Política | Caos na saúde

Fechamento de hospital em Matões do Norte deve superlotar Socorrão II

Previsão é do secretário de Saúde de São Luís, Lula Fylho, que culpa as gestões estadual e dos municípios pela superlotação nas unidades de saúde da capital
Thiago Bastos / O Estado 14/02/2019

O fechamento do hospital da cidade de Matões do Norte pelo Governo do Maranhão, que alega reforma na unidade de saúde, deverá causar superlotação no Hospital Clementino Moura (Socorrão II). Esta é a previsão do secretário titular do setor na capital maranhense, Lula Fylho, que foi entrevistado ontem, no programa Acorda Maranhão, da Rádio Mirante AM. Segundo o gestor, problemas de unidades da capital são efeito da falta de investimentos no interior do estado.
O secretário Lula Fylho, na entrevista, lembrou (a partir de informações repassadas a ele pelo secretário estadual de Saúde, Carlos Lula) que o setor de ortopedia da unidade de Matões do Norte será desativado.
“Eu tenho conversado com Carlos Lula. Alguns serviços eles vão retomar, alguns eles vão mudar, como em Matões do Norte, que deixará de ser um hospital de ortopedia e passará a ser policlínica”, afirmou Lula Fylho.
De acordo com o responsável pela pasta municipal, pacientes de diferentes locais deverão buscar atendimento em São Luís. “Catorze municípios que tinham ortopedia vão vir para o Socorrão II. Então, vai superlotar. [...] Na medida em que alguns hospitais que fazem parte da rede estadual não conseguem manter alguns serviços funcionando, vêm para cá. Quando lota Socorrão, é porque está faltando hospital em algum lu­gar”, disse o gestor municipal.
O encerramento temporário (de acordo com o Governo) de atividades em Matões do Norte revoltou a população. Além dos pacientes, entidades ligadas aos servidores também explicitaram os prejuízos com a suspensão da rotina.
“O fechamento do hospital prejudicou muito o atendimento dos moradores da região. Nesta semana, muitos pacientes de municípios vizinhos tiveram que vir para os Socorrões de São Luís em busca de atendimento”, opinou Ana Léa Coêlho dos Santos Costa, presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado do Maranhão (Seema).
No fim do ano passado, O Estado denunciou a situação precária dos Socorrões I e II. O presidente de honra da Associação dos Médicos dos Socorrões, Érico Cantanhede, afirmou que “o que estaria acontecendo nas unidades seria um extermínio silencioso”. Segundo médicos, o Governo do Maranhão adotou, no fim de 2018, uma série de cortes de gastos que estariam afetando o setor. Dentre as medidas, a retirada de profissionais (médicos, enfermeiros e outros profissionais) da folha de pagamento. Sobre a informação, até o momento, a SES não se pronunciou.
Enquanto gestores e entidades questionam a ausência de política de investimentos do Governo na saúde do interior, o governador Flávio Dino (PCdoB) segue a rotina de entrega de ambulâncias que, na maioria dos casos, servem para o transporte dos pacientes das cidades mais carentes para a capital, em busca de atendimento mais qualificado. Segundo dados oficiais, de 2015 a 2018 foram 204 veículos entregues.

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