Vida Ciência

Os 150 anos da Tabela Periódica

Mendeleev ordenou os elementos de modo que as suas propriedades fossem consideradas funções periódicas das suas massas atômicas, distribuindo os elementos até então conhecidos em linhas

Antonio José Silva Oliveira, físico, doutor em Física Atômica e Molecular, pós-doutor em Jornalismo Científico. Professor da UFMA

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h25

[e-s001]A Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de dezembro de 2017, durante sua 74ª Reunião Plenária proclamou o ano de 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos (International Year of the Periodic Table of Chemical Elements –IYPT2019) para a comemoração de 150 anos em que foi publicada a primeira tabela de 1869 por Dimitri Ivanovic Mendeleev. Ele foi um físico-químico russo que, embora nunca tenha descoberto nenhum elemento químico, foi o criador da primeira versão da tabela periódica, e prevendo as propriedades de elementos químicos que ainda não tinham sido descobertos.

[e-s001]O Ano Internacional tem como objetivo reconhecer a importância da Tabela Periódica como uma das conquistas mais importantes e influentes da ciência moderna, que reflete a essência, não apenas da Química, mas também da Física, da Biologia e de outras áreas das ciências puras.

A iniciativa do IYPT2019 é apoiada pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac), em parceria com a União Internacional de Física Pura e Aplicada, Associação Europeia para Ciência Química e Molecular (EuCheMS), Conselho Internacional para Ciência (ICSU), União Astronômica Internacional (IAU) e a União Internacional de História e Filosofia da Ciência e Tecnologia (IUHPS). O feito será relembrado em todo mundo, por meio de conferencias, seminários e artigos de divulgação e popularização da ciência. Durante a 70ª Reunião Anual da SBPC, que ocorrerá entre os dias 21 a 27 de julho de 2019, na UFMS, em Campo Grande – MS, quando está previsto um workshop, como parte comemorativa dos 150 anos.
Mendeleev ordenou os elementos de modo que as suas propriedades fossem consideradas funções periódicas das suas massas atômicas, distribuindo os elementos até então conhecidos em linhas. Sendo que os elementos, que eram quimicamente semelhantes, eram encontrados na mesma coluna vertical, deixando espaços vazios, pois ele acreditava que os elementos que preencheriam esses espaços ainda seriam descobertos. O que mais surpreendente é que previu com precisão as propriedades dos elementos que faltavam.

Na época, ele tabelou 63 elementos químicos já conhecidos. Este foi o diferencial da tabela apresentada por Mendeleev, em relação a outros cientistas, como Jonh Dalton e Jonh Newlands, que também tentaram criar uma tabela, bem como alguns símbolos bastante interessantes para os elementos.

Pode-se notar os pontos de interrogação na tabela exposta na figura (ao lado). Veja que ao lado de Al (Alumínio) há uma interrogação no local, para um metal desconhecido. Mendeleev, utilizando as propriedades dos elementos com função da sua massa atômica, previu que teria uma massa atômica de 68, uma densidade de 6g/cm³ e um ponto de fusão muito baixo.

Seis anos depois, Paul Émile isolou o gálio e com uma massa atômica de 69.7, uma densidade de 5,9g/cm³ e um ponto de fusão muito baixo. O mesmo foi feito para outros elementos, como escândio, germânio e tecnécio.
Ainda mais surpreendente, ele previu com precisão as propriedades dos elementos que faltavam.

Passou despercebido por Mendeleev, em sua tabela, um conjunto inteiro de elementos químicos gasosos, que, além de serem não reativos e se encontrarem em pequenas concentrações no ar atmosférico, somente puderam ser descobertos, espectroscopicamente, no final do século XIX, por William Ramsay (1852-1916).

Ramsay descobriu a família inteira de gases nobres, como o Hélio, o Neônio, o Criptônio e o Xenônio. Um passo importante para a complementação dos elementos químicos ainda a serem descobertos foi dado pelo francês Antoine Henri Becquerel (1852 -1908), que descobriu a radioatividade no elemento Urânio.

