Política | Internacional

Bolsonaro: Palestina tem ''direito'' de reclamar por escritório em Jerusalém

Palestinos consideram a decisão brasileira "uma violação flagrante da legitimidade e das resoluções internacionais"
Folha S. Paulo01/04/2019 às 09h56
Bolsonaro: Palestina tem ''direito'' de reclamar por escritório em JerusalémJack Guez/AFP

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta segunda-feira (1º) que "é direito" dos palestinos reclamarem de sua intenção de mudar a embaixada brasileiro em Israel para Jerusalém, mas que pretende fazer isso antes do fim de seu mandato, em 2022.

A declaração foi dada após Bolsonaro sair de um almoço em um hotel em Jerusalém, um dia após ele anunciar abertura de um escritório de negócios na cidade —uma repartição sem status diplomático.

Nesta segunda, o brasileiro voltou a afirmar que pretende sim mudar a embaixada, uma de suas promessas de campanha. Ele chegou neste domingo (31) em Israel e fica no país até quarta (3).

"Tenho compromisso, mas meu mandato vai até 2022. Tem que fazer as coisas devagar, com calma, sem problemas", afirmou ele.

"O que eu quero é que seja respeitada a autonomia de Israel. Se eu fosse hoje abrir negociações com Israel, eu colocaria a embaixada onde? Em Jerusalém. Não queremos ofender ninguém, mas quero que respeitem a nossa autonomia", afirmou.

Questionado por jornalistas como essa decisão seria recebida pelos palestinos e se ela viola resoluções da ONU sobre Jerusalém, o presidente disse que "é direito deles reclamar".

No domingo, após o anúncio da abertura do escritório em Jerusalém, a Autoridade Palestina condenou "nos termos mais fortes" a decisão brasileira e convocou seu embaixador no Brasil para consultas.

O comunicado palestino considera a decisão brasileira "uma violação flagrante da legitimidade e das resoluções internacionais, uma agressão direta ao nosso povo e a seus direitos e uma resposta afirmativa para a pressão israelense-americana que mira reforçar a ocupação e a construção de assentamentos e na área ocupada em Jerusalém".

Os palestinos reivindicam Jerusalém como capital, assim como Israel .

Enquanto o conflito não é resolvido, a maior parte dos países segue a orientação da ONU e mantém suas representações em Tel Aviv —só os Estados Unidos e a Guatemala mudaram a embaixada para Jerusalém.

Bolsonaro já disse que gostaria de seguir Washington e mudar a embaixada brasileira para a cidade, medida que agrada sua base evangélica;

Para os aderentes das denominações pentecostais e neopentecostais entre os evangélicos, reconhecer Jerusalém como capital de Israel é a restauração de uma verdade bíblica —termo que já foi usado pelo presidente.

O presidente, porém, enfrenta pressão para não desagradar os países árabes, grandes importadores da carne brasileira, que são contra a mudança. Por isso, a solução encontrada até o momento foi a abertura do escritório em Jerusalém, mantendo a embaixada em Tel Aviv.

A decisão foi considerada frustrante para o premiê israelense Binyamin Netanyahu, que esperava que o brasileiro reconhecesse de maneira mais enfática Jerusalém como a capital do país.

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