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Após 20 anos, primeiro caso de sarampo é registrado no Maranhão

Caso aconteceu na cidade de Vitorino Freire; segundo a Secretaria de Saúde do Maranhão, a pessoa contraiu a doença em viagem a São Paulo
Nelson Melo23/08/2019
Após 20 anos, primeiro caso de sarampo é registrado no MaranhãoNesta quinta-feira, 22, teve início a campanha nacional de vacinação contra o sarampo, conforme o MS (De Jesus / O ESTADO)

SÃO LUÍS - O Ministério da Saúde divulgou um boletim epidemiológico acerca da disseminação de saram­po em todo o Brasil neste ano, nos municípios com surto ativo da doen­ça. Segundo o órgão do Governo Federal, houve um caso no Maranhão, na cidade de Vitorino Freire. Desde 1999, o estado não registrava incidência do sarampo, ou seja, há 20 anos. Do dia 19 de maio a 10 de agosto, ocorreram 1.680 casos da doença no território brasileiro.

Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na terça-feira, 20, além do Maranhão, o surto ativo do sarampo também foi registrado em outros 10 estados da Federação, que são Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Piauí, Goiás, Pernambuco e Sergipe. São Paulo lidera o ranking com 62 cidades afetadas com a doença. Na sequência, aparece o Rio de Janeiro, com quatro municípios. O Maranhão e os demais estados empatam, com apenas uma cidade.

Último ocorreu em Coelho Neto
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), ao ser questionada por O Estado sobre a presença da doença no Maranhão, informou que o último caso foi registrado em 1999, no município de Coelho Neto, na Região dos Cocais. “Desde então, não havia registro de outros casos, até a confirmação deste de Vitorino Freire, com pessoa que contraiu a doença durante viagem à cidade de São Paulo”, ressalta o órgão, em nota.

Nacionalmente, nos últimos 90 dias, de 19 de maio a 10 de agosto, 1.680 casos de sarampo foram confirmados em 11 unidades federativas. Em São Paulo, foram 1.662 casos, seguido do Rio de Janeiro, com 6, e Pernambuco, com 4. No Paraná, Goiás, Maranhão, Rio Gran­de do Norte, Espírito Santo, Sergipe e Piauí, ocorreu um caso em cada um desses estados.

Campanha já começou
Ontem, 22, teve início a vacinação, em todo o Brasil, contra o sarampo, seguindo determinação do Ministério da Saúde, para crianças de seis meses a menores de 1 ano. Segun­do o órgão do Governo Federal, essa medida preventiva deve alcançar 1,4 milhão de crianças, que não receberam a dose extra, chamada de “dose zero”, além das previstas no Calendário Nacional de Vacinação, aos 12 e 15 meses.

Devido à campanha, o Ministério enviará 1,6 milhão de doses a mais para os estados. “O objetivo é intensificar a vacinação desse público-alvo, que é mais suscetível a casos graves e óbitos”, frisa o órgão em seu portal oficial. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, disse que a grande preocupação é com as crianças, porque em surtos anteriores essa faixa etária (menores de 1 ano) foi a mais afetada, com registros de óbitos.

“Por isso, é preciso que todas as crianças na faixa prioritária sejam imunizadas contra o vírus do sarampo, considerando a possibilidade de trânsito de pessoas doentes para regiões afetadas e não afetadas”, esclareceu o secretário. Segundo o Ministério da Saúde, há um planejamento de compra da vacina, tendo como base o número de pessoas que devem ser vacinadas, considerando as ações, as ações de bloqueio para interromper a cadeia de transmissão e as doses adicionais para crianças de seis meses a menores de um ano. “O Ministério da Saúde já reiterou junto aos estados e municípios a orientação para que as estratégias sejam restritas a essas situações, evitando que ocorra possível desabastecimento da vacina”, afirmou o órgão.

