Cidades | Mortes continuam

Peixe em extinção é achado morto na praia de São Marcos, em São Luís

Um mero amanheceu na areia da praia de São Marcos, ontem (19), e foi recolhido por equipes de limpeza urbana; peixes foram encontrados mortos no fim de semana na área
20/06/2019
Peixe em extinção é achado morto na praia de São Marcos, em São LuísMero, um dos maiores peixes da costa brasileira, achado morto na praia de São Marcos (Paulo Soares/ O Estado)

SÃO LUÍS - Peixes mortos seguem sendo encontrados na orla da praia de São Marcos, em São Luís. Na manhã de ontem (19), um mero amanheceu na areia da praia e, horas depois, foi recolhido por equipes de limpeza urbana da capital.
O mero é considerado um dos maiores peixes da costa brasileira, podendo atingir mais de dois metros de comprimento e pesar mais de 400 kg. Atualmente, essa espécie está em fase de extinção. Sua fase de reprodução só começa quando ele atinge de 1,1 a 1,2 metro - entre 4 e 7 anos de idade - e pode viver mais de 40 anos.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enquadra a captura do mero na Lei nº 9.605/1998, Lei de Crimes Ambientais. De acordo com o Decreto nº 6.514 /2008, Art. 24, a quem “matar, perseguir, caçar, apanhar, coletar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida” será aplicada multa de “R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por indivíduo de espécie constante de listas oficiais de fauna brasileira ameaçada de extinção, inclusive da Convenção de Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES”, conforme o inciso II.

Dezenas de peixes
Reportagem publicada por O Estado nesta terça-feira (18), mostrou que dezenas de peixes foram encontrados mortos na mesma praia de São Marcos durante o fim de semana. O registro feito por um leitor do jornal. “Contei mais de 30 peixes mortos em uma área”, disse. Os peixes foram recolhidos da areia apenas na manhã da segunda-feira (17).
O caso chamou a atenção de quem passou pela praia neste final de semana. Os motivos exatos para saber a causa da morte em grande escala dos animais ainda são incertos. Segundo Antônio Carlos Castro, professor do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e ex-chefe do Labohidro, para a resposta ser exata é necessário que seja feita uma análise detalhada no tecido muscular, brânquias e outros órgãos internos dos animais.
“Por serem peixes de espécies diferentes, estamos trabalhando com a hipótese de que a causa da morte desses animais tenha sido estresse devido ao aumento de turbidez da água, decorrente da drenagem continental”, explica o professor.
A turbidez pode ser entendida co­mo a medida do espalhamento de luz dentro d’água, sendo um dos parâmetros de qualidade para avaliação das características físicas da água bruta e da água tratada. Uma consequência da turbidez excessiva em ambientes aquáticos é a diminuição da penetração da luz na água e, com isso, a redução da fotossíntese dos organismos vivos no mar.
“Os rios Anil, Bacanga e Paciência também podem ter corroborado pa­ra a morte desses animais, mas como nos falta a análise isso se trata apenas de uma hipótese”, destacou o professor Antônio Carlos. A poluição dos rios que deságuam no mar da São Luís, acompanhada da já poluição diária das redes de esgoto e falta de conscientização pública, podem ser fatores para o aumento da turbidez dos mares da região.

Possível solução
O Estado
questionou as secretarias responsáveis a respeito do caso das dezenas de peixes mortos encontrados na orla das praias de São Luís. Em nota, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que realiza o monitoramento da qualidade das águas marítimas e divulga o Laudo de Balneabilidade das Praias dos municípios de São Luís e São José de Ribamar semanalmente. Informou que equipes da Sema coletaram na segunda amostras que serão encaminhadas para análises bacteriológicas e fisico-químicas, a fim de identificar pontos de lançamentos irregulares de efluentes. Assim que todos os procedimen­tos iniciais forem concluídos, serão tomadas as devidas providências e aplicações de sanções penais cabíveis aos possíveis infratores.
A Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informou que executa obras de implantação de rede de esgotamento sanitário, interceptação, readequação e retirada de pontos irregulares de lançamento de esgoto em corpos hídricos, a exemplo do trabalho já desenvolvido na Lagoa da Jansen.
Atualmente, estas intervenções concentram esforços com maior intensidade nos Sistemas São Francisco e Vinhais, nas proximidades das sub-bacias dos Rios Claro, Pimenta e Canaã. Nessas localidades, a Companhia informa que já implantou mais de 35 quilômetros de rede coletora de esgoto; 2,5 quilômetros de linha de recalque de efluentes para transporte até as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE); aproximadamente quatro quilômetros de interceptores e cerca de três mil novas ligações prediais. Além da construção e conclusão de 11 novas Estações Elevatórias de Esgoto e construção da Estação de Tratamento de Esgoto do Anil, que está em andamento.

Espécie em extinção
O mero (Epinephelus itajara) é um peixe que apresenta um ritmo mais lento de crescimento, e sua época de reprodução é somente entre sete e 10 anos de idade. Pertence à mes­ma família (Epinephelidae) dos badejos, garoupas e chernes. Seus habitats naturais são manguezais, lo­­cais próximos a naufrágios e costões rochosos. A alimentação é baseada em crustáceos, raias e, até mesmo, tartarugas.

Saiba Mais

Praias impróprias

O mergulho no mar não é aconselhável nas praias da capital, pois todas seguem impróprias para banho, de acordo com dados da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). Em seu último relatório, a secretaria apontou que, dos pontos monitorados, nenhum está liberado para o banho.

O monitoramento foi realizado no período de 13 de maio a 10 de junho de 2019, integrando a série de acompanhamento semanal das condições de balneabilidade das praias da Ilha do Maranhão. Para o laudo, foram coletadas e analisadas amostras de água de 21 pontos distribuídos nas praias da Ponta d’Areia, São Marcos, Calhau, Olho d’Água, Praia do Meio e Araçagi. O monitoramento obedece aos padrões fixados na Resolução Conama nº 274/00.

Além da sujeira da água constada por laudos, é possível observar ainda saídas de esgotos que despejam dejetos nas praias, bem como o descaso com a infraestrutura dos locais. Na Avenida Litorânea, por exemplo, o calçadão da extensão da avenida sofre um violento processo de erosão.

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