Política | Turismo

Caso LATAM: Governo é acusado de virar as costas para setor

Cancelamento de linha "São Luís/Rio de Janeiro" expõe críticas a falta de planejamento no turismo
José Linhares Jr24/01/2019 às 17h42
Caso LATAM: Governo é acusado de virar as costas para setor Cancelamento de voo da LATAM irá prejudicar turismo maranhense (Flora Dolores / O ESTADO)

Na última terça (22) uma mensagem de texto que atribui ao aumento de ICMS do querosene de aeronaves o cancelamento da linha aérea que ligava São Luís ao Rio de Janeiro viralizou nas redes sociais do estado. O Imirante escutou os envolvidos e pessoas ligados ao setor para esclarecer.

Na mensagem é exposta uma exigência da LATAM Airlines que justifica o cancelamento da linha por conta da recusa do Governo do Maranhão em reduzir o ICMS do combustível aéreo.

No dia seguinte a LATAM Airlines divulgou nota genérica em que confirma o cancelamento do voo devido a “avaliação de demanda”. A empresa não entrou em detalhes sobre conversas com o Governo Maranhense ou membros do setor de turismo para tentar contornar a decisão.

Na mesma mensagem são exibidas declarações do empresário Francisco Neto, presidente do Destination Maranhão, sobre o caso. Na mensagem ele critica a política de impostos do governo e a falta de diálogo.

Em contato por telefone, o empresário confirmou que sente falta de diálogo por parte do governo. “Se houvesse mais conversa entre poder público e setores ligados ao turismo, com absoluta certeza algo poderia ter sido feito para evitar isso”, disse. No entanto, Francisco negou que tenha feito críticas diretas à política de impostos do governo e que o cancelamento do voo tenha se dado por conta de negativas do Governo do Estado. “A mensagem foi deturpada, eu não disse aquilo. Falei que outros estados promoviam essas negociações, não que o governo daqui havia negado proposta da LATAM”, explicou.

O Imirante ouviu outras fontes ligadas ao setor de turismo que confirmaram a ausência de interesse do atual Governo do Estado e da Prefeitura de São Luís em relação às companhias aéreas.

Uma delas relatou que entre 2009 e 2010 a parceria entre a ex-governadora Roseana Sarney e o ex-prefeito João Castelo não só manteve todas as linhas consideradas de potencial turístico, como conseguiu o estabelecimento de outras. “Essa linha que foi cancelada (São Luís/Rio de Janeiro) foi estipulada em 2010.

Foram diversas reuniões entre empresas aéreas, governo e prefeitura que garantiram o ganho. Na época também conseguiram (Prefeitura e Governo) mais linhas para Teresina, Belém, Belo Horizonte e São Paulo”, disse.

Outra fonte ainda explicou que a atuação do poder público neste período. Segundo ela, secretários de governo e assessores estavam constantemente em contato com empresas e empresários. “O secretário estadual Ricardo Guterres, de Minas e Energia, interviu junto ao Governo Federal e conseguiu desconto no preço do querosene. Isso garantiu alguns desses voos. Outros foram conseguidos e mantidos apenas com reuniões em que os números eram apresentados. Infelizmente esse tipo de procedimento foi abandonado pelas atuais gestões”.

Ainda ontem o secretário de Cultura e Turismo, Diego Galdino, falou à imprensa sobre o caso. O secretário disse que a motivação da empresa para o cancelamento de voos foi pela situação do Rio de Janeiro. Além disso, o secretário também culpou a falta de investimentos no aeroporto Marechal da Cunha Machado.

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