Ainda de acordo com o Ministério, a chamada “dose zero” não substitui e não será considerada válida para fins do calendário nacional de vacinação da criança. “Assim, além dessa dose que está sendo aplicada agora, os pais e responsáveis devem levar os filhos para tomar a vacina tríplice viral (D1) aos 12 meses de idade (1ª dose); e aos 15 meses (2ªdose) para tomar a vacina tetra viral ou a tríplice viral + varicela, respeitando-se o intervalo de 30 dias entre as doses. A vacinação de rotina das crianças deve ser mantida independentemente de a criança ter tomada a ‘dose zero’ da vacina”, esclareceu o órgão.

Deste modo, a vacinação de rotina das crianças deve ser mantida independentemente de a criança ter tomado a “dose zero” da vacina. O Ministério da Saúde declarou que a tríplice viral está disponível em todos os mais de 36 mil postos de vacinação em todo o Brasil, e previne, também, contra caxumba e rubéola.

Bloqueio vacinal
Em nota, a Secretaria de Saúde do Maranhão informou que já realizou o bloqueio vacinal, conforme orientação do Ministério da Saúde. Esse bloqueio significa que, em situação de surto ativo do sarampo, quando identificado um caso da doença em alguma localidade, é preciso vacinar todas as pessoas que tiveram ou têm contato com aquele caso suspeito em até 72 horas.

“Por fim, a secretaria comunica que já foi realizado o bloqueio vacinal dos contatos diretos, assim como solicitado lista nominal de contatos sociais – local de trabalho e outros ambientes – de acordo com o roteiro da linha cronológica do caso, traçado pela equipe de investigação municipal e estadual”, diz a nota da SES. Nessas situações, o Ministério da Saúde recomenda que sejam realizadas de forma seletiva, ou seja, não há necessidade de revacinação das pessoas que já foram vacinadas anteriormente e que têm comprovação vacinal.

Vacinas estão disponíveis
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) comunicou que a vacina contra o sarampo está disponível em todas as unidades de saúde de São Luís, de segunda-feira a sexta-feira. “A Semus informa que equipes da pasta estão gerando a sensibilização nas escolas, alertando quanto aos sintomas e fazendo avaliação da cobertura vacinal aos estudantes”, complementou o órgão da Prefeitura de São Luís.

SAIBA MAIS

Íntegra da Nota da SES

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que as campanhas de vacinação seguem a orientação do Ministério da Saúde, sendo os municípios maranhenses responsáveis pela atividade de imunização da população nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Até o momento, a orientação do Ministério da Saúde é vacinação de rotina, isto é, todas as Unidades Básicas de Saúde dos municípios estão com vacinas disponíveis para imunizar crianças e adultos na faixa etária de 12 meses a 49 anos. Excepcionalmente, o Ministério vai disponibilizar novas doses de vacina contra o sarampo para as crianças de 6 meses a menor de 11 meses. Vale ressaltar que essas crianças devem receber as doses de rotina conforme recomendado pelo MS, a partir dos 12 meses, normalmente.


A Secretaria ressalta que realizou a divulgação do caso de sarampo, no dia 9 de setembro, por meio do envio de release e postagem no perfil oficial da SES nas redes sociais. Além disso, disponibilizou porta-voz aos veículos de comunicação da capital e do interior com a finalidade de orientar à população a buscar a vacina nas UBS e esclarecer sobre as medidas adotadas pelo Estado, em parceria com os municípios, para evitar a transmissão da doença.

No Maranhão, o último caso de sarampo foi registrado em 1999, no município de Coelho Neto. Desde então, não havia registro de outros casos até a confirmação deste de Vitorino Freire, com pessoa que contraiu a doença durante viagem a cidade de São Paulo.

Por fim, a Secretaria comunica que já foi realizado o bloqueio vacinal dos contatos diretos, assim como solicitado lista nominal de contatos sociais – local de trabalho e outros ambientes – de acordo com o roteiro da linha cronológica do caso, traçado pela equipe de investigação municipal e estadual.

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