Política | Depoimento

PF intima ex-presidente a depor em março sobre lavagem de dinheiro

Investigação tem a ver com empresa ligada ao ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff Antonio Palocci; depoimento foi marcado pela Polícia Federal para o próximo dia 22 de março, em Curitiba
27/02/2019

A Polícia Federal (PF) intimou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a depor em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio da Projeto Consultoria Empresarial e Financeira, controlada pelo ex-ministro Antonio Palocci. O depoimento foi marcado para 22 de março, às 9h, na Superintendência da PF em Curitiba. Lula está preso no local des­de 7 de abril de 2018.
Em delação premiada, Palocci disse que entregou a Lula “cerca de oito a nove vezes valores em espécie”. Em média, eram remessas de R$ 50 mil que ficavam escondidas em caixas de celular ou de uísque, segundo Palocci.
O ex-ministro também afirmou que Lula recebeu propina pela obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Paraná. A Odebrecht destinou R$ 15 milhões ao ex-presidente, conforme o depoimento.
No depoimento, Palocci conta ter entregue dinheiro vivo a Lula em Brasília e "em diversas vezes" em São Paulo. Também chegou a levar "valores em espécie para Lula dentro da aeronave presidencial" e afirmou ser o único "a levar pessoalmente recursos a Lula, entregues em suas mãos".
O ex-ministro citou que, durante a campanha de 2010, entregou R$ 50 mil ao ex-presidente no Terminal da Aeronáutica em Brasília – o dinheiro, segundo ele, estava guardado numa caixa de celular.
Outro trecho da delação de Palocci diz: "Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega".
De acordo com Palocci, um motorista presenciou essa cobrança a caminho do aeroporto e, inclusive, brincou perguntando se toda aquela cobrança de Lula era apenas por causa da garrafa de uísque.
Em resposta, Palocci disse que "era óbvio que a insistência de Lula não era por bebida e sim pelo dinheiro; que o motorista afirmou ao colaborador que estava brincando e que sabia que se tratava de dinheiro em espécie".

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