Mau hábito

Quase 100 mil toneladas de lixo descartadas irregularmente em SL

Hábito negativo da população pode causar problemas potencializados no período chuvoso, pois lixo jogado irregularmente na rua vai para as galerias e canais

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h27
Lixo descartado irregularmente na cidade, pela população, é recolhido pela Prefeitura diariamente
Lixo descartado irregularmente na cidade, pela população, é recolhido pela Prefeitura diariamente (Lixo iregular)

Mais de 94 mil toneladas de resíduos sólidos foram descartadas irregularmente nas vias públicas da cidade e recolhidas pela Prefeitura de São Luís em 2018. O serviço de recolhimento está sendo intensificado durante o período chuvoso, porque o descarte inadequado do lixo é um dos fatores para o entupimento de bueiros, o que provoca acúmulo de água em alguns pontos da cidade.

O lixo descartado de forma irregular, em São Luís, é gerado em reformas de pequeno porte, restos de poda e capina de origem domiciliar, ou ainda móveis e eletrodomésticos velhos, que normalmente são descartados nas vias públicas, além de recicláveis como papel, plástico e vidro. Há ainda o descarte ilegal feito por empresas dos mais diversos setores, que descarregam seus resíduos nos pontos de descarte irregular quando o correto, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2015), seria que elas tivessem um plano de gerenciamento dos resíduos por eles produzidos.

Geralmente, os locais usados para o descarte irregular de resíduos são terrenos baldios muitos deles particulares, onde o proprietário não cuida da limpeza, poda e capina. Estes locais acabam sendo usados pela população para o descarte indevido do lixo doméstico, bem como para o depósito de restos de construção civil, poda e capina domiciliar, móveis e eletrodomésticos sem serventia.

O descarte irregular de resíduos sólidos pode causar uma série de problemas que podem ser potencializados no período chuvoso, pois o lixo jogado irregularmente na rua vai para as bocas de lobo, de onde seguem para as galerias de águas pluviais, canais da cidade. Isso afeta a rede de drenagem, pois diminui a vazão das galerias de águas das chuvas, provocando alagamentos pela cidade.

Com isso, a água pode invadir as casas, causando prejuízos materiais como a perda de móveis e eletrodomésticos e até mesmo danos na estrutura. Esses alagamentos provocam ainda problemas de locomoção por toda a cidade e ainda causa a degradação do asfalto das ruas e avenidas da capital.

O lixo pode ainda contaminar a água das chuvas, provocando a proliferação de doenças porque atrai animais como moscas, ratos, baratas e facilita a reprodução de mosquitos transmissores de doenças como a dengue, chikungunya, zika e a febre amarela. O descarte irregular causa também problemas ambientais e prejudica o paisagismo urbano, pois cria "lixões" dentro dos bairros.

Ecopontos
Para evitar transtornos, a população deve descartar o lixo domiciliar corretamente e encaminhar os recicláveis para um dos 11 Ecopontos da cidade. Para coibir ainda mais o descarte incorreto, o prefeito Edivaldo Holanda Junior assinou, em outubro, a ordem de serviço para a construção de mais cinco Ecopontos, e em dois deles as obras já foram iniciadas.

Por meio do Comitê Gestor de Limpeza Urbana, a gestão municipal faz ações de remoções em pontos de descarte irregular de resíduos sólidos pela cidade. Este recolhimento é feito por meio dos serviços de remoção manual e mecanizada, que ocorrem de segunda a sábado, das 7h às 23h, para garantir a limpeza desses locais. Por meio das remoções, são eliminados pontos de descarte irregular, conhecidos popularmente como “lixões”, na cidade.

Somente em dezembro receberam os serviços de remoção manual ou mecanizada os bairros Anil, Liberdade, Camboa, Itapiracó, Ilhinha, São Francisco, Areinha, Cidade Olímpica, Centro, Cohaserma, Altos do Calhau, Turu, Chácara Brasil, Renascença, Cohab, Anjo da Guarda entre outros. Diariamente, também são feitas ações de remoção na faixa de areia das praias da cidade para recolher o lixo descartado indevidamente na orla da cidade.

Por dia, são recolhidas, em média, 300 toneladas de lixo jogadas indevidamente nas ruas da cidade. Entretanto, segundo a presidente do Comitê Gestor de Limpeza Urbana, Carolina Moraes Estrela, o volume de recolhimento poderia ser maior.

"Nem todo o lixo que é produzido em São Luís é recolhido, porque muita coisa acaba se perdendo por causa dos descartes irregulares, apesar de termos ações diárias para coibir essa prática e coletar o que é decorrente dela. Esta perda ocorre porque muitos resíduos acabam indo parar nos rios da cidade e levados pela correnteza, impossibilitando seu recolhimento", disse.

A população de São Luís pode denunciar casos de descarte irregular de lixo e terrenos baldios usados como "lixões" por meio da Central de Atendimento do Comitê Gestor de Limpeza Urbana pelo telefone 0800 098 1636.

SAIBA MAIS

Como a população pode colaborar com a limpeza urbana?
- Não jogue lixo ou entulho nas vias públicas, córregos, terrenos baldios, bueiros e encostas. Além de poluir a cidade, o lixo nas ruas entope bocas de lobo e pode provocar enchentes;
- No trânsito, respeite os cones de sinalização. Eles estão ali para proteger os varredores, que estão trabalhando para deixar a cidade mais limpa;
- Respeite os dias e horários de descarte do lixo para coleta, evite deixar seu lixo na rua por mais tempo que o necessário;
- Embale corretamente seu lixo, em sacolas resistentes, bem fechadas e de tamanho adequado, para evitar que elas se abram e espalhem o lixo nas vias públicas. Lixo não embalado, além de exalar mau cheiro, atrai animais que podem ser portadores de doenças;
- Proteja o vidro e outros materiais perfurocortantes (estiletes, pregos, lâminas etc) com material resistente antes de colocá-lo na sacola e pressione as tampas das latas para dentro. Esses materiais desprotegidos podem ferir o agente de limpeza, mesmo ele usando as luvas protetoras.

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