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Três casos de sarampo confirmados na capital e interior do Maranhão

Casos aconteceram em São Luís, Vitorino Freire e Lago da Pedra; SES diz que estado alcançou a cobertura vacinal de 68,52% em relação à primeira dose
Nelson Melo / O Estado04/09/2019
Três casos de sarampo confirmados na capital  e interior do MaranhãoDoses extras da vacina contra o sarampo estão sendo distribuídas pelo MS (De Jesus / O ESTADO)

Mais dois casos de sarampo no Maranhão foram confirmados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) em nota emitida ontem, 3. De acordo com o órgão do Governo do Estado, duas pessoas foram atingidas pela doen­ça em São Luís e no município de Lago da Pedra. Além desses dois, já havia um caso em Vitorino Freire, totalizando três. O Ministério da Saúde já começou a enviar 1,6 milhão de doses extras da vacina tríplice viral a todos os estados brasileiros.

A SES afirmou, em nota, que há três casos de sarampo confirmados no Maranhão. Em Vitorino Freire, uma mulher de 48 anos está com a doença. Em Lago da Pedra, a paciente é uma menina de oito meses. Em São Luís, um homem de 33 anos contraiu a doença, sendo a ocorrência mais recente no estado com relação ao surto ativo. “Os casos de Vitorino Freire e da capital apresentaram a doença após retomarem de viagem ao estado de São Paulo”, frisou o órgão.

Caso de 1999
No Maranhão, o último registro da doença - antes do primeiro caso confirmado em 2019, em Vitorino Freire - havia sido na cidade de Coelho Neto, na Região dos Cocais. A Secretaria de Estado da Saúde disse que essa situação aconteceu em 1999, ou seja, há 20 anos.

Cobertura vacinal
Conforme a Secretaria de Estado da Saúde, a vacinação segue a orientação do Ministério da Saúde, sendo os municípios maranhenses responsáveis pela atividade de imunização da população das Unidades Básicas de Saúde (UBS). De acordo com o órgão, até o momento o Maranhão alcançou a cobertura vacinal de 68,52% em relação à primeira dose da vacina tríplice viral, que engloba o sarampo, caxumba e rubéola, ministrada aos 12 meses e com 52,19% de cobertura vacinal na segunda dose.

“A meta é chegar a 95% do grupo salvo”, diz a SES. Com relação ao bloqueio vacinal dos contatos diretos dos casos confirmados, a Secretaria frisou que este procedimento foi realizado por determinação do Ministério da Saúde. “Assim como solicitou lista nominal de contatos sociais – local de trabalho e outros ambientes –, de acordo com o roteiro da linha cronológica do caso, traçado pela equipe de investigação municipal e estadual”, destaca a Secretaria de Saúde.
“Por fim, ressalta que, até o momento, a orientação do Ministério da Saúde é a vacinação de rotina, isto é, todas as UBS dos municípios estão com vacinas disponíveis para imunizar crianças e adultos na faixa etária de 6 meses a 49 anos”, enfatiza a SES.

Dose extra
Na semana passada, o Ministério da Saúde começou a enviar 1,6 milhão de doses extras da vacina tríplice viral a todos os estados, para garantir a dose-extra contra o sarampo em todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias. No total, segundo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, são 2,9 milhões de crianças que não receberam a chamada “dose zero”. Somente para os 13 estados em situação de surto ativo do sarampo, serão destinadas 960.907 doses.

O envio de doses extras da vacina é uma resposta imediata do governo federal em decorrência do aumento de casos da doença em al­guns estados, como frisou o Ministério da Saúde. Desse total, 56% já foram enviados para São Paulo, que concentra 99% dos casos.

Vacinação
A vacinação contra o sarampo começou no último dia 22 em todo o Brasil, seguindo determinação do Ministério da Saúde, para crianças de seis meses a menores de 1 ano. Segundo o órgão do governo federal, essa medida preventiva deve alcançar 1,4 milhão de crianças, que não receberam a dose extra chamada de “dose zero”, além das previstas no Calendário Nacional de Vacinação, aos 12 e 15 meses.

Na rotina do Sistema Único de Saúde (SUS), a tríplice viral está disponível em todos os mais de 36 mil postos de vacinação em todo o Brasil.

A vacina previne também contra rubéola e caxumba. Neste ano, o Ministério já enviou para os estados 17,7 milhões de doses da vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola. Esse quantitativo é para atender a vacinação de rotina, conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, em todos os estados do País, bloqueio vacinal e para intensificar a vacinação de crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias de idade.

A vacina é a principal forma de tratamento do sarampo. É importante esclarecer que a chamada “dose zero” não substitui e não será considerada válida para fins do calendário nacional de vacinação da criança. Assim, além dessa dose que está sendo aplicada agora, os pais e responsáveis devem levar os filhos para tomar a vacina tríplice viral (D1) aos 12 meses de idade (1ª dose); e aos 15 meses (2ªdose) para tomar a vacina tetra viral ou a tríplice viral + varicela, respeitando-se o intervalo de 30 dias entre as doses. A vacinação de rotina das crianças deve ser mantida independentemente de a criança ter tomada a “dose zero” da vacina.

Com relação ao bloqueio vacinal, a SES já se manifestou e anunciou que seguiu orientação do Ministério da Saúde. Esse bloqueio significa que, em situação de surto ativo do sarampo, quando identificado um caso da doença em alguma localidade, é preciso vacinar todas as pessoas que tiveram ou têm contato com aquele caso suspeito em até 72 horas.

O sarampo
O sarampo é causado por um vírus altamente contagioso – 90% das pessoas sem imunidade que compartilham espaços com pessoas contaminadas contraem a doença, sendo transmitido através do contato com gotículas do nariz, da boca ou da garganta da pessoa infectada, quando ela tosse, espirra e respira.

Os sintomas se manifestam entre 10 e 14 dias após a exposição ao vírus e incluem coriza, tosse, infecção nos olhos, erupção cutânea e febre alta. Três a cinco dias após o início dos sintomas, uma erupção cutânea explode. Geralmente, começa como manchas vermelhas planas que aparecem no rosto na linha do cabelo e se espalham para o pescoço, tronco, braços, pernas e pés.

O diagnóstico clínico do sarampo demanda um histórico de febre de pelo menos três dias e a presença de pelo menos um dos três seguintes sintomas: tosse, coriza ou conjuntivite. Grupos de pequenas manchas brancas no interior da boca, conhecidas como manchas de Koplik, também são um sinal de sarampo. Essas manchas geralmente aparecem dois dias antes da coceira característica do sarampo.

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