DOM | Literatura

Incursão poética pelos caminhos da psicanálise

"Psicanálise e Artifício Poético", de Tereza Braúna Moreira Lima, será lançado na noite deste sábado, às 19h, na Livraria e Espaço Cultural AMEI
08/06/2019

São Luís -A dedicação à psicanálise e o amor pela poesia foram decisivos para que a psicanalista e escritora Tereza Braúna Moreira Lima decidisse reunir suas inspirações no livro “Psicanálise e Artifício Poético”, a ser lançado na noite deste sábado, às 19h, na Livraria e Espaço Cultural AMEI, no São Luís Shopping (Jaracati).
O coquetel reunirá escritores, psicanalistas, profissionais de áreas afins, familiares, amigos e admiradores da autora. Uma das presenças será a da psicanalista Heloísa Caldas, membro da Escola Brasileira de Psicanálise (RJ) e que participará de um bate-papo sobre o tema “Psicanálise e literatura: o fazer do poeta”.
Com ilustrações de Regina Borga, “Psicanálise e Artifício Poético” tem 154 páginas, recheadas com poemas que revelam criatividade, conhecimento e o entrelaçamento entre esses dois temas de domínio da autora. Ela diz que a obra brotou da necessidade de aliar sua experiência analítica à teoria, “parindo conceitos vividos na própria carne”. “Abordo, principalmente, o desamparo e a fragilidade do ser humano, imerso na dimensão trágica da vida sem, no entanto, assumir uma posição ressentida ou vitimizada”, adianta.
Conceitos
Tereza Braúna Moreira Lima propõe um percurso pelos conceitos de Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, e de Jacques Lacan, todos eles preenchidos por insights, epifanias e arrebatamentos diante do “entre”, ou seja, entre o dito e o indizível, o desvelar e o ocultar, o singular e o múltiplo, o encontro e a solidão, o finito e o infinito, o viver e morrer.
“Ouso declarar-me incompleta e satisfeita, quando no trajeto dos versos, renuncio ao encanto para de/cantar as possibilidades de viver! É um livro que aposta na desalfabetização dos ideais rígidos e universais, privilegiando a singularidade de nossas cicatrizes e elevando-as à categoria de bordados”, diz a escritora com 30 anos de envolvimento com a psicanálise.
A escritora e psicanalista apresenta uma poesia intimista e costuma dizer que a poesia é parte dela, embora também demonstre habilidades para a produção de crônicas, com a mesma sensibilidade. “O bom poema, nos diz Mário Quintana, é aquele que parece que está lendo a gente. Fico impactada com essa convocação de coautoria e como reverbera em mim a contingência desse encontro. Sinto a impressão de uma certa completude, onde a soma das errâncias parece fazer par”, diz.
A maranhense é autora de cinco livros publicados, entre os quais, “Desafio de Ser” e “Digitais da Essência”, este último de poesia. Tereza Braúna Moreira Lima integrou a Instituição Intersecção Psicanalista do Brasil (IPB) e desde 2005 é participante da Delegação Maranhão da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP).
Segundo Tereza Braúna, o inconsciente é um fator determinante na escrita, uma vez que ele é estruturado como uma linguagem. “Lacan e Saussure nos demonstram isso com mestria. Existe, porém, um outro viés que não é da ordem estrutural, cultural. É referente à singularidade do sujeito, como se repentinamente algo transformasse o sofrimento em alegria estética. E nessa instância, não há ensinamento nem aprendiz, só a experiência de vida pessoal e intransferível faz a alquimia do verso. Sem isso, o poema é oco. Sem isso, não se abocanha o caroço em nós e a poesia sem caroço não frutifica”.

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