CEMI TOUR

Franceses fazem turismo no cemitério do Gavião

Grupo formado por franceses, estudantes e professores de agronomia, participam de projeto de intercâmbio no Maranhão; atividade foi oferecida pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA), que atua em convênio com o Ministério da Agricultura da França

MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h22

SÃO LUÍS - Uma recepção excêntrica e repleta de cultura foi proporcionada a um grupo formado por estudantes e professores franceses que visitam São Luís. Guiados pelo historiador e presidente da Academia Ludovicense de Letras (ALL) Antônio Noberto, a comitiva visitou o Cemitério do Gavião, na Madre Deus, e, assim, conheceu melhor a relação entre a França e o Maranhão por meio de relatos sobre personalidades que fazem parte da história do estado.
O passeio foi oferecido pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA), que, por meio de um convênio com o Ministério da Agricultura da França, recebe discentes e docentes de Ciências Agrônomas para intercâmbio de conhecimentos e experiências entre os países.

O Cemitério do Gavião é reconhecido por ser o mais exuberante e histórico de São Luís, isto porque, além de apresentar um rico acervo artístico em seus túmulos, produzidos por brasileiros e europeus, por lá foram sepultados personagens maranhenses ilustres, entre eles os poetas e escritores Gonçalves Dias, Aluísio Azevedo, Joaquim de Sousa An­drade (Sousândrade), Bandeira Tribuzi e Nauro Machado; os políticos Benedito Leite, Luiz Domingues, Maria Aragão e Epitácio Cafeteira e os artistas Joãosinho Trinta e Coxinho (autor do hino cultural do Maranhão), por exemplo.

Nomes que contam parte da história do estado, da capital e, consequentemente, da relação entre franceses e maranhenses, justificam a escolha do “Cime Tour” co­mo atividade de boas-vindas ao grupo de alunos e professores do Instituto Chateau de Mesnières, na França - participantes de um programa de intercâmbio em convênio ao IFMA. Para Antônio Noberto, historiador, presidente da ALL e guia do passeio, a experiência tornou-se ainda mais especial por ter acontecido antes do Dia dos Professores, celebrado hoje,15.

“O passeio já é uma tradição, realizado há 13 anos no Cemitério do Gavião, mas a atividade de hoje foi especial por dois motivos. Primeiro, porque está sendo oferecido a um grupo de franceses, professores e alunos, e por anteceder o Dia dos Professores, que tem tudo a ver e é uma forma de homenagear esses profissionais. A França fundou São Luís, os divulgadores dos trabalhos de maranhenses, como Gonçalves Dias, na Europa, são franceses. Muitas pessoas que estão sepultadas aqui tiveram uma relação com a França, estudando lá e, portanto, há uma projeção francesa muito forte na nossa história”, destacou.

O intercâmbio cultural e científico foi ainda mais intenso para os alunos, principalmente aqueles que não conheciam, de forma tão enfática, a relação entre seu país de origem e o Maranhão. Além de enriquecer a bagagem cultural, a experiência possibilita que os aprendizados sejam compartilhados no retorno para casa, como amigos e familiares dos visitantes, como contou o estudante secundarista Raphael Vadecard, da região de Normandia, na França.

“Nessa visita, pude perceber que a França e o Brasil sempre tiveram uma relação razoavelmente amigável, e a cultura francesa contribuiu, de certa forma, com marcas na história do Maranhão. Vou poder compartilhar esse conhecimento com outras pessoas e levar um pouco da cultura brasileira para a França, como a sociedade funciona, como as pessoas vivem, que foi o que mais tem me chamado atenção”, declarou o estudante.

A visita
O grupo, formado por professores de agronomia, trará experiências do país do Velho Mundo e levará as práticas exitosas implantadas na zona rural de São Luís e em outras partes do estado. Os franceses, que vieram ao Brasil em uma parceria com o IFMA, ministrarão palestra no Campus do Maracanã, em São Luís, e, no próximo sábado, 19, visitarão o estado de Goiás, onde participam do Fórum Franco-Brasileiro de Educação Agrícola.

Cemi Tour
O Cemi Tour do Gavião foi criado em 2004 pelo turismólogo, historiador e escritor Antônio Noberto, membro fundador da Academia Ludovicense de Letras (ALL), sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), membro da Luminescence Academie Française (do Vale do Loire, na França) e membro fundador da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes (Avla). Os músicos que acompanham o passeio são do corpo docente da escola de música Lilah Lisboa.

Frase

“Nessa visita, pude perceber que a França e o Brasil sempre tiveram uma relação razoavelmente amigável e a cultura francesa contribuiu, de certa forma, com marcas na história do Maranhão"

Raphael Vadecard,

Estudante secundarista da

região de Normandia, na França

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