Cidades | Reforma

AML será reformada pelo Iphan em programa de revitalização

Processo licitatório está em fase de conclusão, e as obras devem começar em agosto
27/07/2019
AML será reformada pelo Iphan em programa de revitalização Academia Maranhense de Letras passará por reforma em breve, segundo o Iphan (Biné Morais / O ESTADO)

SÃO LUÍS - As obras de revitalização da região central de São Luís entrarão em nova etapa neste segundo semestre, tendo como ênfase a reabilitação dos espaços e preservação do conjunto arquitetônico e as referências culturais. Uma das novidades será a reforma da Academia Maranhense de Letras (AML), localizada na Rua da Paz. Sob a coordenação do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o projeto deverá começar em agosto, com recursos federais na ordem dos R$ 230 mil.

Durante uma reunião ocorrida na sede da AML - que vai completar 111 anos de existência em agosto -, na tarde de quinta-feira, 25, Kátia Bogeá, presidente do Iphan, esclareceu que, como a Academia Maranhense de Letras integra a categoria de tombamento isolado (isso desde a década de 1960), “o grau de cuidado é maior”. Sem contar que está dentro do conjunto tombado como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Esses detalhes, de acordo com ela, colocam a capital maranhense como um importante centro de trabalhos literários e culturais. Nesse sentido, torna-se uma obrigação do Iphan proteger e conservar a AML por compor esse rico patrimônio, que contém a história da cidade e guarda tradições. Segundo Kátia Bogéa, serão investidos R$ 230 mil nas obras de reparos do prédio, que abrangerá o telhado, muito antigo; a pintura e as infiltrações, que são constantes na estrutura do imóvel.

Conforme a presidente do Iphan, o processo licitatório está em fase de conclusão. Cinco empresas concorrem para promover a revitalização do prédio. A reabertura da licitação, inclusive, será no próximo dia 29 de julho, como declarou Maurício Itapary, superintendente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão. Ele destacou a importância de preservar as riquezas patrimoniais, culturais e literárias, ainda mais quando está em jogo a AML, que também é conhecida como Casa de Antônio Lobo, em homenagem a um de seus escritores fundadores.

Prédio será desocupado

Também presente na reunião, que contou com a participação dos demais imortais da Academia, o escritor Benedito Buzar, presidente da AML, comemorou o projeto de revitalização do prédio e frisou que recebeu a notícia do Iphan com muito entusiasmo. Nascido em Itapecuru-MA e bacharel em Direito, ele comentou que o imóvel, de fato, está necessitando de reforma, sobretudo o telhado, que, desde a fundação da entidade, em 10 de agosto de 1908, passou por algumas trocas, mas nada de forma completa e definitiva.

Questionado por O Estado, Bu­zar informou que, durante as obras de reparo, o prédio da AML será desocupado. Os imortais, nesse intervalo, passarão a se reunir no imóvel de um dos confrades da Casa de Antônio Lobo, o escritor Carlos Gaspar, nas proximidades da academia.

SAIBA MAIS

Outras obras do Iphan para o segundo semestre

Durante o encontro na AML, Kátia Bogéa destacou que o programa de revitalização de São Luís está com 9 obras em andamento, mas, no total, são 44 ações em um projeto de R$ 133 milhões oriundos de recursos federais em parceria com a Prefeitura de São Luís e a Vale. A presidente citou como exemplo as intervenções no Complexo Deodoro; na Rua Grande; a antiga Fábrica Santa Amélia, na Rua Cândido Ribeiro, e o antigo prédio da Junta Comercial do Maranhão (Jucema), na Praça Pedro 2.

Ela mencionou, ainda, obras de revitalização em três logradouros de São Luís: Praça João Lisboa, Largo do Carmo e Praça das Mercês. Esse projeto de requalificação urbano e de resgate do conjunto arquitetônico da capital maranhense vai se iniciar nesse segundo semestre, com previsão de encerramento entre oito meses a um ano, conforme anunciou o superintendente Maurício Itapary.

Breve histórico da AML

A AML foi fundada a 10 de agosto de 1908, por Antônio Lobo, Alfredo de Assis Castro, Astolfo Marques, Barbosa de Godóis, Corrêa de Araújo, Clodoaldo Freitas, Domingos Barbosa, Fran Paxeco, Godofredo Viana, I. Xavier de Carvalho, Ribeiro do Amaral e Armando Vieira da Silva. Foi considerada de utilidade pública pelo Decreto nº 92, de 19 de novembro de 1918, do governador Urbano Santos da Costa Araújo. Esse ato determinava que o Estado daria à Academia “sede condigna, no edifício a construir-se para a Biblioteca Pública”, e que a Imprensa Oficial lhe editaria a Revista.

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