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Rompimento de adutora causa transtornos em São Luís

Ruptura em trecho de antiga adutora do Italuís deixa pelo menos 80 bairros sem abastecimento; companhia responsável se manifestou por mais de uma vez, não resolveu o problema em prazos previstos e se desculpou
17/06/2019
Rompimento de adutora causa transtornos em São LuísMoradores da Rua da China, no Anjo da Guarda, em busca de água (Paulo Soares)

SÃO LUÍS – Pelo menos 80 bairros ficaram sem abastecimento de água nos últimos três dias em São Luís por causa de mais um rompimento do antigo trecho, de ferro fundido, da adutora Italuís, no km 56 da BR-135. A Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informou, no mesmo dia do ocorrido, sexta-feira (14), que o reparo só poderia ser iniciado às 11h daquela manhã, visto que a rodovia estava bloqueada em razão da Greve Geral em todo o país e as máquinas necessárias para os serviços ficaram impedidas de se dirigir até o local do rompimento. Até a tarde de ontem (16), moradores do Anjo da Guarda, um dos bairros afetados, formavam fila diante um chafariz na Rua da China em busca do líquido para consumo.

Não é a primeira vez que a população da capital sofre com a falta de abastecimento de água por dias. No ano passado, por exemplo, o Sistema Italuís, que faz o transporte quilométrico das águas do Rio Itapecuru, no município de Itapecuru Mirim, para a Grande São Luís entrou em colapso diversas vezes até que a nova adutora fosse ativada e a série de transtornos no sistema antigo fosse cessado, por meses, até esta última sexta-feira – fato que coincide com a grande movimentação turística na cidade em virtude do período junino. A insatisfação pública pela falta de água, por meio das redes sociais, foi um dos assuntos mais comentados pelos ludovicenses.

“Por ser uma capital, São Luís deveria melhorar essa questão do abastecimento de água, apesar de que a Caema sempre diz que a nova adutora já está em funcionamento. Embora tivesse passado um tempo sem a ocorrência desses transtornos, mas, ainda assim, a gente percebe que nenhuma melhoria de fato foi feita, porque em pleno período ter de passar por uma situação dessas, de três dias sem ver nem o rastro de água na torneira, é inaceitável, porque a população paga imposto e paga o consumo mensalmente”, declarou a universitária Danielle Silva, de 25 anos, moradora do bairro Santa Cruz.

Um nota emitida pela companhia no dia 15, segundo dia de desabastecimento, dizia que as fortes chuvas na noite de sexta-feira e madrugada de sábado atrapalharam os serviços de reparo na tubulação, mas que a conclusão, ainda assim, se daria, gradativamente, a partir de 14h do mesmo dia, o que não aconteceu e levou milhares de pessoas que dependem exclusivamente do abastecimento à busca de poços de vizinhos ou a outros pontos, como a população do Anjo da Guarda a um chafariz público, na procura de água para consumo.

Em nova nota, neste domingo (16), terceiro dia sem água na capital, a Caema informou que os serviços de reparo no antigo trecho, de ferro fundido, da adutora Italuís, no km 56 da BR-135, haviam sido efetivados e que o sistema voltou a operar às 9h30. Novamente, informou que a partir do início do bombeamento na manhã de ontem, ficaria garantido o retorno do abastecimento, mas moradores de diversos bairros ainda reclamavam a falta de água em suas residências que, até o fechamento desta edição, não havia sido normalizado. Em posicionamento ao Imirante.com, às 11h44, a companhia reiterou que o problema foi solucionado e que tem trabalhado diariamente para oferecer um serviço de qualidade à população. Por fim, se desculpou pelo transtorno causado.

“Eu, sinceramente, espero que a água volte como a Caema está prometendo, porque a situação ficará complicada se nós passarmos mais um dia sem. O mínimo que a companhia deve é respeito aos consumidores, e não desculpas de que estão trabalhando e fazendo o possível para resolverem o problema, porque de posicionamento a população já está cheia”, declarou o também universitário Efraim Leiver e morador do bairro João Paulo.

Nova adutora

Em maio de 2018, a Caema anunciou que a nova adutora do Sistema Italuís já estava em operação. De acordo com a Caema, o ganho com a nova adutora é de 30% no abastecimento para os 159 bairros atendidos pelo Italuís. Apesar disso, o problema registado ontem foi em uma parte onde os canos ainda antigos.

A complexidade da obra envolveu a substituição de 20 quilômetros de tubulação na região do Campo de Perizes. Ela foi construída com estrutura de aço de 1.400 milímetros – diferentemente da antiga, construída em ferro fundido de 1.200 milímetros e com boa parte da estrutura já degradada.

Como parte da obra, também foi feita a implantação de ponte de sustentação. A ponte tem 110 metros de comprimento, 16 metros de altura e pesa 350 toneladas.
Foi feita ainda a elevação da estrutura da adutora, evitando contato da tubulação com estuário de cunha salina (um ambiente aquático de transição entre um rio e o mar), comum na área.

Antes de chegar a São Luís, a água percorre um longo caminho. É captada no Rio Itapecuru, logo após a cidade de Bacabeira. Depois, ela é tratada em estação própria e, em seguida, percorre a adutora, que fica às margens da BR-135, até a câmara de transição situada no bairro do Tirirical. Só depois de tudo isso a água é distribuída para os reservatórios nos bairros da capital.

SAIBA MAIS

Números

80 bairros sem água

600 mil pessoas precisam dos serviços da nova adutora

Bairros atingidos

Apeadouro; Irmãos Coragem; Bairro de Fátima; Bom Milagre; Parque Amazonas; Alemanha; Caratatiua; Vila Ivar Saldanha; Alto da Vitória; João Paulo; Jordoa; Vila Palmeira; Barreto; Túnel do Sacavém; Santa Cruz; Vera Cruz; Cutrim; Radional; Coroado; Parque Pindorama; Parque do Nobres; Redenção; Barés; Filipinho; Sítio Leal; Sacavém; Coheb do Sacavém; Santo Antônio; Vila Conceição; Bom Jesus; Vila dos Frades; Parque Timbira; Alto do Parque Timbira; Primavera; Sítio do Pica Pau Amarelo; Coroadinho; São Cristóvão; Tirirical; Solar das Mangueiras; Parque Universitário; João de Deus; Sítio Pirapora; Vila Itamar; Parque Jaguarema; Parque Sielândia; Residencial Canaã; Alameda dos Sonhos; Vila Lobão; Parque Roseana Sarney; Santo Antônio; São Bernardo; Vila Brasil; Cohapan; Jardim São Cristóvão; Residencial João Alberto; Parque Sabiá; Jambeiro; Porto da Vovó; Sá Viana Novo; Sá Viana Velho; UFMA; Vila Bacanga; Vila Dom Luís; Vila Isabel; Vila Cerâmica; Vila Primavera; Vila Embratel; Vila Nova; Bonfim; Vila Verde; Fumacê; Anjo da Guarda; São Raimundo; Alto da Vitória; Gancharia; Vila São Luís; Vila Ariri; Vila Mauro Fecury I e II; Conjunto Taguatur.

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