Cidades | Prejuízos

Furto de cabos de telefonia e energia é constante no estado do Maranhão

Prática criminosa lesa população e prejudica, principalmente, empresas de telefonia e energia, os principais alvos dos furtos; cobre e alumínio são os cobiçados
10/10/2019
Furto de cabos de telefonia e energia é constante no estado do MaranhãoSegundo delegado Paulo Carvalho, os furtos se mantêm porque há quem compre o produto furtado (Biné Morais / O ESTADO)

O furto de cabos e fios ainda é uma prática criminosa recorrente em São Luís e municípios do interior do Maranhão. As denúncias são muitas e, em agosto deste ano, por exemplo, quase 160 ocorrências foram registradas por uma única operadora de telefonia, conforme dados da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). Cobre e alumínio, que compõem as redes de energia e telecomunicações, são os materiais cobiçados pelos criminosos, que, além dos prejuízos econômicos às empresas, lesam a população, consumidora dos serviços interrompidos.

Após furto de cabos de telefonia registrado nesta segunda-feira (7), a agência do Banco do Brasil localizada na Avenida Ana Jansen, no São Francisco, teve os serviços de atendimento aos clientes suspensos, devido à falta de conexão com a internet, o que inviabiliza a operações do sistema.

De acordo com o delegado Paulo Roberto de Carvalho, da Seic, ocorrências como esta são tão constantes que dificultam o levantamento quantitativo das denúncias, mas, conforme dados da superintendência, apenas no mês de agosto 159 boletins de ocorrência foram registrados por uma única operadora que atua na capital. Segundo o delegado, cerca de 90% dos delitos são cometidos por dependentes químicos em áreas próximas a pontos de consumo de drogas - em casos de roubo de cabos da rede de telecomunicação, visto que o roubo de fios de energia exige conhecimento e preparo dos criminosos.

Como agem
“Aqui em São Luís existem cerca de 30 cracolândias - agrupamentos de dependentes químicos em áreas públicas -, e a maioria das ocorrências acontece próximo aos pontos de consumo de drogas. Eles cortam o material, normalmente cabos de empresas de telecomunicação, e vendem os produtos de cobre nas sucatas para custear a dependência química.

Atualmente, os cabos de cobre estão sendo substituídos por fibra ótica, que, para eles, não tem valor, mas só descobrem depois que os fios são cortados. Mas aí já causaram o dano, pois o fornecimento do serviço já foi prejudicado”, explicou o delegado.

Além da venda direta em sucatas e ferros-velhos, outras estratégias vêm sendo adotadas pelos criminosos e receptadores, na tentativa de escapar do flagrante. Para isso, pequenos comerciantes de comunidades são aliciados a integrar a rede e recebem os produtos roubados, para que, posteriormente, sejam recolhidos pelos proprietários de sucatas.

“Como nossas ações são sempre de surpresa, eles não estão mais acumulando esses materiais nas recicladoras e estão contratando pessoas dentro das invasões, das comunidades, a quem chamamos de acumuladores. Pessoas que tem um comér­cio, uma mercearia, onde os ladrões de cabos e fios deixam os produtos. Em determinados dias, os proprietários de sucatas passam para receber o produto e já seguem para outros estados”, frisou.

Após serem recolhidos, os produtos são enviados aos estados do Tocantis, Ceará e Goiás, onde são utilizados na confecção de utensílios domésticos, como copos e panelas de alumínio, e também peças de automóveis e placas de sistemas, no caso do cobre.

Entre os bairros de maior incidência de furtos de fios e cabos de energia e telecomunicações em São Luís destacam-se o Centro, na região do Mercado Central, Praça da Alegria, Praia Grande, próxima ao Convento das Mercês e Ilhinha, estendendo-se ao São Francisco. Na maioria dos casos, as ações ocorrem à noite ou madrugada. “Nessas áreas, as equipes do Ciops [Centro Integrado de Polícia e Segurança] realizam monitoramento constante por câmeras de segurança e acionam as viaturas em casos de identificação de atitudes suspeitas. Em muitos desses ca­sos, inclusive, conseguimos efetuar flagrantes”, destacou o delegado.

Operações
Entre as medidas adotadas para combater o crime, a polícia tem mapeado as recicladoras (sucatas) de São Luís. Conforme Paulo Carvalho, 65 foram registradas pela Seic na Ilha, as quais recebem orientações sobre a ilegalidade de comprar os materiais roubados. “Eles continuam furtando, porque há pessoas receptando e am­bos podem responder criminalmen­te.

Quem rouba, responde por furto qualificado, pois trata-se da inviabilização da prestação de serviço público, o que chamamos de furto majorados e as recicladoras, que identificamos com a colaboração dos dependentes químicos que costumam atuar nesses crimes, respondem por receptação dolosa”, esclareceu.

Em uma das operações, realizada nesta semana, cinco acumuladores foram conduzidos a prestar depoimentos na Seic. Em todo o ano, cerca de 30 indiciamentos de receptadores foram feitos, entre inquéritos por flagrante e outros por portarias.
A população também pode colaborar para as operações e investigações de crimes como roubo de fios e cabos. As denúncias podem ser feitas por meio do Disque Denúncia, 190, da polícia.

SAIBA MAIS

Realidade Nacional
Conforme dados mais recentes do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), apresentados na pesquisa Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) 2017, 49% das empresas provedoras de internet afirmaram já terem sido vítimas de roubos da infraestrutura física de provimento, tais como cabos e antenas.

Enquanto 57% das empresas do Nordeste e 56% do Norte afirmaram já terem sofrido roubo, no Sul e Centro-Oeste o índice foi de 42% e no Sudeste, 50%. Com relação ao porte, 100% dos grandes provedores responderam positivamente à questão. Já entre as micros, com até cem acessos, foram 40%.

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