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Focos de incêndios florestais são reduzidos em 90% no Maranhão

Força-tarefa do Exército, Corpo de Bombeiros e outros órgãos está há 12 dias atuando no interior; Maranhão é o sexto no ranking de queimadas do Brasil
Nelson Melo / O Estado10/09/2019
Focos de incêndios florestais são reduzidos em 90% no MaranhãoCom a atuação de tropas do Exército, CBM e Centro Tático Aéreo, queimadas estão sendo reduzidas no estado (Divulgação)

Em 12 dias de incursões do Exército e Corpo de Bombeiros Militar (CBM) no interior do Maranhão, já hou­ve uma redução de 90% nos índices de queimadas, conforme dados divulgados pelo 24º Batalhão de Infan­taria de Selva (24º BIS). As ações, que fazem parte da “Operação Verde Brasil”, estão acontecendo no Parque Estadual do Mirador, na Região dos Cocais e na cidade de Humberto de Campos. O Maranhão está ocupando o sexto lugar entre os estados com mais focos de incêndios florestais neste ano.

As tropas do Exército saíram a campo, da sede do 24º BIS, em São Luís, no dia 28 de agosto, em direção aos municípios maranhenses que seriam alvo da “Operação Verde Brasil”. Em duas semanas de incursões, os militares, juntamente com o CBMMA, conseguiram reduzir em 90% a quantidade de queimadas. Também no apoio, está atuando o Centro Tático Aéreo (CTA), que realiza sobrevoos nas áreas florestais, e o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA).

“Efetivamente, as tropas se deslocaram no dia 28 de agosto. No início da operação, mesmo antes de empregarmos a tropa, havia registros de até 404 focos de queimadas. Na semana passada, houve registros de apenas 5 focos de incêndio no estado”, frisou o tenente-coronel Sousa Filho, comandante do 24º BIS. Ele disse que esses números podem ser verificados no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

“Houve redução de 90%, só que de maneira ainda pontual, pois esses números são muito flutuantes. Há dias em que voltam a ter mais de 50 focos ou cerca de 100. É uma redução considerada desde o início da operação, mas não está uma situação estabilizada”, ponderou o oficial do 24º BIS. Segundo o tenente-coronel, o levantamento está sendo feito juntos os demais órgãos que participam das ações. “Estamos planejando operações que podem ser desencadeadas em breve. Até porque os resultados nos focos de queimadas reduziram bastante”, expressou Sousa Filho.

Ventos fortes
O comandante do CBMMA, coronel Célio Roberto, comemorou a redução e enalteceu a participação dos militares da corporação. De acordo com ele, mesmo antes do início da força-tarefa com o Exército, BPA e CTA, o Corpo de Bombeiros já estava atuando na região, pois são ações constantes que acontecem durante todo o ano. “Lá em Mirador, o Corpo de Bombeiros Militar tem como coordenador o capitão Machado, um oficial muito experiente e competente. Como resultado das nossas intervenções no com­bate às queimadas, conseguimos retirar Mirador como a cidade com o maior número de focos de calor do Brasil. Isso é uma grande vitória”, esclareceu o oficial.

Conforme Célio Roberto, os bombeiros militares são os profissionais capacitados para atuar nesse tipo de ação, tanto que passam por 4 meses de curso de incêndio em vegetação. O comandante explicou que um dos cuidados que o bombeiro tem é nunca combater as queimadas contra o ven­to, mas, sim, a favor. “Caso isso não seja respeitado, quem está apagando o fogo pode ser cercado pelas chamas. Então, neste mês de setembro, período marcado por ventos muito fortes, é preciso muito cuidado, uma vez que o vento muda de direção de forma abrupta”, pontuou o comandante.

Decretos
Célio Roberto também atribuiu a redução em 90% aos decretos do Governo do Estado e da Presidência da República proibindo queimadas no Maranhão e no Brasil, respectivamente, tendo em vista que nem sempre as pessoas incendeiam áreas de mato para plantio.

Ele frisou que o CBMMA não autorizou nenhuma queimada e que há mais militares atuando na capital. “Nós estamos com mais quatro equipes para atuar em São Luís, onde os focos de incêndios são baixos, se comparados com o interior”, frisou o oficial.

Sala de Situação
Desde o início da operação, está em atividade uma Sala de Situação, que está montada na sede da Defesa Civil, na região central de São Luís. O objetivo é monitorar os focos de incêndio no Estado, ainda mais nesse segundo semestre, quando o período da seca, de estiagem, é intensificado. Desse centro de comando, que contém integrantes do Exército e BPA, as regiões do Maranhão são estudadas para que as medidas de prevenção e combate às queimadas sejam executadas pela força-tarefa.

Concomitantemente à colocação da Sala de Situação, 150 integrantes do Exército foram capacitados pelo CBMMA para combater e prevenir as queimadas. O treinamento aconteceu no quartel do 24º BIS, no bairro João Paulo, em São Luís. Na ocasião, os bombeiros ministraram aulas para que os militares das Forças Armadas consigam debelar o fogo no menor tempo possível e de forma eficiente, a fim de evitar que as chamas se espalhem com rapidez. Esta capacitação durou dois dias e foram utilizadas diversas técnicas com equi­pamentos distintos.

Operação Verde Brasil
O 24º BIS continua com tropas desdobradas em sua área de responsabilidade, com a finalidade de combater os incêndios florestais e os crimes ambientais no Maranhão e Pará. O Exército permanece com uma fração de 35 militares em Mirador/MA e outra, com a mesma quantidade de homens, em Itaituba/PA. Neste último caso, há o reforço de guarnições do 53º Batalhão de Infantaria de Selva. No último dia 3 de setembro, o 24º BIS deslocou 35 militares para Porto Rico/MA.

“No dia 4, foram deslocados militares para Peritoró/MA e, posteriormente, para Humberto de Campos/MA. Ainda no contexto da Ope­ração Verde Brasil, o batalhão realizou palestras de educação ambiental em 12 escolas públicas e privadas da capital ludovicense, atingindo cerca de 1.000 estudantes”, frisou a Comunicação Social do 24º BIS.

Segundo o comandante do 24º BIS, a segunda etapa da operação vai focar no combate a crimes ambientais, em especial na área de reserva indígena, a fim de coibir a prática do garimpo, da extração ilegal de madeira e desmatamento, com o apoio de outros órgãos, como Polícia Federal (PF) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

7.150 focos
Do dia 1º de janeiro a 8 de setembro, já ocorreram 7.150 focos de queimadas no Maranhão, representando um aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2018, que encerrou com 6.263. Com essa quantidade, o Estado está na sexta colocação no ranking nacional, perdendo para o Mato Grosso, com 19.711 focos; Pará, com 13.535; Amazonas, com 9.110; Tocantins, com 8.565, e Rondônia, com 7.827.

Somente no domingo, 8, foram registrados 375 focos de incêndios florestais no Maranhão, conforme o Inpe.

SAIBA MAIS

Focos no Maranhão
(focos de incêndio de 1º de janeiro a 8 de setembro de cada ano)
2019 – 7.150
2018 – 6.263
2017 – 7.714
2016 – 9.135
2015 – 9.420
2014 – 9.509
2013 – 5.485

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