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Aumento no consumo de água mineral requer atenção

Período de estiagem exige ingestão de 1,5 litro de água a mais por dia, segundo a Organização Mundial de Saúde; venda de galões de 20 litros tem aumento de até 50%, nesta época do ano, na capital maranhense
Monalisa Benavenuto / O Estado20/09/2019

A hidratação é uma necessidade fisiológica intensificada no período de estiagem. As temperaturas mais altas, características do período, em São Luís, tornam a sensação térmica ainda mais quente do que marcam os termômetros e aquecem, além da pele, o comércio de água mineral da cidade. É comum observar vendedores e consumidores do produto pelas ruas, seja com pequenas garrafas ou com os chamados “galões”, recipientes com 20 litros de água, mas, para atender às exigências do corpo, é preciso atentar-se a cuidados indispensáveis e, assim, evitar contaminações por água imprópria ou contaminada.

É de conhecimento geral a importância da hidratação para a manutenção das funções do corpo e, consequentemente, para a vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada pessoa deve beber, em média, dois litros de água por dia. No entanto, em períodos mais quentes, o ideal é ingerir, pelo menos, três litros. Isso porque, com o aumento das temperaturas, o ser humano elimina, por meio da urina, fezes, pele e respiração, 3,5 litros de água - 1,5 a mais que nos dias normais. A quantidade é ainda maior para quem pratica exercícios prolongados, com duração maior que uma hora, eliminando até seis litros de água por dia, o que exige hidratação compatível.

Aquecimento do mercado
O aumento do consumo é facilmente percebido pelo mercado de água mineral, que identifica um crescimento expressivo na venda de galões de 20 litros, normalmente consumido por residências e pontos comerciais. Para o empresário Antônio Silva, que atua com revenda de água na região do Turu, o crescimento, nesta época do ano, é de até 50%. “Mesmo estando há pouco tempo no mercado, já notamos o aumento das vendas neste período mais quente. Em nossa loja, estamos vendendo, em média, 30 galões por dia, enquanto no período normal fica na casa dos 20”, contou.

A água mineral é uma das principais alternativas de consumo devido à qualidade questionável do produto que chega às torneiras, como contou o engenheiro Lucas Lima, que gasta, mensalmente, R$ 28,00 com a compra de galões. “Opto pela água mineral, porque não confio na limpeza das tubulações da água que chega pela torneira. Além disso, meu prédio é abastecido por poço artesiano próprio, a água não é filtrada, e como não tenho bebedouro com filtro, utilizo água mineral”, explicou.

Riscos
Mas, associada à necessidade de hidratação do organismo, deve estar a preocupação com a segurança do produto. Isso porque já houve denúncias de venda de água imprópria para beber como sendo mineral.

Em 2013, um estudo encomendado pela organização H2Ong ao Laboratório de Química da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) avaliou a qualidade da água mineral comercializada na capital maranhense. Das cinco marcas analisadas - Floratta, Indaiá, Lençóis Maranhenses, Mar Doce e Psiu –, uma apresentou desconformidade nos parâmetros de qualidade. Na amostra da água mineral, Floratta foi encontrada quantidade de coliformes totais, quatro vezes acima do limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Casos de comercialização de água de torneira em garrafas de água mineral também já foram alvo de denúncia em São Luís. Tais ocorrências deixam vendedores e consumidores ainda mais alertas para os riscos e cuidados que devem ser considerados no momento da compra desses produtos.

“O consumidor tem de se manter atento a alguns detalhes. Não é todo ponto de revenda ou distribuidor de água que está autorizado a vender o produto. É preciso, entre outras coisas, conferir se há o selo da Secretária de Estado da Fazenda [Sefaz] no lacre do garrafão, pois é isso que garante a qualidade da água para o consumo. As condições do garrafão também precisam ser consideradas, pois eles têm o prazo de validade de três anos. O consumidor que, por acaso, sentir qualquer incômodo, gosto ou cheiro ao consumir água mineral, deve procurar o revendedor e exigir, no mínimo, a troca”, esclareceu Ricardo Andrade, distribuidor de água mineral.

