Política | Espionagem

Marcado por escândalo em 2018, Flávio Dino reage contra Bolsonaro

Às vésperas da eleição do ano passado O Estado revelou que a Polícia Militar do Maranhão (PMMA) estava sendo usada para espionar adversários no interior do estado
Gilberto Léda11/02/2019 às 11h47
Marcado por escândalo em 2018, Flávio Dino reage contra BolsonaroReprodução

O governador Flávio Dino (PCdoB) e seus principais satélites na política e na imprensa mostraram-se horrorizados com reportagem de O Estado de S. Paulo dando conta de que o Palácio do Planalto quer conter o que considera um avanço da Igreja Católica na liderança da oposição ao governo Jair Bolsonaro.

Segundo a publicação, um alerta ao governo, vindo de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares, aponta que a Igreja está se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo partido no interior do País e nas periferias.

Para Flávio Dino, o caso é um escândalo. “Estamos diante de um dos maiores escândalos deste começo de ano”, reagiu o comunista nas redes. E completou: “Inaceitável a volta da ‘doutrina da segurança nacional’ da ditadura”.

Um dos seus principais aliados, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), já anunciou que protocolará um requerimento à Mesa da Câmara solicitando convocação do ministro Augusto Heleno Ribeiro, para prestar esclarecimentos sobre a suposta espionagem. “Caso é muito grave”, afirmou o deputado.

Dois pesos… - Indignados com a suposta espionagem do governo Bolsonaro, os comunistas maranhenses, no entanto, não tiveram mesma reação quando se revelou, às vésperas da eleição do ano passado, que a Polícia Militar do Maranhão (PMMA) estava sendo usada para espionar adversários no interior do estado.

O caso veio à tona após o jornal O Estado revelar o teor de um ofício no qual o Comando de Policiamento de Área do Interior da Polícia Militar do Estado determinou o monitoramento de políticos que atuavam na oposição ao governador Flávio Dino, nos municípios que integram o interior do estado, por suposto “embaraço ao pleito eleitoral”.

O ato, oficializado por meio da Circular nº08/2018, deixava explícito o objetivo de operar sobre o processo eleitoral de 2018.

Após a revelação do primeiro caso, outros ofícios, em várias unidades do interior, foram divulgados.

A Procuradoria Regional Eleitoral no Maranhão (PRE-MA) chegou a abrir um procedimento apuratório. Mas sem conclusão prática.

A própria Polícia Militar abriu uma sindicância. Ouvidos, pelo menos dois oficiais da Polícia Militar afirmaram que a determinação nunca havia sido dada em pleitos anteriores – o que desmontou tese do governo, de que essa era prática usual, e que houve, no ano passado, apenas uma falha na redação do ofício.

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