Política | Em posse

Flávio Dino admite que fez loteamento político em sua gestão no Estado

Governador chegou a desmembrar pasta para contemplar todos os aliados que fecharam acordo pela candidatura do comunista em 2018
Gilbeto Léda/da Editoria de Política26/02/2019
Flávio Dino admite que fez loteamento político em sua gestão no EstadoFlávio Dino deu posse ontem aos novos secretários de estado; maioria é indicação política de aliados (Paulo Soares)

SÃO LUÍS - O governador Flávio Dino (PCdoB) admitiu ontem, durante entrevista antes da posse coletiva dos no­vos secretários da gestão estadual, que loteou cargos no governo para contemplar todos os aliados que o ajudaram a se reeleger.

Perguntado sobre se a nomeação de vários indicados de partidos políticos atendia a uma estratégia baseada nas eleições municipais, ele disse que “muito pouco”, mas confirmou que trata-se do atendimento a compromissos firmados durante a campanha de 2018.

“[Tem a ver] Muito pouco com as eleições municipais, mais com as próprias eleições estaduais. Como eu gosto de sublinhar, sou uma pessoa de palavra, uma pessoa que tem compromissos. Então, na medida em que nós fizemos uma ampla união em favor da continuidade da nossa experiência de governo, é claro que, por coerência, em cumprimento ao programa que nós apresentamos na urnas, nós temos que ter um governo plural, cujas diferenças das várias posições políticas estejam representadas”.

Para o comunista, “Isso é fruto da nossa visão autenticamente democrática”. “Quem ganha conosco, governa com a gente”, completou.
A declaração acaba por endossar uma crítica feita no fim da semana passada pelo líder do Bloco Parlamentar de Oposição (BPO) na Assembleia Legislativa, deputado Adria­no Sarney (PV).

Em entrevista a O Estado, o parlamentar disse acreditar que as mudanças são o pagamento de compromissos de campanha.

“Flávio Dino está honrando a conta pelo massivo apoio partidário que teve nas eleições passadas. Um acordo que a população é quem vai realmente pagar. Lotear a maioria dos órgãos públicos do Maranhão faz parte da operação dos comunistas em se perpetuarem no poder utilizando a força dos Leões, assim como foi o despejo de dinheiro público durante as eleições”, declarou.

Para ele, no caso específico da eleição de São Luís, por exemplo, a chegada de Rubens Júnior (PCdoB) à Secid pode ser o passo inicial para a viabilização da candidatura do deputado federal em 2020.

“A sinalização dos comunistas é viabilizar Rubens Júnior como candidato, usando a Secretaria das Cidades para tentar derrotar o PDT em São Luís. Uma batalha que poderá acarretar o primeiro rompimento do já inchado governo do PCdoB”, completou.

Cotas
Além de entregar a Secretaria de Agricultura ao PR e a de Meio Ambiente ao PP, Dino também fez concessões a aliados na Câmara e na Assembleia Legislativa.

Em Brasília, o governador garantiu mandato a Gastão Vieira (Pros) - ex-ministro, ex-deputado federal e ex-secretário de Estado que havia ficado apenas na segunda suplência do chapão governista no ano passado. Ele entrou no ligar de Rubens Júnior (PCdoB), agora secretário das Cidades.

Já do parlamento estadual, o comunista chamou para o gover­no nada menos que três deputados: saíram Marcelo Tavares (PSB), que retornou à Casa Civil ainda no ano passado e lá permaneceu; Márcio Honaiser (PDT), deslocado para o Desenvolvimen­to Social, e Ana do Gás, que assumirá a Secretaria da Mulher.

Com as mexidas, garantiram-se cadeiras para Edivaldo Holanda (PTC), pai do atual prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior (PDT); além de Ariston Ribeiro (Avante) e Zito Rolim (PDT).
A intenção do governo era “puxar” ainda mais um parlamentar - seria Hélio Soares (PR), a quem seria dada a Sagrima -, para garantir vaga à quarta suplente, Valéria Macedo (PDT). Como a operação não deu certo, Flávio Dino decidiu nomear o irmão dela, Deoclides Macedo, para a presidência da Companhia Maranhense de Gás (Gasmar).

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