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Criminosos explodem e roubam agência do Bradesco na cidade de Arame

Moradores foram feitos reféns, durante a ação criminosa, que ocorreu por volta das 23 h do último domingo, 9; Esta é a terceira agência bancária alvo de bandidos, em menos de 20 dias
Daniel Júnior 11/12/2018

Arame – Mais uma instituição financeira foi alvo de explosão e roubo no interior do Maranhão. Desta vez, a agência do Bradesco situada no município de Arame, a 475 km de São Luís, foi atacada por um bando, que explodiu, assaltou e ainda fez moradores reféns, durante a ação criminosa registrada na noite do último domingo, 9. Esta é a terceira agência bancária alvo de bandidos, em menos de 20 dias. O caso está sendo investigado e a quantia roubada não foi revelada.

De acordo com informações da polícia, o bando fechou as principais ruas que dão acesso à entrada da cidade e começaram a atirar. Durante o percurso, os criminosos fizeram moradores reféns. Posteriormente, os bandidos atearam fogo na delegacia do município, consumaram o assalto e fugiram levando reféns, que foram liberados horas depois, e dinheiro dos caixas eletrônicos da agência bancária.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que a polícia já está em busca da quadrilha. De acordo com a SSP-MA, a principal suspeita é de que os marginais estejam ligados a uma organização criminosa nacional e agem de forma estratégica.

Com mais esse caso em Arame, o Maranhão registra, neste ano, 23 ações criminosas contra agências bancárias, conforme dados do Sindicato dos Bancários. Do número total de investidas, foram 14 arrombamentos, três assaltos, quatro tentativas de assaltos / saidinhas e duas saidinhas bancárias consumadas. De acordo com registros do Sindicato dos Bancários, o Banco do Brasil (BB) é alvo constante dos criminosos. Dos 23 casos contabilizados, 12 foram ataques a agências do BB, um percentual de mais de 50%. Em seguida, vem o Bradesco, com oito ataques; Caixa Econômica Federal, com duas investidas e, por último, o Santander, com um caso.

Em investigação:

Além desse, a polícia do Maranhão investiga outros dois casos de explosão e assaltos a agências bancárias no interior do Estado. Na madrugada da última quinta-feira, dia 06 de dezembro, criminosos atacaram o Banco do Brasil da cidade de Humberto de Campos, a 92 km da capital. Caixas eletrônicos foram destruídos, como parte do prédio da instituição financeira. De acordo com informações policiais, o cofre da instituição bancária não foi levado. Durante a ação criminosa, não houve registro de feridos. A quantia roubada não foi revelada. Os criminosos metralharam a 5ª Cia da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), que fica em Humberto de Campos. As paredes da fachada e o portão ficaram com marcas dos disparos das armas de fogo utilizadas pelos assaltantes. Conforme as primeiras informações policiais, os assaltantes se dividiram em três grupos para agir no município.

A polícia também falta elucidar a investigação referente a explosão e roubo ao centro de distribuição do Banco do Brasil de Bacabal, a 240 km de São Luís, que ocorreu no último dia 25 de novembro. Uma quadrilha invadiu a cidade de Bacabal, explodiu e assaltou a agência do Banco do Brasil (BB), fuzilou o quartel da Polícia Militar e uma delegacia de Polícia Civil. Durante a ação, três criminosos e um morador da cidade morreram. A polícia calcula que aproximadamente 40 pessoas participaram do roubo. Os bandidos incendiaram veículos e zeram dezenas de moradores reféns. Dados ainda não confirmados indicam que os assaltantes teriam roubado cerca de R$ 100 milhões. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), mais de R$ 45 milhões foram recuperados.

Abordagens aos suspeitos:

Quatro homens suspeitos de envolvimento no assalto ao Banco do Brasil (BB), no dia 25 de novembro, em Bacabal, foram mortos em um confronto com a Polícia Militar (PM), na noite da última segunda-feira, dia 03, na cidade de Santa Luzia do Paruá, a 370 km de São Luís. Outros dez acabaram presos, sendo que alguns desses ficaram feridos, durante o cerco policial. Eles estavam sendo transportados em um caminhão-baú, onde foi encontrado armamento de grosso calibre e malotes com cédulas em real.

Críticas a Segurança Pública do Maranhão:

Em reportagem publicada dia 06 de dezembro, O Estado mostrou que Instituições que representam policiais civis, policiais militares e bancários informaram que os constantes ataques especializados a agências bancárias no Maranhão reflete a ineficiência da Segurança Pública. Eloy Natan Silveira Nascimento, presidente do Sindicato dos Bancários, disse que o governo estadual deveria investir mais em serviços de inteligência e também criticou a segurança oferecida pelos bancos. “Há uma falha por parte dos bancos, que não garantem a segurança dos profissionais que ali estão e dos clientes, mas também o Governo do Estado não investe em serviço de inteligência, em investigações mais preventivas. Uma quadrilha interestadual desse porte não chegou na cidade do nada, teve um planejamento. Há uma facilidade para os criminosos, porque o Estado é pouco vigiado. Acredito que há um baixo número de policiais civis e militares disponíveis, para manter a segurança e vigiar as cidades maranhenses. Além disso, deve haver mais policiamento, também, nas fronteiras”, sugeriu Nascimento.

Sinpol MA e a Aspommem também alertam sobre a ineficiência da Segurança:

Por meio de nota, o Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão (Sinpol MA) destacou que em março deste ano a diretoria visitou a delegacia regional de Bacabal (que foi atacada por uma quadrilha no dia 25 de novembro), a 240 km de São Luís, e constatou o baixo efetivo e a falta de investimento em inteligência policial. Reiterou que tem denunciado o descaso do governo Flávio Dino para com a segurança pública, reafirmando que a atual gestão investe menos de 1% na Polícia Civil. A entidade denunciou, ainda, a perseguição que investigadores e escrivães sofrem dentro da instituição, embora trabalhem na legalidade.

A Associação dos Policiais Militares da Região do Médio Mearim (Aspommem) condenou a vulnerabilidade do policiamento e enfatizou que esses episódios de assaltos expõem a fraqueza do sistema de segurança pública, “notadamente em decorrência da falta de um sistema de inteligência eficiente, capaz de trocar informações e monitoramento previamente a ação dos delinquentes, afim de evitar a ação”.

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