Polícia | Investigação

Preso PM suspeito na morte de três jovens na zona rural de São Luís

Investigações apontam envolvimento de pelo menos dois militares, que atuam como vigilantes em uma obra do Minha Casa, Minha Vida; polícia tenta identificar os matadores dos jovens
Daniel Júnior 08/01/2019
Hamilton Caíres Linhares, policial militar suspeitos do crime

São Luís – O policial militar Hamilton Caíres Linhares, lotado na Companhia de Operações Especiais (COE), foi preso ontem, suspeito de envolvimento no triplo homicídio que vitimou dois adolescentes de 14 e 17 anos e um jovem de 18 anos, no povoado Mato Grosso, na zona rural de São Luís, na região do Coquilho, na última sexta-feira. Com marcas de tiros, os corpos dos jovens foram encontrados por moradores numa área de matagal, nas proximidades de um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida.

Joanderson, Gustavo e Gildean, os três jovens assassinados

O militar já foi ouvido a respeito do crime, mas as suas declarações são mantidas em sigilo. O caso continua sob investigação da Superintendência de Homicídio e Proteção à Pessoa (SHPP). A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que cumpriu mandado de prisão temporária expedido contra o policial militar. Contra ele ainda será aberto um procedimento administrativo militar. De acordo com a polícia, o militar Hamilton fazia trabalho extra como segurança.

Evidências
Os três jovens teriam sido perseguidos no interior do condomínio Minha Casa, Minha Vida pela equipe de vigilância do local. A informação foi repassada ontem, 7, pelo delegado Lúcio Rogério Reis, da SHPP.

As vítimas foram identificadas como Gustavo Feitosa Monroe, de 18 anos; Joanderson da Silva Muniz, de 17 anos, e Gildean Castro Silva, de 14 anos. Eles estavam desaparecidos desde a manhã de quinta-feira, 3, e foram vistos no horário da tarde por vigias que trabalham na obra.

De acordo com o delegado, as vítimas teriam sido cercadas em uma área de matagal, e os disparos teriam sido ouvidos. Até ontem, 12 pessoas já tinham sido ouvidas, e a expectativa é de que os nomes dos principais suspeitos sejam divulgados a qualquer momento. Dentre as pessoas que prestaram depoimento estão um vigilante e um policial militar. O delegado Lúcio Reis, superintendente da SHPP, afirmou que os jovens foram executados a tiros.

“O que a gente tem é a dinâmica do crime já estabelecida. Ao que parece, os três rapazes foram perseguidos no interior do condomínio Minha Casa, Minha Vida pela equipe de vigilância da empresa, que conseguiu cercá-los em uma área de matagal. Houve um disparo, pelo menos é o que afirmam as pessoas que já vieram aqui depor, que seria um tiro de advertência. E depois disso as versões cessam. As pessoas não sabem mais o que aconteceu, mas o que a gente sabe é que os jovens foram executados com tiros de pistola ponto 40, na região da nuca”, explicou o delegado.

Um telefone celular, suspeito de pertencer a um policial militar, teria sido encontrado na sexta-feira, 4, por moradores do bairro Coquilho, Zona Rural de São Luís, no mesmo local onde estavam os corpos dos três jovens assassinados, levando os investigadores a admitir uma possível participação de dois policiais. Na manhã de sábado, 5, a Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) buscou mais provas no local.

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portela, informou que os policiais suspeitos de participação no crime possuem ligações com seguranças que trabalham na construtora responsável pelas obras do conjunto habitacional onde os jovens foram vistos pela última vez.

Corpos encontrados
O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado por volta das 11h33 de sexta-feira para recolher os corpos de três jovens do sexo masculino que foram encontrados no bairro Mato Grosso, na zona rural de São Luís. Os cadáveres estavam em uma área de matagal, nas proximidades da construção do habitacional.

De acordo com as primeiras informações sobre o que teria motivado o triplo homicídio, as vítimas teriam invadido a área de construção para tirar caranguejos e, em decorrência disso, foram assassinados pelos vigilantes da obra. Nas imagens, também é possível ver as mães dos jovens desesperadas quando viram os corpos estirados no chão. l

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