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Plástico: uma ameaça iminente à vida marinha

Anualmente, são lançadas entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plásticos descartados nas praias brasileiras; danos podem ser irreparáveis
Monalisa Benavenuto / O Estado22/12/2018
Lixo plástico acumulado compromete a vida de peixes

Garrafas, tampas, sacolas, copos e canudos descartáveis são apenas alguns dos resíduos que, diariamente, são destinados aos mares, seja de forma direta ou indireta. O problema vem gerando preocupação em todo o mundo, inclusive no Maranhão, onde agentes públicos e independentes atuam em prol do meio ambiente e sua conservação. Mas antes de conhecer algumas dessas iniciativas, entenda a participação do homem em todo esse processo.

Uma característica marcante do século XXI é a rotina acelerada, principalmente nas grandes cidades. Desta forma, a busca por serviços e produtos tidos como "práticos" tem se desenvolvido de for­ma intensa na atualidade. Mas a que custo? A intensa produção e consumo desses materiais, sem a determinação de políticas efetivas que orientem quanto ao descarte adequado após o tempo de uso - relativamente curto - dos produtos, pode ser percebido em análises so­bre a poluição dos mares.

No ranking dos países mais poluidores dos mares, o Brasil ocupa a 16ª posição, conforme estudo realizado por pesquisadores americanos, divulgado em 2015. Eles estimaram a quantidade de resíduos sólidos de origem terrestre que entram nos oceanos em países costeiros de todo o mundo. Segundo a pesquisa, no país, todos os anos são lançadas nas praias entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plásticos descartados.

Estima-se que 80% deles tenham origem terrestre. Entre as causas disso estão a gestão inadequada do lixo urbano e as atividades econômicas (indústria, comércio e serviços), portuárias e de turismo. A população também tem sua parcela de responsabilidade pelo problema, devido, principalmente, à destinação incorreta de seus resíduos, que, muitas vezes, são lançados deliberadamente nas ruas e nos rios, gerando a chamada poluição difusa, que, em determinado momento, alcança os mares.


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Conforme estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 100 mil animais marinhos morrem todos os anos em decorrência da contaminação de plástico nos oceanos. Caso a degradação marinha continue seguindo esta tendência, a previsão é de que até o ano de 2050 haja mais plástico que peixe nos mares. Para se ter uma ideia do quão esse vilão é duro de matar, alguns tipos de plástico, como o PET, usado em garrafas de refrigerante, levam até 200 anos para desaparecer da natureza. O segredo para essa resistência é que o plástico é feito de polipropileno ou poliestireno, materiais não biodegradáveis. E não é novidade dizer que quem sempre paga essa conta é a natureza.

A população precisa se reeducar e modificar certos hábitos que geram prejuízos ao meio ambiente e ao próprio homem. Mais que destinar o lixo ao lixo, é preciso estimular a reciclagem desses materiais”Isabel Fontes, gestora ambiental

Crosta de resíduos
Apesar de não haver dados precisos em relação à poluição de mares no Maranhão, a realidade que se observa em todo o mundo também pode ser verificada em São Luís. Há três meses, O Estado denunciou a crosta de resíduos que atinge um braço do rio Anil, situado no bairro da Vila Palmeira. Resíduos descartados nas praias ou pelas ruas da cidade, mas que em algum momento alcançaram a área de mangue, onde se mantêm há décadas poluindo o meio ambiente, prejudicando a flora e fauna aquática, além de influenciar na qualidade de vida de comunidades que vivem no entorno.

Tal ameaça representa danos que podem ser irreparáveis e devem ser levados em consideração desde a oferta de materiais potencialmente poluidores como o plástico, ao seu destino final, como destacou a gestora ambiental Isabel Fontes. "Muitas cidades não possuem plano para gestão de resíduos, e isso deve ser pensando com urgência, visto que as ações podem ser elaboradas a curto, médio e longo prazo, mas não apenas o poder público deve participar desse processo. A população precisa se reeducar e modificar certos hábitos que geram prejuízos ao meio ambiente e ao próprio homem. Mais que destinar o lixo ao lixo, é preciso estimular a reciclagem desses materiais", frisou.

SAIBA MAIS

O plástico
Da forma como conhecemos, o plástico existe há cerca de 70 anos. Desde então, o uso desse material tem transformado muitas áreas - da confecção de roupas à culinária, passando pela engenharia, design e até o comércio varejista. Uma das grandes vantagens de muitos tipos de plástico é o fato de que são projetados para durar mais - por muitos e muitos anos. Como consequência, praticamente todo plástico já produzido continua existindo, mesmo que não esteja em seu formato original.

Infográfico

4 bilhões de garrafas de plástico
- Garrafas de bebida são um dos tipos mais comuns de resíduos de plástico;
- Estima-se que 480 bilhões de garrafas tenham sido vendidas em todo o mundo até 2016, o que representa 1 milhão de garrafas por minuto;
- Somente a Coca-Cola foi responsável por produzir 110 bilhões de garrafas de plástico;
- Alguns países têm discutido maneiras de diminuir o consumo do material. O Reino Unido, por exemplo, debate oferecer água potável de graça nas grandes cidades e criar unidades para devolução de plástico.

NÚMEROS

10 milhões de toneladas de plástico, em média, são despejadas nos oceanos a cada ano;
3 vezes mais poluídos com plásticos deverão estar os mares até 2025;
450 anos é o tempo mínimo para o plástico se decompor totalmente;
130 mil toneladas de plástico, em média, são lançadas nas praias brasileiras;
80% desse material tem origem terrestre;
16ª era a colocação ocupada pelo Brasil em 2016 no ranking de países mais poluidores dos mares.

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