Cidades | AMEAÇA

Atendimento a pacientes da Cemesp é suspenso e pode fechar, diz Adima

Associação dos Diabéticos do Maranhão denuncia que centro não voltará a funcionar após recesso e pacientes serão remanejados para o Pam-Diamante, mas órgãos de Justiça estão cientes da situação
IGOR LINHARES / O ESTADO18/12/2018

Em menos de um mês, dois serviços de saúde, mantidos pelo Governo do Maranhão, foram suspensos em São Luís. Após corte parcial no fornecimento de “kit médico” da Maternidade Maria do Amparo, no Anil, pacientes do Centro de Medicina Especializada (Cemesp) do Maranhão, localizado no Bairro de Fátima, sentem-se ameaçados pelo recesso de funcionários, que deixou a instituição de saúde sem especialistas para atendimento. De acordo com a Associação dos Diabéticos do Maranhão (Adima), órgãos de Justiça estão cientes da situação. O centro de referência atende milhares de pacientes de doenças crônicas diabetes de hipertensão, da capital e interior do estado.

De acordo com o presidente da Adima, Edilson Wanderley, o Governo do Maranhão ainda não se manifestou diante da situação e da possibilidade de fechamento da Cemesp, uma vez que a associação afirma que os especialistas e demais funcionários não voltarão a trabalhar a partir de janeiro, como pressupõe o fim do prazo de recesso estabelecido. “Além de não se receber informação na Cemesp, o Governo do Estado também não dá nenhuma declaração. Contudo, o Ministério Público já tem ciência da situação, assim como a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Maranhão]”, salientou.

Para a aposentada Brasilina Carneiro, de 72 anos, que é diabética do tipo 1, e precisa tomar insulina diariamente, a situação foi agravada por uma gripe, que tem lhe deixado com a saúde ainda mais fragilizada. “Com a gripe que eu peguei, as coisas ficaram ainda mais difíceis. Tenho andado muito cansada e vim em busca do médico para me receitar algum remédio, já que nem um xarope eu posso tomar, por causa do diabetes”, relatou.

A Adima lamenta a situação e diz que situação é prejudicial aos pacientes, uma vez que, para onde os pacientes serão transferidos, o Pam -Diamante - também de responsabilidade do Estado -, não haverá o atendimento necessário que requerem os portadores da síndrome. “O diabetes hoje é muito massacrante, pois muitas pessoas sequer sabem que estão diabéticas. A única coisa que estamos pedindo ao Governo do Estado é mais humanidade”, declarou. “Não é primeira vez que o governador suspende recursos dos pacientes diabéticos, já que, durante todo o seu mandato, a insulina foi suspensa várias vezes”.

Pacientes que se dirigiram ao Cemesp ontem (17) receberam a informação de que os atendimentos serão reagendados para o mês de janeiro e que, para isso, o contato deve ser mantido via telefone disponibilizado para marcação de consultas.
Segundo o aposentado Edilberto Saraiva, de 72 anos, o atendimento só será possível a partir do dia 3 janeiro. “Recebi uns exames e vim para apresentar ao médico e receber a receita para comprar os remédios que tomo regularmente, mas não tem médico para o atendimento”, contou. O paciente, diabético do tipo 2, necessita de medicamentos para controlar o nível de glicose no sangue.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou a O Estado que as atividades no Centro de Medicina Especializada(Cemesp) entraram em recesso de fim de ano ontem (17) e que, tão somente por isso, apenas o serviço essencial de atendimento na ala dos curativos funcionará neste período. Ainda de acordo com a SES, os pacientes foram comunicados sobre o recesso e as consultas estão agendadas para a primeira semana de janeiro. Sobre o fechamento, cuja informação também foi solicitada por O Estado, a SES não se manifestou.

O Ministério Público (MP) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – seccional Maranhão também foram indagados sobre a possibilidade de fechamento da Cemesp, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte