Cidades | SANEAMENTO

Esgotos estourados e galerias entupidas geram revolta na Liberdade

Situações semelhantes ocorrem na Rua Paulo Afonso e na Avenida Mário Andreazza; população reclama e tenta chamar atenção do poder público
Monalisa Benavenuto / O Estado01/02/2019
Av. Mario Andreazza, na Liberdade, se transformou em rio de água fétida, por causa do esgoto, que transborda

Em pelo menos dois pontos do bairro Liberdade, bueiros estourados têm inundado as vias, ameaçando a saúde da população e prejudicando a passagem de pedestres. Na Rua Paulo Afonso, a situação ocorre há anos e, de acordo com moradores, se intensifica pelo acúmulo de resíduos que acabam obstruindo as galerias, por onde o esgoto deveria passar.
Na Avenida Mario Andreazza, o problema, apesar de recente, é semelhante e já afeta pontos comerciais da região.

A situação tornou-se ainda mais crítica na Rua Paulo Afonso, após a manifestação de alguns moradores, que interditaram a via há algumas semanas, reivindicando intervenções, conforme contou a costureira Maria de Fátima Gomes, residente na área há cerca de 30 anos.

“Desde 2016 a gente aguarda a realização de um serviço para resolver isso, mas se cansou de pedir ajuda e resolveu fechar a rua, para tentar chamar atenção de algum órgão responsável, mas um funcionário da feira não gostou e ameaçou a gente com uma faca. Até a polícia veio aqui para conter a situação e evitar que algo pior acontecesse. Depois disso, não foi feito mais nada, porque todo mun­do ficou com medo”, relatou.

De acordo com a moradora, a intervenção do funcionário da feira se deve ao fato de que, constantemente, quando são realizadas obras no espaço, os entulhos são despejados na via e acabam entupindo as galerias por onde a água fétida deveria escoar. Segundo ela, há dias em que o odor é tão intenso que impossibilita a aproximação de moradores na área. “A gente não consegue ficar nem na sala da nossa casa”, frisou.

Já na Avenida Mário Andreazza, também na Liberdade, o esgoto que se acumula em, praticamente, toda a extensão da via, já agrava a economia do local, visto que pontos comerciais têm perdido fregueses devido às dificuldades de acesso, como afirmou a cabeleireira Sandra Araújo.

“Quando chove, a água invade o salão e o mau cheiro incomoda muito. Construí um batente para impedir, mas quando os ônibus passam em alta velocidade acabam jogando muita água também. Minhas clientes reclamam muito, inclusive já foram até o ponto final reclamar, mas não resolveu. Então, algumas acabam procurando outros salões”, lamentou.

Buscando minimizar o problema, o morador Fernando Campos colocou um tronco de árvore no meio da rua, para que os motoristas não passassem pela via em alta velocidade, mas a situação persiste. “Eu coloquei o tronco, porque quando os ônibus passam jogam muita água nas nossas portas. Não podemos mais nem ficar na calçada. É uma situação muito complicada”, afirmou.

Moradores interditaram a Rua Paulo Afonso, por causa do esgoto estourado

Ele ressaltou ainda que chegou a procurar os órgãos competentes, mas a informação passada foi de que os problemas são de responsabilidade dos moradores, visto que o sistema de esgoto pertence às residências. “Depois que a minha mãe caiu, procurei a Blitz Urbana, a Caema, a Defensoria Pública, mas nada foi resolvido”, contou.

O Estado manteve contato com a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), que informou em nota que em ambos os pontos, não existe rede coletora de esgoto, apenas galerias a céu aberto. As obras do PAC darão solução ao problema quando concluídas. A Prefeitura de São Luís também foi contatada, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

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