Polícia | Adolescentes

Participação policial é apontada em investigação de triplo homicídio

Suspeita surgiu após telefone celular ter sido encontrado próximo às vítimas; investigações serão retomadas hoje e policiais estão sendo interrogados
07/01/2019
Participação policial é apontada  em investigação de triplo homicídioCorpos de adolescentes que foram mortos na localidade Coquilho, na zona rural da cidade de São Luís (Reprodução)

SÃO LUÍS - Um telefone celular, pertencente a um policial teria sido encontrado na sexta-feira (4) pelos moradores do bairro Coquilho, Zona Rural de São Luís, no mesmo local onde estavam os corpos dos três adolescentes assassinados - Gildean Castro Silva, Gustavo Feitosa Monroe e Joanderson da Silva Diniz - levando as investigações a uma possível participação de dois policiais. Na manhã de sábado (5) a Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) buscou por novas evidências no local.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), Jefferson Portela, os responsáveis pelas investigações estão buscando respostas urgentes para que o caso seja elucidado e os acusados detidos. “A primeira suspeita é de vigilantes plantonistas. Isso é um dado inicial para a oitiva de quem estava de plantão. Não significa dizer que os plantonistas são os executores, pode ser e pode não ser porque alguém pode ter vindo e praticado o ato no plantão de terceiras pessoas", destacou

A provável participação de dois policiais foi apontada por Portela devido ao telefone celular encontrado próximo aos corpos dos adolescentes mortos. Ele afirmou ainda que o aparelho será investigado pelo Instituto de Criminalística e Medicina Legal (Icrim) e terá os dados e códigos analisados para descobrir se é pertencente a algum dos executores.

"Para ter cuidado de não praticar injustiças, nós vamos com essa análise criteriosa das provas coletadas nos atos de inquérito policial apontar a autoria e eu tenho certeza que será feito no menor espaço de tempo possível”, ressaltou.

O secretário informou ainda que os dois policiais suspeitos de participação no crime possuem ligações com seguranças que trabalham na construtora responsável pelas obras em um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida, onde os jovens foram vistos pela última vez.

O titular da SHPP, Lúcio Reis, informou a O Estado que as diligências serão retomadas hoje (7) e afirmou que os policiais com suposto envolvimento com o crime estão sendo interrogados. "As investigações tiveram continuidade até a noite de sábado. Equipes da SHPP conseguiram identificar mais projéteis no local do crime. Além disso, integrantes das forças de segurança pública já começaram a ser inquiridos", destacou Reis. Não foram divulgadas identificações de suspeitos.

Triplo homicídio

Os jovens Gildean Castro Silva, Gustavo Feitosa Monroe e Joanderson da Silva Diniz foram assassinados em uma região de mato no bairro Coquilho, zona rural de São Luís. A princípio, segundo a polícia, todos foram mortos por arma de fogo com tiros na nuca. A primeira suspeita é de que vigilantes de uma área de construção da região teriam cometido o crime.

Segundo familiares, eles foram vistos pela última vez na manhã de quinta-feira (3) em uma área de construção de casas do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" que está sendo realizado na região.

Após os seus corpos terem sido encontrados no final da manhã desta sexta moradores se revoltaram e incendiaram dois ônibus que fazem o transporte dos funcionários das construtoras da obra. Além disso, pessoas da comunidade de Coquilho ainda incendiaram o setor administrativo dos condomínios, quebraram portas, janelas e pias das casas que estão sendo construídas no local.

Os corpos dos adolescentes foram enterrados na manhã de sábado (5) e Gildean Castro Silva foi enterrado a tarde no cemitério que fica localizado na própria comunidade do Coquilho.

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