A descoberta desta propriedade do Urânio e da capacidade de como medi-la permitiu a diversos cientistas descobrirem outros elementos presentes em quantidades diminutas nos minerais radioativos, como o Rádio, o Polônio, o Actínio, o Protactínio e o Radônio.

Após a descoberta dos dois últimos elementos naturais estáveis, o Háfnio em 1923 e o Rênio em 1925, só restava a possibilidade de novos elementos serem descobertos pelo emprego da fissão nuclear prevista por Enrico Fermi (1901-1954) e obtida conjuntamente por Lise Meitner (1878-1968), Otto Hahn (1879-1968) e Fritz Strassmann (1902-1980) ou pela utilização do cíclotron inventado por Ernest Lawrence (1901-1958) em 1929, que permitiu em 1937 a descoberta do Tecnécio, o primeiro elemento sintetizado pelo homem.

Hoje a Tabela Periódica conta com 118 elementos, mas oficialmente somente 113 são reconhecidos atualmente pela Comissão Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), já que para muitos dos elementos chamados Transurânicos e para todos os Transférmicos, poucos átomos foram obtidos com "meia-vidas” extremamente curtas e propriedades físicas e químicas incapazes de serem determinadas com precisão.

A tabela atual foi proposta e desenhada pelo físico inglês Henry Moseley. Moseley organizou os elementos em ordem crescente de número atômico e não mais usou a massa como na tabela anterior proposta por Mendeleev. Hoje, a tabela periódica que usamos distribui os 118 elementos químicos em 18 colunas verticais 7 colunas horizontais.

[e-s001]Para concluirmos gostaria de dizer que estamos no inicio daquilo em que a ciência poderá nos ofertar em termos de elementos químicos e a tabela periódica pode ser infinita no tocante que podemos acrescentar. Para tanto é necessária uma política de divulgação e popularização da ciência, para que as pessoas tomem gosto do ‘fazer ciência’, para o desenvolvimento e para o bem da humanidade.
Os símbolos dos átomos descritos são as iniciais dos nomes originais em grego ou latim.

Devemos nos atentar, também, a certos cuidados quando manipulamos os elementos químicos em sua forma isolados: o Flúor, F, é o mais reativo, o Arsênio, As, é um veneno poderoso. O Flúor, F, e o Cloro, Cl, podem ser fatais se inalados pelas pessoas ou animais. Os elementos classificados com metais pesados são acumulativos e não metabolizáveis quando ingeridos ou em contatos que indicam efeitos claros da neurotoxicidade. Entre eles estão o Mercúrio, Hg, o Chumbo, Pb, e o Manganês, Mn. Recentemente os termômetros a base de Mercúrio foram proibidos seu uso em todo o Brasil, A proibição dos termômetros e dos esfigmomanômetros, como são chamados tecnicamente os medidores de pressão, com coluna de mercúrio, é resultado da Convenção de Minamata.

A convenção foi assinada pelo Brasil e mais 140 países em 2013 e tem como objetivo eliminar o uso de mercúrio em diferentes produtos como pilhas, lâmpadas e equipamentos para saúde, entre outros que podem provocar riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Existem também a proposta de proibir o mercúrio e liga de amálgama não encapsulado indicados para uso em odontologia.

Já o Chumbo, Pb, é proibido em pesos para pesca e balas para caça esportiva em alguns países. Mesmo sem estudos de impacto, é bom observar o uso indiscriminado do chumbo para caça de iguarias aqui no estado do Maranhão, em especial, a jaçanã.
O elemento Carbono, C, está presente em mais de 80% das moléculas.

Referencias Consultadas:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dmitri_Mendeleiev
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/01/tabela-periodica-completa-150-anos-conheca-sua-historia.html

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