PRECARIEDADE

População reivindica sinalização e estruturas no centro de São Luís

Com semáforos desativados e sem faixa de pedestres na Av. Silva Maia, pedestres enfrentam riscos; Rua Rio Branco tem paradas sem abrigos e prédio em ruínas

MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h26
Semáforo não funciona e pedestres atravessam via por entre os veículos; asfalto tem marcas de colisões
Semáforo não funciona e pedestres atravessam via por entre os veículos; asfalto tem marcas de colisões

A falta de sinalização e problemas estruturais têm gerado indignação em trabalhadores e frequentadores do centro de São Luís. Com os semáforos da Avenida Silva Maia desativados, e a ausência de faixas de pedestres, a travessia representa uma armadilha perigosa. Já na Rua Rio Branco, um prédio em ruínas pode desabar a qualquer momento e oferece risco aos usuários do transporte público, que, devido à falta de abrigos nos pontos de ônibus da via, agrupam-se sob marquizes, na tentativa de buscar proteção do sol, da chuva, e ainda dos assaltos, que, segundo a população, estão ainda mais constantes.

Os problemas são destacados por todas as pessoas que passam pela região. Em alguns minutos de conversa, é possível ouvir relatos de dificuldades enfrentadas e, até mesmo, de acidentes sofridos no cruzamento entre a Avenida Silva Maia e Rua Rio Branco. As evidências também podem ser identificadas no asfalto, que tem as marcas dos casos de colisões entre veículos no local, o que, de acordo com o panfleteiro Paulo Pereira, tem ocorrido quase diariamente.

“Eu trabalho aqui todo dia e é raro um em que não tenha uma colisão, porque o sinal não funciona. E não é de hoje, não. Está assim desde o início das obras da praça. Quando inaugurou, vieram alguns guardas, mas depois passou. Os pedestres têm de esperar a boa vontade dos motoristas para atravessarem. Aí, um para e o de trás bate. Os guardas só aparecem para marcar as informações [das colisões] no asfalto”, contou.

Em concordância ao relato de Paulo Pereira, no período em que O Estado esteve no local, na manhã de ontem (4), nenhum agente de trânsito foi visto. Enquanto isso, a travessia caótica tornou-se ainda mais complicada, visto que, em decorrência das chuvas, além do congestionamento de veículos, os guarda-chuvas dificultavam a visibilidade daqueles que tentavam chegar ao lado oposto da via.

Ausência de faixas de pedestres
No mesmo cruzamento, a travessia perigosa, como destacou Pereira, depende da iniciativa de condutores que, em alguns casos, dão preferência ao pedestre e, quando isso não ocorre, é preciso optar entre aguardar ou arriscar-se entre os veículos, como contou a aposentada Maria Madalena Dantas que, mesmo consciente do perigo corrido, atravessou a Avenida Silva Maia, entre os carros em movimento.

“Ou é assim, ou a gente não passa. Às vezes, dá para esperar, mas quando estamos com pressa, como hoje que tenho uma consulta, a gente tem de dar a cara a tapa e atravessas, porque raramente alguém tem a consciência de parar. É uma irresponsabilidade muito grande deixar um lugar movimentado como esse sem uma faixa de pedestres. Até atropelamento já teve aqui, mas ninguém toma uma providência”, lamentou a idosa.

Paradas sem abrigos
Além da escassez de sinalização vertical e horizontal, outra falta vem sendo sentida pela população, em especial pelos usuários do transporte público: a ausência de abrigos nos pontos de ônibus. Para possibilitar a reforma do Complexo Deodoro, as paradas, que antes existiam nas avenidas Silva Maia e Gomes de Castro, foram transferidas para a Rua Rio Branco, mas apenas placas sinalizam os pontos, deixando as pessoas à mercê do sol e das chuvas, que nos últimos dias têm sido constantes.

Para trabalhadores como a comerciária Zélia Braga, a situação é classificada como “insuportável”, visto que, além de diária, não há como buscar alternativas. “A gente não tem para onde correr, são as paradas mais próximas para quem trabalha aqui. Quando chove é ainda pior, porque é uma descida e a água bate no bosso joelho. As pessoas têm de erguer as calças. É uma humilhação e ninguém faz nada”, reivindicou.

[e-s001]Ameaça de desabamento
Devido à falta de abrigos, algumas pessoas se reúnem em pontos estratégicos, onde há algum tipo de cobertura que proporcione proteção em relação a assaltos e furtos, mas, para isso, se expõem a outros riscos, isso porque em um desses locais, na Rua Rio Branco, há um prédio em ruínas que pode desabar a qualquer momento. Com as fortes chuvas, o perigo torna-se iminente, mas as pessoas persistem.

“A gente tenta pegar o ônibus antes das paradas, porque naquele aglomerado de gente acontecem muitos furtos, mas em muitas das vezes os motoristas nem param. A gente tem medo, mas é aquela história, se correr o bicho pega, se ficar...”, comentou a comerciária, referindo-se aos diversos perigos enfrentados pela população na via.

O Estado manteve contato com a prefeitura de São Luís para questionar as possíveis providências que estão sendo tomadas para solucionar os problemas citados, mas até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

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