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Em nove anos, São Luís registra mais de 4 mil casos de Aids

Segundo Boletim Epidemiológico divulgado pela Semus, 441 casos ocorreram em 2017; município realiza ações de combate à Aids/HIV até próximo dia 11
IGOR LINHARES / O ESTADO04/12/2018
Na UFMA, houve debates e rodas de diálogos na campanha “Prevenção combinada: vamos combinar direitos!”

De 2008 a 2017, um total de 4.545 casos da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) foram registrados em São Luís. É o que aponta o Boletim Epidemiológico sobre a atual situação da doença divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus). No primeiro ano do balanço (2008), a capital registrava apenas 312 casos da doença. No último ano (2017), o aumento foi de 41,4% - 441 novos casos foram notificados. Durante o intervalo, o ano de maior incidência de Aids foi em 2013, quando o número quase dobrou, em relação a 2008, e alcançou 537 casos. Esta semana, o Município iniciou uma campanha alusiva ao Dia Mundial da Aids, celebrado no primeiro dia do mês.

Foi em 2013 que o Município aderiu à política de descentralização dos testes rápidos para atenção básica, que ampliou os serviços de detecção do vírus HIV/Aids para toda a população, o que tem contribuído para a redução das subnotificações, ou seja, trabalhado para que o número de casos detectados seja menor que aqueles estimados pela Vigilância Epidemiológica municipal.

Contudo, os dados também apontaram que a taxa de detecção, no geral, tem aumentado, e que, além de políticas adotadas pelo Município, a consciência da população também faz-se necessária, principalmente para erradicar a epidemia, em todo o mundo, até o ano de 2030, como estima a Organização das Nações Unidas (ONU).

Em São Luís, a população em que a doença mais prevalece ainda é a de faixa etária de 25 a 34 anos, mas, segundo o boletim epidemiológico, observa-se que a população de faixa etária de 15 a 24 anos apresenta maior tendência de aumento nos últimos oito anos. Segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), mais de 10 milhões de pessoas infectadas com o vírus estão na faixa etária de 15 a 24 anos, grande parte foram infectadas ainda na fase adolescente.

Combate
Para combater a realidade no que se refere aos casos de Aids na capital maranhense, a Prefeitura de São Luís começou, na manhã de ontem, 3, a campanha alusiva ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Com o tema “Prevenção combinada: vamos combinar direitos!”, o Município realiza a campanha em unidades hospitalares, instituições de ensino e órgãos público até o próximo dia 11.

Nesse primeiro dia de ação, que aconteceu na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), além de debates e rodas de diálogos, houve o primordial teste rápido para detecção do vírus, aconselhamento e imunização, com a presença dos Centros de Testagem e Acolhimentos (CTAs) do bairro Anil e Lira, do Centro de Saúde do Bairro de Fátima, e palestra com o influenciador digital Francisco Garcia, o Tio Francisco, durante a tarde. A campanha tem como foco a população de faixa etária entre 15 a 50 anos.

Para fechar a programação de abertura, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), profissionais e outros gestores presentes, e que possibilitarão as ações se perpetuarem e atingirem o máximo de pessoas até o último dia da campanha, fizeram um Laço Humano para abraçar a causa.

Aids na capital
Em 2008, na capital, a taxa de casos registrados era de 13,3 a cada 100 mil habitantes e em 2017 o número de casos aumentou cerca de 125%, atingindo a marca de 29,9 casos a cada 100 mil habitantes.

Também em 2008, a taxa de casos detectados era de 31,6 a cada 100 mil habitantes. Nove anos depois, houve um amento de mais de 50%, ou seja, 47,6 casos detectados a cada 100 mil habitantes. Na mesma medida, o balanço da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Sanitária de São Luís (SVES) identificou que, dos casos registrados, a maior incidência é na população masculina, com 65,3%, e 34,7% são mulheres. Atualmente, 36,9 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, das quais 21,7 milhões estão em terapia antirretroviral.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), o maior acometimento entre os homens pode estar relacionado ao menor cuidado dispensado à saúde por parte da população masculina, além do estigma e discriminação que cercam a população de gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), por se considerarem pessoas de identidade de gênero masculina.

Exposição hierarquizada
Entretanto, segundo este mesmo panorama, a principal via de transmissão em indivíduos a partir de 13 anos, no período de 2008 e 2017, foi a sexual, tanto em homens como em mulheres. Entre os homens, predominou a categoria de exposição heterossexual. Ainda assim, há uma tendência de aumento de casos entre homossexuais e bissexuais nos últimos nove anos.

Drogas
No que se refere à categoria de exposição de usuários de drogas injetáveis (UDI), nos últimos três anos em São Luís, observa-se uma variação, com aumento discreto em 2017. De tal forma, o uso de álcool e outras drogas, mesmo que esporadicamente, pode representar um fator de risco para agravos à saúde, principalmente pela via sexual, pois muitas vezes esquece-se dos métodos de prevenção durante a relação sexual.

Descentralização de testes rápidos para atenção básica começou em 2013

Escolaridade
De 2009 a 2013, a maior concentração de casos de Aids ocorreu entre indivíduos de 5ª à 8ª série incompleta. De acordo com estudo divulgado pela revista médica britânica “The Lancet Global Health”, um ano escolar a mais permitiria diminuir em até 8%, principalmente nos países mais afetados, o risco de infecção pelo vírus HIV ao longo dos dez anos seguintes. Contudo, de forma invertida, a partir de 2014 há um aumento de casos entre indivíduos que possuem o ensino médio completo.

Raça/cor
Nos últimos 10 anos, quanto à distribuição dos indivíduos pelo quesito raça/cor, observou-se um aumento nas pessoas autodeclaradas pardas. Comparando-se à distribuição dos cados de Aids, entre 2015 e 2017 notou-se um aumento de casos de indivíduos autodeclaradas pardas, e discreta variação entre brancos e negros.

Óbitos
No panorama de 2008 a 2017, foram registrados exatos 1.109 óbitos relacionados ao HIV/Aids. A taxa de mortalidade, contudo, tem sofrido variações durante os anos. No ano de 2014, a taxa de mortalidade era de 12,4 óbitos a cada 100 mil habitantes, passando para 8,9 em 2015, registrando uma redução percentual de 28,2%.

Comparando-se 2015 e 2016, é possível observar um aumento, descontrolado, de 42,3%. Já no ano de 2017, atingiu a taxa de 9,4 óbitos por 100 mil habitantes, apresentando, novamente, uma redução em relação ao ano anterior. De acordo com estudos, o início precoce do tratamento antes do aparecimento dos sintomas beneficia os pacientes infectados pelo vírus e aumenta a expectativa de vida, além de reduzir significativamente o risco de transmissão.

Pessoas em TARV
Segundo o panorama da SVES, 4.442 portadores do HIV/Aids, correspondendo a um aumento percentual de 313,2%, entre 2010 e 2017, que realizam a Terapia Antirretroviral (TARV). Os objetivos do tratamento são melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida, pela redução da carga viral e reconstituição do sistema imunológico.

DESMISTIFIQUE

Assim pega
Sexo vaginal sem camisinha
Sexo anal sem camisinha
Sexo oral sem camisinha
Seringa compartilhada
Transfusão de sangue contaminado
Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação
Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados

Assim não pega
Sexo, desde que se use corretamente a camisinha
Masturbação a dois
Beijo no rosto ou na boca
Suor e lágrima
Picada de inseto
Aperto de mão ou abraço
Sabonete/toalha/lençóis
Talheres/copos
Assento de ônibus
Piscina
Banheiro
Doação de sangue
Pelo ar

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