DOM | Saúde mental

Quanto mais estamos conectados, mais doentes ficamos

Relacionamentos reais são necessários para manter a saúde em dia; Ana Paula Carvalho, primeira psiquiatra brasileira certificada pela International Board of Lifestyle Medicine, fala sobre a importância das relações em tempos de hiperconectividade
06/01/2019 às 00h00
Quanto mais estamos conectados, mais doentes ficamosHiperconectividade traz prejuízos à saúde (Divulgação)

São Paulo - Qual foi a última vez que você jantou com um amigo e deixou o celular dentro da bolsa? Quando foi ao cinema sem responder a um whatsapp de alguém? Nos encontros com a família se lembra de ter conversado com alguém sem mencionar redes sociais? É bem provável que você tenha respondido que o celular e as redes sociais te acompanham quase todas as horas de um dia. Isso tem consequências sérias para a sua saúde, do corpo e da mente.

Ana Paula Carvalho, primeira psiquiatra brasileira a ter certificação em Medicina do Estilo de Vida, faz parte do “coro” que defende o uso comedido das redes sociais e da tecnologia. De acordo com a especialista, é tênue a linha entre o ônus e o bônus da hiperconectividade que vivemos hoje.

“A internet - especialmente redes sociais e aplicativos de comunicação - proporcionou reencontrar pessoas que fizeram parte de nosso passado: amigos de escola, colegas de faculdade, vizinhos antigos...mas o quanto estar conectado por meio do computador ou do celular significa estar conectado com aquela pessoa?”, questiona a médica.

“É extremamente benéfico usar as redes sociais para reencontrar amigos que se afastaram pelo tempo ou distância, desde que as pessoas transponham essa conexão para a realidade. Amizades virtuais não equivalem às reais; a troca não é a mesma. Uma pessoa que passa seus dias se relacionando com os outros por meio de smartphones ou tablets não deixa de estar em isolamento social, principalmente se desmarca programas com amigos em virtude de jogos eletrônicos ou interações pela internet”, continua.

Estudos comprovaram que o isolamento social é tão ou mais nocivo ao organismo quanto a obesidade e pode desencadear doenças físicas e psiquiátricas, como problemas cardíacos e depressão. “O ser humano não foi programado para ficar sozinho. Precisamos uns dos outros e quando me refiro à companhia, é aquela real, olho no olho”, diz Ana Paula Carvalho.

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