Política | Repercussão

Previdência: Bancada do Maranhão prega cautela na análise de reforma

Deputados federais destacaram a necessidade de se discutir com profundidade o texto entregue à Câmara, sobretudo no que diz respeito ao trabalhador rural
Ronaldo Rocha, da editoria de Política22/02/2019
Previdência: Bancada do Maranhão prega cautela na análise de reformaJuscelino Filho, Pastor Gildenamyr e João Marcelo pregam cautela na análise da Reforma da Previdência; Márcio Jerry se posicionou contrário (Divulgação)

SÃO LUÍS - Deputados federais que integram a bancada maranhense no Congresso Nacional pregam cautela na análise do texto das Reforma da Previdência proposto pelo Governo Federal. O projeto foi entregue na última quarta-feira ao presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM), pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).
Polêmica, a peça deve tramitar a partir de agora na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, logo em seguida será analisada por uma Comissão Especial, para somente então ir ao Plenário, para apreciação em dois turnos. Depois disso, a peça vai ao Senado, para ser analisada pelos senadores da República.

O deputado João Marcelo (MDB), adiantou que ainda não analisou o texto – entregue há apenas dois dias à Câmara -, mas adiantou que se preocupa com os trabalhadores rurais. “Eles têm menor perspectiva de vida, essa é a minha maior preocupação”, disse.
Juscelino Filho (DEM) destacou a complexidade do tema e da necessidade de garantir que as atuais e futuras aposentadorias sejam honradas no país. Ele defendeu a reforma, mas pregou sensibilidade para com os mais pobres.

“Estou convencido de que a reforma previdenciária é necessária e urgente, é um tema que acompanhei de perto durante todo o ano passado, como presidente da Comissão de Seguridade Social e Família. De minha parte, sou contra retirada de direitos dos mais pobres, dos trabalhadores rurais, etc, e apoiarei tudo o que for de interesse do país, que seja justo, que retire privilégios e que ajude a melhorar a qualidade de vida das pessoas e das famílias”, disse.

Diálogo
O pastor Gildenemyr (PMN) afirmou que é necessário se apreciar com urgência a matéria, aprofundar os diálogos e pensar na coletividade para que não sejam cometidas injustiças.
“O envio da PEC 6/2019, a chamada Reforma da Previdência, mostra que o Governo está honrando com os compromissos firmados com a nação. Sabemos que há uma urgência em apreciar esta matéria, visto a necessidade do país em realizar ajustes econômicos, para reaquecer a economia e pensar no futuro das próximas gerações. É claro que faremos um intenso diálogo durante toda a tramitação da proposta; nada será feito de forma impositiva. Nosso objetivo sempre será encontrar o equilíbrio, pensando no bem de toda a sociedade brasileira, para que não haja injustiças, principalmente com os mais pobres”, enfatizou.
Pedro Lucas Fernandes (PTB) disse apenas que o seu partido político vai contribuir com a PEC. “Estamos debatendo internamente no partido e na bancada, é uma proposta densa”, resumiu.

Garantia
Eduardo Braide (PMN), por sua vez, afirmou que é necessário garantir direitos a trabalhadores rurais, professores, mulheres e idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
“A reforma da previdência é um tema complexo que precisa ser analisado e discutido com a profundidade necessária pelo Congresso. É preciso garantir que professores, trabalhadores rurais, mulheres, idosos – que recebem o BPC – continuem com seus direitos assegurados. Somos contra qualquer retirada de direitos e estamos certos de um objetivo: só aprovar os pontos que realmente beneficiem a população”, disse.

Márcio Jerry (PCdoB) foi o único a se posicionar, de forma categórica, contra a proposta.
“Sou contra a proposta apresentada pelo governo Bolsonaro. Precisamos de justiça previdenciária sustentável e não de uma previdência social excludente, injusta e que privilegia o setor que mais lucros tem no país que é financeiro”, disse.

Já Hildo Rocha (MDB), disse que ainda não tem posição sobre o tema, uma vez que ainda não leu a peça, mas assegurou que pelas informações já previamente obtidas, será necessário “fazer grandes ajustes”.

André Fufuca (PP) disse que o texto precisa ser modificado. “A atual proposta precisa ser muito lapidada, para ser aceita. É inconcebível trabalhadores rurais fazerem parte, assim como vários outros pontos”, pontuou.

Saiba Mais

Os deputados Eduardo Braide (PMN) e Bira do Pindaré (PSB) já abriram mão da aposentadoria especial na Câmara Federal.

Senadores também se manifestam sobre a Reforma

Os senadores maranhenses Roberto Rocha (PSDB), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) também se posicionaram sobre o tema. A exemplo dos deputados federais, eles também pregaram cautela na análise da peça, sobretudo em relação aos trabalhadores de baixa renda.
Roberto Rocha se manifestou por meio de seu perfil em rede social, com um banner “Todos pela Reforma da Previdência”.
“A Previdência é um pacto social, não é voltada para punir ninguém. Cabe ao Congresso aperfeiçoá-la com responsabilidade. Ela cria alíquotas de modo que quem ganha mais paga mais. Ela acaba com a aposentadoria especial para deputados e senadores. Ela ataca as fraudes do sistema”, disse.
Weverton questionou alguns pontos do texto e pregou igualdade de direitos no país. “Vamos ter que esperar para ver qual a proposta que a Câmara vai enviar ao Senado, mas do que o governo apresentou já posso adiantar que 400 reais de prestação continuada é inviável, é condenar milhares de idosos pobres a morrerem sem conseguirem se sustentar. Assim como 40 anos de contribuição para aposentadoria integral é confiscatório, se o trabalhador tiver que contribuir por 40 anos, a maioria não irá se aposentar integralmente e os que conseguirem aproveitarão por pouco tempo. E por fim, mas não menos importante, a reforma precisa ser igual para todos. É simbólico e equivocado que o governo não tenha enviado ao mesmo tempo a proposta de mudança no regime dos militares, que prestam um grande serviço à nação, mas precisam estar sujeitos às mesmas regras que todos, guardadas suas especificidades”.
Já Eliziane Gama criticou pontos específicos da peça. “Aumentar a idade da mulher do campo pra aposentadoria rural, igualando com o homem é não respeitar a dupla jornada de trabalho dessa mulher. É pesar a mão sobre os mais pobres”, finalizou.

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