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Violência em 2017: Maranhão foi 5º em assassinatos no Nordeste

Foram 2.180 homicídios, sendo 1.483 por arma de fogo; a média foi de 181 por mês, segundo o Atlas da Violência divulgado ontem; polícia culpa facções pelos crimes
Ismael Araújo06/06/2019
 Violência em 2017:  Maranhão foi 5º em assassinatos no NordesteMaioria do homicídios em 2017 foram praticados por arma de fogo (Divulgação)

SÃO LUÍS - O Maranhão registrou 2.180 assassinatos em 2017, sendo 1.483 ocasionados por arma de fogo. A média foi 181 mortes violentas por mês. Estes dados foram revelados ontem pelo Atlas da Violência, criado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No Brasil, o registro foi de 65.602 homicídios dolosos. Este número indica 1.707 mortes a mais do que em 2016. A polícia informou que a maioria dos assassinatos foi ocasionado por rixas entre facções criminosas.

Ainda segundo o Atlas da Violência, o Maranhão atingiu uma taxa de 31,1 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, o quinto estado mais violento em relação ao nordeste. Bahia foi considerado o mais violento, com registro de 7.487 assassinatos em 2017. Em seguida, o estado do Ceará com 5.433 casos. Pernambuco com registro de 5.419 casos e o Rio Grande do Norte, com 2.203 assassinatos.

Guerra de facção

A rivalidade entre facções criminosas, segundo a polícia, são responsáveis pelas barbáries registradas no Maranhão. Somente no fim do mês de novembro de 2017, a polícia registrou, em um intervalo de 48 horas, quatro assassinatos na Ilha e três tentativas de homicídios na capital maranhenses praticados por faccionados rivais.

Um dos casos ocorreu na manhã do dia 28 de novembro de 2017, na localidade Itapera, área de Pedrinhas. De acordo com a polícia, a vítima era um dos líderes de uma facção criminosa oriunda do Rio de Janeiro, identificado como Alex Nicolau de Souza, de 20 anos.

Ainda segundo a polícia, a vítima estava em via pública, quando foi executada por faccionados rivais. Alex Nicolau levou seis tiros, principalmente na cabeça, e morreu no local.

Policiais da Superintendência de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP) foram ao local do crime e foram informados de que a vítima era membro de uma facção e acusado de aterrorizar essa localidade. No dia do crime, ele teria recebido uma ligação de uma pessoa e se deslocou até o local onde sofre a tocaia.

Segundo a polícia, na noite anterior havia ocorrido um tiroteio nos apartamentos do condomínio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no bairro Camboa, conhecido como Carandiru, promovido por faccionados. Uma das balas atingiu a moradora Sônia Maria Oliveira dos Santos, de 42 anos, na cabeça.

Ela ainda foi levada para o Hospital Municipal Socorrão I, no centro, mas não resistiu. Outra moradora, Natália Rosa Costa Borges, foi baleada na perna e levada para o hospital, onde foi atendida. A polícia, na época, informou que integrantes de facções estavam invadindo áreas de rivais, promovendo tiroteios, causando a morte de cidadãos.

Tentativa

Na noite do dia 27 de novembro de 2017, foi baleado, também, Paulo Vitor Mota Martins, no Bairro de Fátima. Um dos acusados identificado apenas como Tody, nunca foi preso.

Na madrugada do dia 28 de novembro ocorreram mais duas tentativas de homicídio na Ilha. Guarnições do 6º Batalhão da Polícia Militar foram informadas de um tiroteio na Rua São José, na Vila Magril, com duas pessoas baleadas.

Um dos baleados, Carlos Henrique Araújo Franca, o Totoca, de 35 anos, fazia parte de uma facção criminosa. A outra vítima era um adolescente, de 17 anos. Os acusados foram Willam da Silva, o Zé, de 24 anos, e um adolescente, de 17 anos. Os acusados foram conduzidos ao plantão de Polícia Civil e as vítimas para o Socorrão II.

Investigação

A equipe da SHPP investigou o assassinato da criança de 12 anos, ocorrido na noite do dia 26 de novembro de 2017, na Vila Conceição, na área do Coroadinho. O crime teria tido a participação de dois faccionados. Um deles Weberson Campos Torres, foi preso no dia 16 de março de 2018, por decisão judicial.

No dia do crime, a criança foi baleada quando chegava a sua residência junto com sua mãe. Esses faccionados já haviam baleado outro morador.

Números

2.180

foram os assassinatos registrados em 2017 no Maranhão, segundo o Atlas da Violência, com média de 31,1 mortes violentas a cada 100 mil habitantes

Saiba mais

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) revelam que somente neste mês já ocorreram três homicídios dolosos na capital. As vítimas foram Mateus Bastos Castelo Branco, de 21 anos; Reginaldo José Mendes Nunes, de 45 anos, e uma terceira pessoa ainda ontem estava sem identificação no IML, no Bacanga.

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