Cidades | LAZER EM RISCO

Impróprias desde dezembro do ano passado, praias são opção de lazer

Reta final do período de férias levou famílias às praias na Av. Litorânea; laudos de balneabilidade apontam impropriedade em 100% dos pontos
MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO25/07/2019
Praia ainda é o maior espaço de lazer nas férias na capital, apesar da impropriedade da água

É consenso que as praias são as principais atrações em dias de descanso e lazer em São Luís. Nas férias escolares, a escolha torna-se ainda mais frequente. Nesta reta final do período, nem mesmo os laudos de balneabilidade negativos há 30 semanas – desde dezembro de 2018 indicando impropriedade em 100% dos pontos analisados – inibiram a visita à orla. Na manhã de ontem (24), as praias do Caolho, Calhau e São Marcos, na Avenida Litorânea, estavam repletas de famílias e grupos de amigos que desfrutaram os últimos dias folga, ao ar livre.

Sol, mar e areia são os preferidos entre a maioria dos ludovicenses. Proporcionando diversão e descanso na reta final das férias escolares, as muitas famílias optaram por ir à praia, entre elas, a da professora Fátima Soares. “Nós viajamos com as crianças no início das férias, mas não queríamos deixar esses últimos dias vagos e optamos por trazê-las à praia. Elas se divertem bastante, brincam na areia, tomam um banho de mar e nós, adultos, também aproveitamos do lazer e descanso”, declarou a educadora.

Apesar do momento proveitoso, é necessário manter-se atento aos cuidados que precisam ser tomados no que se refere à saúde dos banhistas e frequentadores da orla de São Luís, principalmente no que diz respeito às condições das praias. De acordo com laudo de balneabilidade divulgado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), na última semana (quinta-feira, 18), todos os 21 pontos mapeados na Grande São Luís continuavam impróprios para o banho.

Fato que se deve à discrepante quantidade de coliformes fecais e bactérias presentes na água do mar e que caminha ao encontro de como tem sido feito o tratamento de esgoto em São Luís e Região Metropolitana.

A realidade, que não impede a visita de moradores da capital e turistas à orla, é a mesma há 30 semanas – visto que desde dezembro o resultado das análises é o mesmo – e gera preocupação e cuidados por aqueles que se mantém atentos às condições das praias.

A estudante Karina Costa não deixa de conferir os laudos antes de escolher o trecho que visita, mas, diante da impropriedade de 100% dos pontos analisados, adotou outros critérios de escolha. “Gosto muito de praia e, sempre que tenho uma folga, tento vir. Antes, dou uma olhada no boletim de balneabilidade para saber qual praia tem condições de banho e, como nos últimos dias todas têm apresentado impropriedade, o jeito é escolher a menos pior. Agora, eu venho para a mais próxima de casa e me privo de banhar no mar. Apenas admiro a vista, pego um sol, tomo uma água de coco e, ainda assim, tomo uma ducha antes de ir embora, para evitar qualquer tipo de inconveniente”, explicou.
Balneabilidade

A classificação da balneabilidade é a indicação da qualidade das águas destinadas à recreação de contato direto e prolongado, como natação, mergulho e lazer. É realizada por meio da coleta de amostras de águas e análise laboratorial para a avaliação de indicadores coliformes termotolerantes.

Como são feitos os testes
Os testes de balneabilidade são simples e feitos por amostragens. Biólogos retiram do mar amostras da água em diferentes pontos da praia e em diferentes profundidades. Estas amostras são levadas para os laboratórios especializados, onde são feitas as contagens de bactérias fecais presentes nas amostras – que não pode ser superior a 100 enterococcus (gênero de bactéria) por 100 ml – e, então, é determinado se a praia está apropriada ou não para o banho.

Porém, este resultado não é obtido somente por uma medição. São apurados os resultados de cin­co medições realizadas durante uma semana para obter o laudo. Se em duas destas medições o número de bactérias for maior que o determinado como seguro, a praia é considerada imprópria para banho.

SAIBA MAIS

Doenças mais comum transmitida pelo mar poluído

As mais comuns são as gastroenterites, que podem ser causadas por bactérias ou protozoários, como as amebas, ou por vírus, como o rotavírus e o norovírus. Esses micro-organismos entram no corpo em contato com a água contaminada e pode desencadear vômito, diarreia, cólicas, febre e até sangue nas fezes.

