Cidades | Mistério

"Pacotes estranhos" são encontrados na Praia de São Marcos

Objetos, que seriam feitos de material sintético, não têm indicação de origem; suspeita é de que pacotes tenham sido descartados de navios
Nelson Melo / O Estado24/09/2019

Na manhã de ontem, 23, cinco “pacotes estranhos”, sem nenhum tipo de identificação, foram encontrados na extensão da Praia de São Marcos, em São Luís. Os objetos, que seriam feitos de algum tipo de material parecido com borracha sintética, pesavam mais de 100 quilos cada. Especialistas de oceanografia presumem que eles foram descartados, propositalmente, de navios internacionais que passam pela costa maranhense.

Banhistas que caminhavam pela praia, logo nas primeiras horas, acharam os pacotes, que, pelo aspecto incomum, chamaram a atenção. A aparência dos objetos, sem origem de­finida, sugere que seriam compostos de couro prensado, mas a textura pode ser sintética, ou seja, muito diferente da origem animal. Em pouco tempo, bombeiros militares apareceram na faixa de areia, para impedir que curiosos manuseassem o material desconhecido.

Segundo o oceanógrafo Leonardo Lima, existe grande possibilidade de os pacotes teriam sido lançados ao mar de navios que passavam pelo litoral do Maranhão. Esse procedimento é realizado para reduzir o impacto na atracagem das embarcações. “É um material utilizado dentro das embarcações com algum tipo de revestimento, seja ele mecânico, para evitar o contato da carga com o casco. Isso serve para evitar choques mecânicos, por exemplo. Uma vez que se tenha problemas com esse material, que fica velho, não tem mais utilidade”, explicou ele.

O especialista avaliou que, por não ser mais útil à tripulação, é descartado em alto-mar. As ondas, en­tão, carregam os objetos até as praias. A degradação dos pacotes pode causar poluição ambiental, com risco de serem engolidos por peixes, conforme Lima. “Fisicamen­te, não há problemas para a população. Mas esse material vai se transformar em pedaços menores. Aí, pode poluir o meio ambiente”, revelou o oceanógrafo.

O Estado buscou explicações com a Capitania dos Portos do Maranhão e com o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), mas, nos dois casos, não hou­ve resposta até o fechamento desta edição.

Em 2018
Pacotes parecidos com esses já haviam sido encontrados na capital maranhense no começo do segun­do semestre do ano passado. Na ocasião, os objetos estavam na Praia da Guia, na área Itaqui-Bacanga, e garotos que jogavam futebol no local avistaram o material, que pesava cerca de 180kg e teve de ser retirado com o auxílio de uma retroescavadeira.

Da praia, foram levados até o bairro Vila Nova. Na época, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse que o material poderia ser lixo descartado de navios que passavam pela costa do Maranhão. Mas lançou a possibilidade de ser derivado de petróleo. Um fato curioso é que, um mês depois, no fim de outubro de 2018, outros pacotes foram encontrados nas cidades de Santo Amaro, Cândido Mendes e Paulino Neves.

Outros estados
Em outubro do ano passado, “objetos estranhos” também foram encontrados em outras praias do Nordeste, como Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Os pacotes foram localizados, primeiramente, no estado de Alagoas. O Instituto Biota de Conservação suspeitou, na época, que o material havia sido descartado de embarcações que navegavam por mares internacionais, como os especialistas também presumiram nesse caso recente, ocorrido na capital maranhense.

Em nota, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) confirmou que os objetos encontrados na manhã de ontem, na Praia de São Marcos, são amortecedores utilizados nas embarcações para evitar o choque mecânico entre a embarcação e o cais de atracamento. A Sema comunicou que está em busca dos responsáveis, para que sejam tomadas as providências cabíveis.

Animal marinho foi encontrado coberto de óleo

Tartaruga coberta de óleo

Uma tartaruga-marinha coberta por óleo foi resgatada na tarde de domingo (22), em um trecho da Praia de Tapireí, em Alcântara. A origem do material poluente é desconhecida, até o momento. Na areia, também foram encontradas várias poças de óleo. A tartaruga estava agonizando na areia, imóvel, quando foi localizada pelo estudante universitário Júlio Deranzani, que há 20 anos mora em Alcântara e passava o dia na orla com familiares. Depois de ter sido limpo, o animal foi devolvido ao mar. "Fizemos aquilo que podíamos", disse Júlio Deranzani, que ficou chocado ao achar o animal marinho nas condições em que estava. "Sou um amante da natureza e fiquei sem saber o que fazer", declarou. Ele disse ter postado vídeos que fez da tartaruga resgatada, em redes sociais, e o fato gerou ampla repercussão.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou, em nota, ter criado um grupo formado pelo Batalhão de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros e setores de Fiscalização, Monitoramento, Biodiversidade e Áreas Protegidas e Laboratório de Análises Ambientais.

A equipe foi até o local para fazer o reconhecimento, coleta e levantamento de emissor do material recolhido. Os resultados serão encaminhados para os setores responsáveis. Por sua vez, a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) informou que as operações no Porto do Itaqui seguem dentro da normalidade, não havendo registro de nenhum vazamento de óleo.

A Sema e o Ibama adiantaram que vão apurar se o óleo acumulado na praia é da mesma origem do material que vem poluindo outras áreas do litoral do Nordeste ou se é proveniente de algum navio ancorado na Baía de São Marcos.

Em nota, também, o Comando do 4º Distrito Naval, por intermédio da Capitania dos Portos do Maranhão (CPMA), informou que tomou conhecimento da existência de uma suposta mancha de óleo no mar, de origem indeterminada, e que também foi encontrada uma tartaruga oleada na Praia de Tapireí, pertencente ao município de Alcântara, nas proximidades do Centro de Lançamento de Alcântara.

Uma equipe da Capitania dos Portos foi designada para se deslocar até a cidade, a fim de coletar material na localidade para investigar a origem da mancha de óleo e as responsabilidades pelo acidente ambiental nas águas jurisdicionais brasileiras. A CPMA disponibiliza canais de comunicação para receber denúncias, reclamações e sugestões da população: cpma.faleconosco@marinha.mil.br, e os telefones 08000988432 e (98) 2107-0721.

Galeria de fotos

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2019 - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte