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Casos de hanseníase tendem a crescer nos próximos anos no MA

São Luís está entre as 15 cidades com maior incidência da doença; probabilidade é de que, antes da redução, que só poderá ser observada em até três anos, de acordo com a SES, o número de casos tenha considerável crescimento
IGOR LINHARES / O ESTADO08/01/2019
Campanha Janeiro Roxo foi lançada

Nos últimos dois anos, o Maranhão registrou constante aumento de casos de hanseníase, à medida que a busca por diagnóstico da doença passou a ser mais ativa, conforme evidencia a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Em 2017, foram registrados 3.091 casos no estado. No ano passado, a quantidade de casos foi menor que 1%, alcançando, até o momento, 3.079 novos casos, os quais ainda podem subir, uma vez que o Ministério da Saúde recebe notificações de 2018 até os primeiros quatro meses do ano seguinte, isto é, a estatística pode crescer até abril. Para este ano, a estimativa é, também, de crescimento.

São Luís está entre as 15 cidades com maior incidência da doença, de acordo com os últimos registros, que mostram que em 2017 foram notificados 453 casos, e no último ano, 2018, foram cerca de 40% mais, atingindo 650. Em evento de lançamento da campanha Janeiro Roxo, mês alusivo ao combate à hanseníase, realizado na manhã de ontem (7), no Hospital Aquiles Lisboa (HAL), localizado na área Itaqui-Bacanga, o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, afirmou que, devido à intensificação na busca por diagnóstico, a probabilidade é de que mais casos sejam registrados.

“Quando a gente intensifica a campanha na busca de casos, sobretudo nas cidades com maior incidência em geral, nos primeiros três anos, teremos um aumento, para somente depois obtermos redução, porque o número de casos estava escondido, à medida que não conseguíamos detectar os portadores”, esclareceu Lula.

“Com a oferta de serviços de dermatologia, o estado passa a ter um aumento considerável do número de casos [e 2019 e nos dois anos posteriores], que levará a uma redução no futuro”.

Janeiro Roxo
Por causa dos números ainda muito altos, o Ministério da Saúde adotou o dia 28 de janeiro como o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hanseníase, no qual, não apenas no dia, mas durante todo o mês de janeiro, os gestores realizam ações para auxiliar no combate à doença. O período foi denominado de “Janeiro Roxo”.

Para colaborar com o Programa Estadual de Controle de Hanseníase, que desenvolve ações permanentes de monitoramento e supervisão, além de capacitações técnicas, foi dado início, no Auditório Darcy Vargas, localizado no HAL (referência no tratamento da hanseníase), à campanha alusiva à doença, que intensificará ações durante todo o mês de janeiro.

“Temos feito busca ativa de casos nas escolas, nas comunidades e associações de bairros para descobrir novos casos da doença”, elencou o diretor clínico do HAL, Clerisson Medeiros.

Detecção dos casos
De acordo com o último Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (Ministério da Saúde), que abrange os anos de 2012 a 2016, a taxa média de detecção de casos de hanseníase no Maranhão, era de 53,91 casos por 100 mil habitantes. O boletim também mostrou que, na mesma população, a maior incidência foi no público masculino, com 61,29 casos, enquanto as mulheres correspondiam a 46,67 casos a cada 100 mil/hab.

“Esse predomínio [nos homens] é explicado, geralmente, pela maior exposição ao bacilo e pelo menor cuidado de indivíduos do sexo masculino com a saúde, o que retarda o diagnóstico e aumenta o risco para o desenvolvimento de incapacidades físicas”, diz texto do boletim epidemiológico da doença.

SOBRE A HANSENÍASE

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada por uma bactéria, que se multiplica muito lentamente, e o período de incubação da doença varia de nove meses a 20 anos, com uma média de cinco anos. Afeta principalmente a pele, os nervos periféricos e os olhos. A detecção precoce dos casos reduz muito os riscos de deformidades e incapacidades físicas entre os pacientes. Essa enfermidade tem cura e o medicamento é gratuito em todos os países.
É transmitida por meio de gotículas nasais e orais durante contato próximo e frequente com uma pessoa que tem a doença e não recebeu tratamento. Quando tratada em seus estágios iniciais, as chances de incapacidade diminuem consideravelmente. Hoje, o diagnóstico e o tratamento da hanseníase são simples, e os países com maior endemicidade estão se esforçando para integrar plenamente o cuidado nos serviços de saúde gerais existentes.
A doença está presente em 24 dos 35 países das Américas. Em 2016, esses estados registraram um total de 27.357 novos casos. Isso representa 12,6% da carga global (11,6% somente no Brasil) e põe a Região das Américas como a segunda em número de casos reportados, atrás apenas da Região do Sudeste Asiático.

Estratégia Global para a Hanseníase 2016-2020
Lançada em 2016 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Estratégia Global para a Hanseníase 2016-2020 está baseada em três pilares: fortalecer o controle, a coordenação e as parcerias do governo; combater a hanseníase e suas complicações; enfrentar a discriminação e promover a inclusão. A estratégia fornece orientações aos gestores de programas nacionais de hanseníase para que tomem as medidas necessárias para reduzir a carga da doença, em colaboração com vários setores, incluindo organizações que trabalham em questões de direitos humanos e equidade de gênero.

Fique atento aos sintomas
- Manchas avermelhadas, marrons ou esbranquiçadas e perda ou redução de sensibilidade na área;
- Caroços e inchaços, em alguns casos, com dor;
- Dor e sensação de choque e fisgadas ao longo dos nervos dos braços, mãos, pernas e pés;
- Redução de pelos e suor na área da mancha.

Onde tratar?
Unidade Básica de Saúde mais perto da sua casa
Atendimento de Referência do Estado:
- Hospital Aquiles Lisboa (Avenida José Sarney, s/n, Ponta do Bonfim – Vila Nova)
- Unidade de Saúde Genésio Rego (Avenida dos Franceses, s/n, Vila Palmeira)

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