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Caminhada alerta para o combate à violência contra a Mulher

Ato, que selou o encerramento da campanha “Maria da Penha em Ação - prevenção da violência doméstica nas instituições de ensino” neste ano, ocorreu na Praia Grande, e contou com estudantes e Movimentos Sociais
Daniel Júnior / O Estado14/11/2018
Caminhada tratou da violência contra a mulher

Mulheres vítimas de violência e familiares que testemunharam o sofrimento da vítima, e convivem com a dor da perda, participaram ontem de uma caminhada realizada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio das Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher, para chamar a atenção da população para o combate à violência doméstica contra a mulher, e em celebração ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio - data alusiva ao feminicídio de Mariana Costa, criado pela Lei n° 10.700/2017. O ato, que também selou o encerramento da campanha “Maria da Penha em Ação - prevenção da violência doméstica nas instituições de ensino” neste ano, desenvolvida pelo MPMA, ocorreu na Praia Grande, e contou com a participação de estudantes, integrantes de Movimentos Sociais e de órgãos especializados no assunto.

“Faz dois anos que a minha irmã foi vítima da violência que afeta milhares de mulheres diariamente. Ela foi morta no dia 13 de novembro de 2016. Infelizmente Mariana não teve chance de defesa. Foi morta. O agressor está preso. Estou aqui para conscientizar outras mulheres que todo o tipo de violência deve ser denunciada. A mulher tem quem a defenda”, relatou Carolina Costa, irmã de Mariana Costa, que foi morta aos 33 anos.

Caminhada

Caso do feminicídio de Mariana Costa foi lembrado, com faixa

Estudantes de diversas unidades de ensino da capital maranhense seguravam cartazes com mensagens protestando contra a violência à Mulher e a banda da Polícia Militar também animava o cortejo, que percorreu ruas do Centro Histórico, “Nós, mulheres enfrentamos diariamente não só a violência física, mas também a psicológica, institucional e sexual, como por exemplo, quando somos assediadas nas ruas. Pude vivenciar a violência doméstica dentro de casa, quando via a minha mãe ser vítima. Por isso que luto. São por amor a todas as mulheres, pois não merecemos isso”, ressaltou Dayana Roberta Silva Nunes, integrante do Fórum Maranhense de Mulheres.

A coronel Augusta, coordenadora da Patrulha Maria da Penha, serviço da Polícia Militar (PM) em defesa das mulheres que estão em vulnerabilidade social, cadastradas na medida protetiva e tem o objetivo de fiscalizar o cumprimento dessas, falou sobre a atuação do órgão no combate à violência. “As mulheres vítimas de violência podem acionar a PM pelo 190, que diversas viaturas estão destinadas para ir ao local. A Patrulha Maria da Penha tem a finalidade de fiscalizar as medidas protetivas. Caso o agressor se aproxime da mulher, ela aciona a patrulha e vamos até ela. A Patrulha tem obtido resultado positivo”, acrescentou a coronel.

Números
Em reportagem publicada na terça-feira (13), O Estado mostrou que após o lançamento em 2012 da campanha “Maria da Penha em Ação - prevenção da violência doméstica nas instituições de ensino”, desenvolvida pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), o número de processos movimentados pelas Promotorias de Justiça Especializadas na Defesa da Mulher de São Luís vem aumentando gradativamente. Se no ano inicial eram aproximadamente 400 processos, em 2018 esse percentual saltou para 10 mil.

Estudantes participaram da caminhada, na Praia Grande

Preocupação
“As mulheres têm de denunciar, sem medo. Estamos aqui para protegê-las. Há ainda uma preocupação, porque muitas delas não denunciam por medo e acabam mortas, com o tempo. Agressão, seja de qual tipo, deve ser punida. Os órgãos competentes têm a obrigação de intervir”, destacou Selma Martins, promotora de justiça da 22º Promotoria de Defesa da Mulher, instalada na Casa da Mulher Brasileira, no Jaracati.

SAIBA MAIS
O que é feminicídio

É uma circunstância qualificadora do crime de homicídio e na prática é o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, isto é, quando o crime envolve: “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

Entre os dias 13 e 18 deste mês será realizada em São Luís a II Semana Estadual de Combate ao Feminicídio. Com o tema “Até que todas vivam sem medo”, a segunda edição do evento vai promover a mobilização em espaços públicos com palestras, caminhadas e premiações para boas práticas no combate ao crime no estado.

Programação:
14/ 11
9h – Palestra na Tenda do Conhecimento na Vale;
15/11
8h – Palestra e panfletagem no Trem da Vale;
17/11
16h30 – Caminhada Av. Litorânea, da Casa das Dunas à Praça dos Pescadores;
18/11
Encerramento da campanha na Feirinha de São Luís, Praça Benedito Leite;
8h às 9h – Premiação dos alunos vencedores do concurso de talentos com tema Feminicídio;
9h às 10h – Música com banda Filtro de Barro e panfletagem.

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