Pontos impróprios para o banho segundo relatório

Pontos impróprios para o banho, segundo relatório
Praia da Ponta d’ Areia – Ao lado do Forte Santo Antônio
Praia da Ponta d’ Areia – Atrás do Hotel Praia Mar
Praia da Ponta d’ Areia – Atrás do Bar do Dodô
Praia da Ponta d’ Areia – Em frente à Praça de Apoio ao Banhista
Praia da Ponta d’ Areia – Em frente ao Edifício Herbene Regadas
Praia da Ponta d’ Areia – Em frente ao Hotel Brisa Mar I
Praia de São Marcos – Em frente aos Bares Do Chef e Marlene’s
Praia de São Marcos – Em frente à Barraca da Marcela
Praia de São Marcos – Em frente ao Agrupamento Batalhão do Mar
Praia de São Marcos – Em frente ao Ipem e ao Bar Kalamazoo
Praia de São Marcos – Foz do Rio Calhau I
Praia do Calhau – À direita da elevatória II da Caema
Praia do Calhau – Em frente à Pousada Tambaú
Praia do Calhau – Em frente ao Bar Malibu
Praia do Olho d’Água – A direita da Elevatória Pimenta
Praia do Olho d’Água – A direita da Elevatória Iemanjá II
Praia do Meio – Em frente ao Bar do Capiau I
Praia do Meio – Em frente ao Bar da Praia
Praia do Araçagi – Em frente ao Fatima’s Bar
Praia do Araçagi – Em frente ao Bar Novo Point
Praia do Araçagi – Em frente ao Bar do Isaac

Apesar de o laudo de balneabilidade atestar apenas a qualidade da água, a areia também fica comprometida

Areia da praia também pode estar poluída

Quando as condições de balneabilidade do mar forem desfavoráveis, é bom evitar o trecho também na faixa de areia, porque o contato pode resultar em doenças

A areia, onde muitas crianças brincam e muitas pessoas aproveitam para caminhar ou mesmo jogar futebol, também esconde perigos que não são revelados nos laudos de balneabilidade das praias, divulgados periodicamen­te pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) sugere, na Resolução 274/00, que a areia da praia também passe por verificações, o que não ocorre na Ilha.

Em 2017, em entrevista a O Estado, o professor de Biomedicina e então gestor ambiental e de saúde pública, Sílvio Marinho, já alertava sobre o assunto. “Quando se fala em poluição das praias, pensa-se sempre que o risco é só entrar no mar, mas a areia também é afetada. A resolução do Conama não determina que se analise a areia, mas sugere que isso seja feito. Então, quando as condições de balneabilidade do mar forem desfavoráveis, é bom evitar aquele trecho também na faixa de areia”, disse. O professor explicou, ainda, que a intensidade das chuvas agrava a situação. De acordo com o biomédico, o contato com água do mar ou a areia contaminada por resultar em doenças de pele ou outras doenças ocasionadas pela ingestão acidental da água.

A recomendação para avaliação da areia da praia está mencionada no artigo 8º da Resolução 274/00 do Conama, expressa da seguinte maneira: “Recomen­da-se aos órgãos ambientais a avaliação das condições parasitológicas e microbiológicas da areia, para futuras padronizações”.

FIQUE ATENTO

As águas serão consideradas impróprias quando, no trecho avaliado, for verificada uma das seguintes ocorrências:
- Não atendimento aos critérios estabelecidos para as águas próprias;

- Valor obtido na última amostragem for superior a 2.500 coliformes fecais (termotolerantes) ou 2.000 Escherichia coli ou 400 enterococos por 100 mililitros;

- Incidência elevada ou anormal, na região, de enfermidades transmissíveis por via hídrica, indicada pelas autoridades sanitárias;

- Presença de resíduos ou despejos, sólidos ou líquidos, inclusive esgotos sanitários, óleos, graxas e outras substâncias, capazes de oferecer riscos à saúde ou tornar desagradável a recreação;

- PH < 6,0 ou pH > 9,0 (águas doces), à exceção das condições naturais;

- Floração de algas ou outros organismos, até que se comprove que não oferecem riscos à saúde humana;

- Outros fatores que contraindiquem, temporária ou permanentemente, o exercício da recreação de contato primário.

Fonte: Conama

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