reunião entre representantes da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) e uma comissão representando os motoristas de aplicativo, por isso, parte dos protestantes dispersaram.

O Estado manteve contato com a SSP-MA para questionar as estratégias já adotadas para garantir melhores condições de trabalho dos motoristas de transporte alternativo de São Luís e, ainda, se a medida sugerida pela categoria poderá ser adotada. No entanto, até o fechamento desta edição, o órgão não havia se manifestado.

SAIBA MAIS

CASOS RECENTES

Neste ano, pelo menos três casos graves de violência contra condutores de transporte por aplicativo foram registrados em São Luís e, em um deles, um motorista foi assassinado. Em abril, um motorista, que não teve a sua identidade revelada, foi assaltado e estuprado após ter uma corrida solicitada por passageiros que o estavam aguardando no bairro Altos do Calhau, em São Luís.

Em depoimento à polícia, o condutor do veículo relatou que, ao chegar no local solicitado, três homens, que não tiveram as suas identidades reconhecidas, anunciaram o assalto. Os criminosos renderam a vítima e em seguida o amarraram e violentaram-no. Após o abuso sexual, os bandidos levaram pertences pessoais do condutor, deixando o veículo com a vítima no local.

Em maio, o motorista identificado como Diego Ribeiro da Silva, foi morto a tiros no bairro da Vila Cabral, região de Pedrinhas, em São Luís. Segundo informações da Polícia Militar, a vítima chegava à Travessa Norte, no bairro Vila Cabral, quando foi surpreendida por bandidos, que dispararam três tiros na cabeça de Diego Silva.

O motorista foi levado para o Hospital Djalma Marques, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a investigação, o crime foi causado por um integrante de uma facção, que identificou um rival no veículo e, ao tentar atingi-lo, feriu mortalmente o motorista. O criminoso foi identificado e preso.

No mês passado, a polícia da capital maranhense apreendeu quatro adolescentes suspeitos de sequestrarem um motorista de aplicativo, em São Luís. O caso havia sido registrado dois dias antes, no bairro Nova Aurora.
Os quatro garotos solicitaram, por meio do aplicativo, uma corrida para a cidade de Raposa, localizada na Região Metropolitana de São Luís. Quando o motorista chegou para buscar os passageiros, foi amarrado e colocado dentro do porta-malas do próprio carro.

Com o motorista imobilizado, um dos envolvidos, um adolescente de apenas 13 anos, assumiu a direção do veículo, mas não sabia dirigir. O câmbio de marchas foi danificado e os outros suspeitos, um rapaz de 17 anos e dois de 16 anos, tiraram o motorista do porta-malas para que ele tentasse solucionar o problema, e os suspeitos continuassem com a empreitada criminosa. Um dos adolescentes feriu o motorista, e o carro continuou com problemas.

Os quatro garotos resolveram abandonar o “plano do crime” e seguiram até uma parada de ônibus, onde pegaram um coletivo, mas foram abordados na região da Cohama, onde foram apreendidos e encaminhados para a Delegacia Especial da Cidade Operária (Decop). O motorista de aplicativo foi socorrido e encaminhado para um hospital particular da capital.

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