O Estado manteve contato com a Prefeitura de São Luís para questionar quais são os procedimentos realizados pela Vigilância Sanitária para garantir a qualidade da água mineral comercializada na cidade, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

SAIBA MAIS

Água de beber
Para ser considerada potável, a água deve apresentar quatro características: ser insípida (não ter gosto), inodora (não ter cheiro), incolor (não ter cor) e ser desprovida de microrganismos que causam doenças, como os coliformes fecais. A água potável vinda da rua pode ser bebida, mesmo apresentando o conhecido “gosto de torneira”, fruto do cloro usado no tratamento e dos metais presentes na água. Segundo especialistas em água de reúso, 500 microorganismos a cada cem mililitros de água reservada em uma caixa d’água limpa é um indicativo de água de boa qualidade.

Água não tratada causa doenças
Em locais onde a água não é tratada, os moradores ficam mais suscetíveis a beber água de má qualidade e, consequentemente, a contrair bactérias como a Salmonella, que causa a febre tifoide, e Escherichia coli, que causa diarreia, infecção urinária e colite, além de doenças como o cólera e toxoplasmose, de acordo com a infectologista Heloísa Ramos Lacerda, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia. Há maior risco de contrair, principalmente, infecções gastrointestinais pelo contato com bactérias ou protozoários.
O governo seja responsável pela qualidade da água que chega às residências, que deve respeitar o padrão estabelecido na legislação brasileira, 23,8 milhões de lares brasileiros não contam com saneamento básico, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013, divulgado em setembro deste ano.

Água mineral X água potável

Diferentemente da água potável que suscita muitas dúvidas, a água mineral é considerada confiável por ser retirada de fontes naturais e ter função medicamentosa, isto é, minerais que fazem bem à saúde. Porém, algumas amostras também passam por testes de qualidade que avaliam se a quantidade de minerais em sua composição é indicada para consumo humano e se ela está livre de organismos que causam doenças, de acordo com a legislação brasileira.

A água mineral tem diferentes componentes, incluindo minerais como o ferro e o magnésio. Para ser benéfica à saúde, a água mineral deve ter 500 miligramas de minerais por litro. É o decreto-lei 7.841, de 8 de agosto de 1945, da Presidência da República, que dispõe as normas para a extração e o comércio deste tipo de bebida desde então.

Depois de retirada da fonte, a água mineral deve ser diretamente engarrafada e armazenada em local fresco e arejado para se manter segura para o consumo. A água mineral, em si, não tem prazo de validade, mas a forma como ela é estocada pode fazer o líquido ser contaminado e se deteriorar, por isso o consumidor tem que avaliar se a água está bem armazenada, se a garrafa não parece gasta. O recomendável é que ela fique longe do sol, pois isso afeta a qualidade do líquido e, se houver alguma contaminação, pode desenvolver algas dentro do frasco.

Uma das desvantagens da água mineral em relação à água potável é a falta de flúor em sua composição, embora haja água mineral fluoretada. O flúor é um forte aliado na redução da incidência de cáries. Apesar de terem o mesmo poder de hidratação das águas minerais não gasosas, as que contêm gás têm dióxido de carbono, composto químico capaz de aumentar o risco de osteoporose. A água mineral também tem sódio que em quantidades maiores do que o recomendado (200 miligramas por litro), aumenta o risco de várias doenças.

Segundo especialistas, o dióxido de carbono composto na água tende a competir com o cálcio, diminuindo sua absorção no organismo e aumentando o risco de osteoporose. Além disso, se tiver sódio em excesso na água, seu consumo pode aumentar o risco de desidratação, hipertensão, cálculo renal ou de bexiga e problemas cardíacos.

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